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De Lisboa a Sagres: roteiro de carro pelo Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Praias selvagens, arribas acidentadas, vilas históricas, a natureza no seu estado mais puro e peixe e marisco fresco (quase) acabado de pescar. Parece bom demais para ser verdade. E é mesmo – verdade. O Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina têm tudo o que de melhor Portugal tem para oferecer, e fica aqui tão perto!

Partimos de Lisboa e fomos descendo, devagar, como tudo deve ser vivido na costa vicentina e sudoeste alentejano. Parámos em Sines, Porto Covo, Vila Nova de Mil Fontes, Zambujeira do Mar, Odeceixe, Vila do Bispo, antes de chegarmos, por fim, a Sagres. Pelo caminho, fomos descobrindo as praias à beira da estrada e as praias escondidas entre arribas e cobertas de vegetação. Os miradouros que nos oferecem panoramas sobre esta costa escarpada e as falésia que caem de forma abrupta sobre o mar agitado. Visitámos pequenas povoações que vivem tudo ao seu ritmo, e onde a simpatia, simplicidade e autenticidade são tão características. Fomos andando, parando, explorando; e seguindo viagem, sempre em direção a sul. As praias sucedem-se. Ora mais expostas, ora mais recatadas. Ora com extensos areais a perder de vista, ora escondidas entre as arribas. Ora com o mar agitado, ora na calmaria simbiótica com o ambiente à sua volta. Sempre uma a seguir à outra. Visitámos portos de pesca, vilas piscatórias, aldeias (quase) esquecidas e moinhos seculares. Vimos cegonhas-brancas num dos seus habitats naturais mais inusitados. É que a Costa alentejana é o único local do mundo onde elas nidificam nos rochedos marítimos. Saboreámos o que de melhor a terra e mar têm para oferecer. Seguimos ao sabor do vento, que nos levou sempre em direção a sul, até ao fim do mundo – como se pensava noutros tempos, longínquos. E se mais tempo houvesse, mais o tínhamos valorizado.

Roteiro de 6 dias pela Costa Vicentina

Este é o roteiro da minha viagem, mas que deverá servir apenas como ponto de partida para a tua própria descoberta da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano. Vai explorando e escolhendo os locais que mais gostas para ir ficando mais tempo, foi o que fiz e aconselho que faças o mesmo. Demora o teu tempo. Esta descida até Sagres demorou 6 dias, mas podia ter demorado 2 semanas. A costa vicentina e alentejana merecem ser exploradas com tempo. Ou melhor, sem que o tempo seja uma preocupação. O ideal é fazer a viagem de carro, ou de auto-caravana, para teres liberdade para explorar cada recanto desta costa incrível com o devido tempo. Se não tiveres tempo de fazer tudo de uma vez, vai fazendo aos poucos. Procura determinadas regiões fora de época, e certamente que não te vais arrepender.

Dia 1 | De Lisboa a Sines

A descida pela costa sul de Portugal começa com a primeira paragem na Arrábida, ainda em Setúbal. Apesar de não fazer parte do Sudoeste Alentejano, o Parque Natural da Arrábida é um dos locais mais incríveis do nosso país. O Miradouro do Portinho da Arrábida é ponto de paragem obrigatório pela paisagem arrebatadora e com vista privilegiada para as praias da Figueirinha, Galápos, Galapinhos, Portinho da Arrábida e a península de Tróia, ao fundo. A caminho de Sines, fizemos um desvio para visitar o Cais Palafítico da Carrasqueira, na Comporta. Já em Sines, vimos o sol a pôr-se ao longe. Hospedamo-nos de frente à baía de Sines, com vista para a praia Vasco da Gama, e jantamos o premiado arroz de lingueirão com choco frito no Cais da Estação.

De Lisboa a Sines: Lisboa – Arrábida – Comporta – Cais Palafítico da Carrasqueira – Sines

► LER: Costa Vicentina: de Lisboa a Sagres (I)

Dia 2 | De Sines a Vila Nova de Mil Fontes

Começamos o dia cedo e aproveitamos para explorar a terra-natal do antigo navegador portugês Vasco da Gama. É entre o Largo do Muro da Praia ao Largo do Castelo que se situa o centro histórico e a maioria de monumentos da cidade, com vista privilegiada para a baía de Sines. Seguimos junto à costa até à Praia de São Torpes, com a central termoeléctrica de Sines como pano de fundo e as águas aquecidas pela central. Seguem-se a Praia de Morgavel e a Praia da Vieirinha ou Vale Figueiros, ambas com extensos areais e muito procuradas por surfistas. Mais à frente, entre Sines e Porto Covo, aproveitamos o bom tempo para mergulhar na Praia da Samoqueira. Chegamos a Porto Covo e depois de um passeio pela pequena vila, seguimos em direção à Praia da Ilha do Pessegueiro. A Ilha do Pessegueiro, ao longe, faz-nos questionar se havia, realmente, um pessegueiro na ilha. Acabamos o dia na Praia dos Aivados, antes de rumar à “queridinha” da costa alentejana: Vila Nova de Mil Fontes. Rumamos até ao Cabo Sardão para ver o pôr-do-sol. Antes de regressar a Mil Fontes, o jantar é no restaurante Alento.

De Sines a Vila Nova de Mil Fontes: Sines – Praia de São Torpes – Praia de Morgavel – Praia de Vale Figueiros ou Vieirinha – Praia da Samoqueira – Porto Covo – Praia da Ilha do Pessegueiro – Praia dos Aivados – Vila Nova de Mil Fontes

► LER: Costa Vicentina: de Lisboa a Sagres (II)

Dia 3 | Vila Nova de Mil Fontes à Zambujeira do Mar

Em Vila Nova de Mil Fontes, (re)descrobrimos a vila pela manhã e comemos os croissants mais famosos da região na Mabi. Atravessado o rio Mira, seguimos até à Praia das Furnas, onde as águas agitadas do mar se encontram com a calma vinda do rio. A manhã termina na praia de Almograve. Antes de regressarmos à vila de Almograve para almoçar, desviamos caminho e seguimos até ao Porto de Pesca da Lapa das Pombas. Depois de um belo peixe grelhado, seguimos até ao interior do Alentejo. A tarde é passada entre S. Luís e Odemira, mais precisamente na praia fluvial do Pego das Pias. O dia termina com um mergulho na Praia da Zambujeira do Mar e um jantar no mais famoso restaurante da região: a Tasca do Celso, em Vila Nova de Mil Fontes.

De Vila Nova de Mil Fontes à Zambujeira do Mar: Vila Nova de Mil Fontes – Praia da Furnas – Praia de Almograve – Porto de Pesca de Lapa de Pombas – Almograve – Odemira – Pego das Pias – Praia da Zambujeira do Mar

► LER: Costa Vicentina: de Lisboa a Sagres (III)

Dia 4 | Zambujeira do Mar a Odeceixe

O dia começa cedo na Zambujeira do Mar, com uma passeio a pé pelas ruas deserta da vila que se ergue perante o mar. Seguimos até ao Porto das Barcas ou Porto de Pesca da Entrada da Barca, um pequeno porto de abrigo. Seguimos alguns quilómetros para sul e paramos na Praia dos Alteirinhos. A caminho da Praia do Carvalhal, paramos no Brejão, a pequena localidade que homenageia a fadista Amália Rodrigues. Depois de um mergulho no Carvalhal, seguimos até à Praia dos Machados e passamos o resto da tarde na Praia da Amália. Na Azenha do Mar, deliciamo-nos com o melhor que a nossa costa tem para oferecer – gastronomicamente falando. Seguimos a ribeira de Seixe que serpenteia entre a serra até ao mar. Na Praia de Odeceixe, assistimos a um pôr-do-sol absolutamente íncrivel. Damos o dia por terminado e seguimos até à vila de Odeceixe para descansar, ali mesmo na fronteira entre o Alentejo e o Algarve.

Da Zambujeira do Mar a Odeceixe: Zambujeira do Mar – Porto das Barcas – Praia dos Alteirinhos – Brejão – Praia do Carvalhal – Praia da Amália – Praia de Odeceixe – Odeceixe

► LER: Costa Vicentina: de Lisboa a Sagres (IV)

Dia 5 | De Odeceixe a Vila do Bispo

Começamos o dia a vaguear pela vila de Odeceixe e subimos ao topo da colina, onde o antigo moinho tem uma vista panorâmica incrível. A poucos quilómetros de Odeiceixe, tomamos no Pão de Rogil, uma antiga padaria à beira da estrada da vila com o mesmo nome. A poucas centenas de metros, fica a Praia de Vale dos Homens e é para lá que seguimos. Continuamos caminho até Aljezur, e subimos até ao Castelo de Aljezur. Do topo, conseguimos a Igreja Matiz de Aljezur, perfeitamente centrada na vila que foi crescendo à sua volta. Continuamos em direção a sul e paramos para um mergulho na Praia da Amoreira, onde a ribeira serpenteia até ao mar. Seguem-se as praias do Monte Clérigo, Arrifana e Vale Figueira. O resto da tarde é passado na Praia da Bordeira e, por fim, seguimos até à Aldeia da Pedralva para jantar. Antes do cair da noite, visitamos a Praia do Amado. Terminamos o dia em Vila do Bispo, já muito perto do nosso destino final.

De Odeceixe a Vila do Bispo: Odeceixe – Rogil (Pão de Rogil) – Praia do Vale dos Homens – Aljezur – Castelo de Aljezur – Praia da Amoreira – Praia de Monte Clérigo – Praia da Arrifana – Praia de Vale Figueira – Praia da Bordeira – Aldeia da Pedralva – Praia do Amado – Vila do Bispo

► LER: Costa Vicentina: de Lisboa a Sagres (V)

Dia 6 | De Vila do Bispo a Sagres

Saímos de Vila do Bispo com o céu encoberto para explorar as praias do último trecho de litoral do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Primeiro a Praia do Castelejo e depois a Praia da Cordoama. Entre elas, no topo das arribais acidentadas, fica o Miradouro da Praia da Cordoama e até lá que seguimos. Por fim, chegamos a Sagres. O Cabo de São Vicente marca o extremo sudoeste de Portugal e dá nome à Costa Vicentina. A caminho da Fortaleza de Sagres, paramos na Fortaleza do Beliche, na Praia do Beliche e na Praia do Tonel. Na Ponta de Sagres, visitamos a imponente Forteleza de Sagres, o Promontório Sagrado. A viagem não termina sem uma paragem nas praias do Zavial e do Burgau, as últimas do Parque Natural do Sudeste Alentejano. De regresso a casa, fazemos um desvio para uns petiscos de final de dia na Comporta. As cegonhas fazem parte da paisagem e dão por terminada esta viagem à descoberta da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano.

De Vila do Bispo a Sagres: Praia do Castelejo – Praia da Cordoama – Cabo de São Vicente – Farol do Cabo de São Vicente – Fortaleza do Beliche – Praia do Beliche – Artesanato a Mó – Praia do Tonel – Fortaleza de Sagres – Praia do Zavial – Praia do Burgau – Comporta

► LER: Costa Vicentina: de Lisboa a Sagres (VI)


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