Diário de BordoTwo Feet on the Ground

Costa Vicentina: de Lisboa a Sagres (II)

Dia 2 | De Sines a Vila Nova de Mil Fontes

Começamos o dia cedo e aproveitamos a calçada da marginal da Avenida Vasco da Gama, junto à praia do o mesmo nome, para uma corrida matinal. Depois do pequeno-almoço tomado, aproveitamos para explorar a terra-natal do navegador portugês – Vasco da Gama, caso tenham ficado dúvidas. É entre o Largo do Muro da Praia, do Largo Poeta Bocage e do Largo do Castelo que se situa o centro histórico de Sines. É, também, ali que se situam os principais monumentos da cidade: o Castelo de Sines, a Igreja Matriz, Capela da Misericórdia, Estátua de Vasco da Gama e as Escadinhas do Muro da Praia. Mais para norte, os gritos das gaivotas e o colorido das traineiras não deixam dúvidas de que estamos perto do Porto de Pesca de Sines, um dos mais importante porto de pesca artesanal do país.

Seguimos caminho junto à costa e paramos na Praia de São Torpes. A paisagem de fundo, que ostenta a central termoeléctrica de Sines, não é a mais encantadora, mas sem ela não era tão fácil mergulhar nas águas do mar aquecidas pela central. Juntamente com o extenso areal e as pequenas ondas, propícias à prática de surf, fazem com que seja uma das praias mais concorridas depois do Cabo de Sines. Seguem-se a Praia de Morgavel e a Praia da Vieirinha ou Vale Figueiros, ambas com extensos areais e muito procuradas por surfistas.

Mais à frente, entre Sines e Porto Covo, as falésias escarpadas escondem uma praia de as águas em tons esverdeados e formações rochosas que entram pelo mar: a Praia da Samoqueira. O areal é extenso e as pequenas piscinas naturais que se vão formando, mais para o lado esquerdo, convidam ao mergulho. Na maré baixa, as grutas estão prontas a ser exploradas. Aproveitamos o mar calmo – que é verde, azul, e verde e azul – para dar uns mergulhos e estender a toalha antes de seguirmos para o próximo destino.

Continuamos caminho pela estrada litoral (EM554) até Porto Covo. Chegamos à vila já fora da hora de almoço, e por isso nenhum restaurante aceita servir-nos. Trocámos os petiscos por uma tosta, um gelado e um passeio no largo da vila. Porto Covo é uma vila pequena, com as suas típicas casas brancas adornadas de azul e cheia de pinta. A par disso, a grande quantidade de praias ali ao pé fazem com que seja um destino muito procurado durante o verão.

Seguimos em direção à Praia da Ilha do Pessegueiro pela estrada com vista privilegiada para a Ilha do Pessegueiro, o cartão postal da região. A pequena ilha, situada ao largo de Porto Covo, emerge das águas azuis do Atlântico, misteriosa e irresistível, e eternizada na canção de Rui Veloso. Não chegámos a fazer a travessia – durante o verão é possível fazê-lo -, mas pelo que soubemos não há nenhum pessegueiro na ilha. Em vez disso, ruínas e outros vestígios da ocupação romana. No topo da arriba, o Forte da Nossa Senhora da Queimada, mais conhecido por Forte do Pessegueiro, já não defende a costa, mas continua imponente na paisagem.

Acabamos o dia nos Aivados, antes de rumar à “queridinha” da costa alentejana: Vila Nova de Mil Fontes, onde vamos passar a noite. A Praia dos Aivados é uma praia selvagem que apesar de até ser conhecida, o acesso menos fácil atraí menos gente. O areal de perder de vista é óptimo para descansar, enquanto a rebentação a torna ideal para surfistas que procuram boas ondas.

Antes do jantar, fomos até ao Cabo Sardão para ver o pôr-do-sol, que entretanto se escondeu no horizonte por entre o nevoeiro. Estava instalado o cenário ideal para tornar ainda mais dramática a vista do ponto mais ocidental da costa alentejana. No meio do nevoeiro, o imponente Farol do Cabo Sardão ergue-se para iluminar o céu e guiar os homens do mar. Diz que em dias de céu limpo consegue ver-se o Cabo de Sagres, o que não conseguimos o confirmar, já que nem a ponta do carro conseguimos ver.

Não há ida a Vila Nova de Mil Fontes sem um paragem na Tasca do Celso, mas quando tentámos marcar já estava lotado. A reserva ficou para o dia seguinte e acabámos por ir descobrir o restaurante Alento. O chef André Silva, um filho pródigo da terra, deu uma nova vida a antiga escola primária abandonada a caminho da Praia das Furnas. Os pratos são uma re-interpretação da cozinha tradicional e a prova de que esta não tem que ser sempre igual. O ambiente sofisticado e despretensioso combina na perfeição com a inovação servida à mesa, sempre acompanhada pela simpatia da casa. Regressamos a Vila Nova de Mil Fontes, onde ficamos a dormir e nos preparamos para continuar a viagem pela costa vicentina no dia seguinte.

De Sines a Vila Nova de Mil Fontes : Sines – Praia de São Torpes – Praia de Morgavel – Praia de Vale Figueiros ou Vieirinha – Praia da Samoqueira – Porto Covo – Praia da Ilha do Pessegueiro – Praia dos Aivados – Vila Nova de Mil Fontes


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