Memórias de ViagemTwo Feet on the Ground

Sigirya, uma fortaleza acima das nuvens

Uma estrutura rochosa milenar com mais de 200 metros de altura é um dos marcos históricos mais importantes do Sri Lanka. No topo da antiga capital do Sri Lanka, também conhecida como Lion Rock, a cidade esculpida na rocha é a razão de tal fascínio.

No verde exuberante das planícies centrais do Sri Lanka ergue-se uma das suas mais imponentes obras primas: Sigiriya. As paredes quase verticais desta rocha imponente elevam-se nas alturas, numa subida vertiginosa até ao topo. É ali, a 370 metros de altura, que se encontram as ruínas da antiga civilização de Sigirya. Originariamente construída na forma de um leão agachado, com a cabeça e as patas esculpidas na rocha, Sigirya significa, literalmente, a “Rocha do Leão”. A antiga capital do Sri Lanka é também conhecida como Lion Rock.

A história de Sigirya é tão longa e variada como o misticismo que a envolve. Assim como a paisagem verdejante sem fim e o véu de névoa que habitualmente paira sobre ela, e que a tornam ainda mais misteriosa.

A antiga fortaleza foi mandada construir durante o século V d.C. pelo rei Kashyapa, que para assegurar o poder mandou assassinar o seu pai e expulsou o seu irmão do reino. O rei ambicioso, com receio de uma invasão, mandou construir uma fortaleza no topo de Sigirya Rock para que pudesse avistar ao longe qualquer inimigo. Enquanto o palácio residencial se foi erguendo, a cidade à sua volta foi-se edificando e Sigiryia foi-se tornando uma combinação fortaleza impenetrável e um palácio de prazer. Kashyapa ordenou também a construção de belíssimos jardins em todo o complexo, assim como um fosso para aumentar defesa em caso de invasão. Após a morte do rei, o palácio foi abandonado e a sede do governo transferida para Anuradpura. Séculos mais tarde, Sigirya foi entregue aos monges budistas, tornando-se um local de culto para todos os religiosos em busca de paz e solidão. A rocha sagrada foi depois abandonada e permaneceu praticamente esquecida no meio da selva luxuriante até os tempos modernos.

Hoje, é necessário subir mais de 1000 degraus para chegar ao topo da antiga cidade de Sigirya. A entrada na fortaleza é feita por entre as patas do leão, a única parte da escultura que ainda continua a resistir às adversidades do tempo. As pedras que formavam a cabeça já há muito que cederam. Ainda assim, continua a ser possível observar as enormes patas que guardam o acesso ao portão que nos leva ao topo. Depois de passar pela simbólica Lion’s Gate, espera-nos uma subida íngreme que desafia o corpo (e a mente).

O complexo original era composto por jardins, piscinas naturais, passagens secretas, e desenvolvidos sistemas de cisternas e hidráulicos – que funcionam até hoje. Para complementar a beleza de tal obra, a fortaleza estava repleta de esculturas e cavernas repletas de pinturas da época, muitas delas muito bem preservadas e ainda visíveis nos dias de hoje.

Atualmente, é possível observar as ruínas dos antigos palácios no topo da rocha, assim como as estruturas que fortificavam a cidade na sua base. As ruínas relevam ainda a grandiosidade ​da estrutura do palácio, e Sigirya é hoje considerada um dos mais importantes exemplos de planeamento urbano da Antiguidade, com uma planta muito bem elaborada para a época. Frequentemente referida como a 8ª maravilha do mundo, Sigirya é – mesmo sem o título oficial – uma verdadeira maravilha. Uma maravilha geológica com milhões de anos considerada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade – este sim, um título oficial desde 1982.


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