Diário de BordoTwo Feet on the Ground

Costa Vicentina: de Lisboa a Sagres (IV)

Começamos o dia a passear pelo centro pela vila piscatória, que se eleva no topo da praia da Zambujeira do Mar, como se de um miradouro natural se tratasse. Mais a sul, ergue-se do mar a rocha à qual dão o nome de Palheirão. Para o povo, não é apenas uma rocha, é um símbolo da terra que domina a paisagem e a alma da sua gente. A Zambujeira do Mar é uma vila pequena e, por norma, muito concorrida durante o verão. Talvez porque estamos em pleno desconfinamento da pandemia, a vila encontra-se praticamente vazia. Caminhamos à derivada pelas ruas, à procura de um sítio para tomar o pequeno-almoço e, de seguida, seguimos até ao miradouro Nossa Senhora do Mar. A vista desafogada para o mar e as arribas marítimas é absolutamente espetacular, uma das mais bonitas da costa vicentina. E não serão todas?!

Seguimos até ao Porto das Barcas ou Porto de Pesca da Entrada da Barca, um porto de abrigo a poucos quilómetros a norte da Zambujeira. A escassos metros, fica o Restaurante o Sacas e, mais acima, a Barca Traquitanas, dois clássicos da Costa Vicentina. Descemos a rampa até junto ao mar, onde se encontram algumas embarcações paradas e um ou outro pescador nas suas tarefas quotidianas. Tal como no Porto de Pesca de Lapa das Pombas, conseguimos ver diversos artefactos e ferramentas usadas na pesca e sentimos que estamos num verdadeiro e típico porto de pesca artesanal.

Seguimos rumo a sul e encontramos a Praia dos Alteirinhos, uma das 8 praias oficiais dedicadas ao naturismo em Portugal. Apesar disso, a praia estava quase deserta e não vimos nenhum nudista. Situada a sul da Zambujeira do Mar é uma praia com uma beleza incrível. Caminhamos ao longo da imponente falésia, pelos trilhos do Trilho dos Pescadores da Rota Vicentina e, do topo, conseguimos ver o recorte das rochas de xisto pelo areal imenso.

Praia dos Alteirinhos

Da Praia dos Alteirinhos seguimos em busca da Praia dos Machados, mas acabamos por desistir pois parte da estrada estava em obras e o GPS mandava-nos andar em loop. Paramos no Brejão, a pequena aldeia alentejana que tem 4 murais de arte urbana que retratam a história da vida e obra de Amália Rodrigues. A fadista tinha uma casa de praia junto à Praia do Brejão, que hoje é conhecida com Praia da Amália, e tinha uma paixão especial por aquela localidade.

Uns quilómetros mais a sul, aproveitamos para descansar na Praia do Carvalhal. É uma praia bonita, selvagem, espaçosa e com um riacho que atravessa a praia até ao mar. O acesso à praia é fácil e o bar simpático com óptimo ambiente à entrada convida a uma bebida refrescante nos dias de maior calor. Depois de uns mergulhos no mar e umas horas a apanhar sol no areal

Conseguimos finalmente dar a volta GPS e encontrar a Praia dos Machados, que fica mesmo a seguir à Praia do Carvalhal. Afinal, o Google Maps tinha razão não é assim tão fácil aqui chegar. É preciso deixar o carro estacionado (algures) na berma de um caminho de terra batida, no meio da vegetação, e seguir a pé durante 5 ou 10 minutos. Assim que começamos a avistar a praia, do topo da falésia, facilmente nos perdemos com a sua paisagem deslumbrante. A paisagem e o silêncio da natureza que nos rodeia só nos dá vontade de ali ficar. Mas deixamos a Praia dos Machados para uma próxima e seguimos viagem até à paragem seguinte.

A escassos minutos dali, a música é outra. É fado, ainda que toque apenas na nossa mente. O destino é a Praia da Amália. Depois de virar no malmequer, que indica o caminho, deixamos o carro junto à antiga casa de férias da fadista. O caminho pedestre, por entre a verde vegetação em forma de túneis, leva-nos à sossegada praia da Amália, o refúgio da fadista. Outrora conhecida como Praia do Brejão, ganhou novo nome em homenagem a Amália Rodrigues. A sua antiga casa de férias com vista para esta praia é hoje um alojamento local que recebe hóspedes que procuram a mesma tranquilidade.

O acesso à praia é não é difícil, mas exige uma boa caminhada. Descendo o penhasco, encontramos uma baía de águas calmas e com um extenso areal (quase) privado. Além do ribeiro que termina nas rochas da arriba, encontramos aqui a insólita Cascata das Cobras. O nome deve-se às dezenas de cobras de água, inofensivas, que ali costumam habitar. Talvez pelo acesso menos fácil, a praia está praticamente vazia e aproveitamos o resto do dia para descansar na bonita Praia da Amália. É, sem dúvida, uma das melhores praias da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano, e facilmente percebemos o encanto da fadista.

Herdade Amália

A paragem seguinte é na Azenha do Mar para uns petiscos de final de dia. Onde? No Restaurante Azenha do Mar, pois claro! Camarões cozidos, amêijoas à bulhão pato e salada de polvo, acompanhados por umas bebidas bem geladas e vista privilegiada para o mar e a falésia, mesmo ali à nossa frente.

Azenha do Mar

Por fim, acabamos o dia a ver o pôr-do-sol na Praia de Odeceixe. Com um acesso muito fácil a partir da localidade de Odeceixe, é uma das praias mais conhecidas da região. Ali, a praia desenvolve-se para os dois lados da foz da ribeira, e permite a escolha entre os banhos salgados de mar ou doce do rio. É ali, na foz da ribeira de Seixe, que Alentejo e Algarve se separam. Depois das várias tentativas (falhadas) de ver o pôr-do-sol, o que assistimos na Praia de Odeceixe foi absolutamente inesquecível.

Já o sol tinha desaparecido e a lua brilhava no céu, seguimos até à vila de Odeceixe, onde ficamos a dormir naquela noite. Outrora conhecida como a “aldeia entre o mar e a serra”, Odeceixe é o primeiro aglomerado urbano do Algarve. Apesar de, na prática, Odeceixe ficar no Algarve, tem ares de Alentejo. É uma vila pacata, ideal para amantes da natureza e apreciadores de boa comida. E é assim que termina o nosso quarto dia pela costa vicentina.

Da Zambujeira do Mar a Odeceixe: Zambujeira do Mar – Porto das Barcas – Praia dos Alteirinhos – Brejão – Praia do Carvalhal – Praia da Amália – Praia de Odeceixe – Odeceixe


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