Diário de BordoTwo Feet on the Ground

De Lisboa a Sagres (I)

No âmbito da iniciativa #euficoemportugal da ABVP (Associação de Bloggers de Viagem Portugueses), e da minha vontade de ficar a conhecer melhor o nosso país, parti de Lisboa em direção ao que se achava, noutro tempos, ser o fim do mundo: Sagres. Pelo caminho, a vontade é ir parando, a cada praia, a cada porto, a cada aldeia, a cada vila. Vamos partir à descoberta da Costa Alentejana e a Costa Vicentina, uma das mais bem preservadas e ricas regiões costeira que há no mundo. Vivemos tempos extraordinários e esta será a primeira viagem após (des)confinamento. Não só com o compromisso de explorar Portugal, mas também de contribuir para a dinamização dos negócios locais, que tanto precisam de nós. Afinal, precisamos todos!

A viagem começa em Lisboa e seguirá para sul, até ao nosso destino final. Por hoje, o primeiro destino será Sines, essa cidade costeira que junta o misto cosmopolita dos ares da cidade, com o que de melhor a Costa Alentejana tem para nos dar. Ao longo do caminho, irei partilhar as histórias de cada etapa e redescobrir este país com tanto para explorar. De Lisboa a Sagres é o nome desta série que pretende contar parte da história deste nosso cantinho à beira-mar plantado, que temos a sorte de poder chamar casa. Não será novidade para, até porque as costas Alentejana e Vicentina não são sobejamente conhecidas e procuradas. É antes (mais uma) forma de nos lembrarmos, todos, que o nosso país é incrível e que vale mesmo a pena ser explorado. O resultado final será um roteiro, o mais completo possível, das melhores praias, os melhores spots, os melhores restaurantes. No fundo, uma ode do melhor que as nossas Costa Alentejana e Costa Vicentina têm para oferecer.

Desafio-te a fazer o mesmo a partilhar com o hashtag #euficoemportugal. Segue tudo no Instagram @2feetontheground_ e aqui no blog.

DIA 1 | DE LISBOA A SINES

A descida pela costa sul de Portugal começa com a primeira paragem na Arrábida, ainda em Setúbal. Apesar de não fazer parte do Sudoeste Alentejano, o Parque Natural da Arrábida é um dos lugares mais incríveis de Portugal. É uma reserva natural com uma biodiversidade riquíssima, verdadeiros tesouros históricos e culturais e praias paradisíacas. É verdade, não é preciso apanhar o avião para encontrar águas cristalinas em mil tons de azul e o verde da vegetação envolvente. As praias da Arrábida tem tudo – menos água quente, mas não nos podemos queixar – e fica a menos de uma hora de Lisboa.

Saímos da autoestrada, em direção a Sesimbra e seguimos caminho pela estrada nacional até entrar no Parque Natural da Arrábida. O caminho da Serra da Arrábida é sinuoso, mas a vista a cada curva e contracurva é sempre surpreendente. O Miradouro do Portinho da Arrábida é ponto de paragem obrigatório pela paisagem arrebatadora e com vista privilegiada para as praias da Figueirinha, Galápos, Galapinhos, Portinho da Arrábida (Creiro) e a península de Tróia, ao fundo. Pelo caminho da serra existem outros pontos à beira da estrada, mas este miradouro é o mais conhecido e procurado de todos. Com a sua rampa em direção à arriba que se inclina a pique até ao mar, é um dos sítios mais instagramavéis da Arrábida. Seguimos estrada fora até Setúbal, a terra da sar(r) dinha, car(r) apau e choco fr(r) ito – ler- assim, carregando nos erres -, para daí continuar a viagem até Sines.

A caminho de Sines, fizemos um pequeno desvio para visitar o Cais Palafítico da Carrasqueira, na Comporta, que faz parte da Reserva Natural do Estuário do Sado. Uma obra de arquitetura peculiar que foi construída nas décadas de 50 e 60 para facilitar o acesso dos pescadores aos barcos. Durante a baixa-mar, os pescadores tinham grandes dificuldades em passar pelo lodo e construíram um extenso passadiço com estacas de madeira que lhes permitisse chegar, mais facilmente, às embarcações. É um dos locais mais visitados da região, que continua a a servir o propósito original da sua construção.

Já em Sines, vimos o sol a pôr-se ao longe e hospedamo-nos mesmo de frente à baía de Sines, com vista para a praia Vasco da Gama. O jantar foi no Cais da Estação, um restaurante que surge da recuperação do antigo armazém de Mercadorias da Estação de comboios de Sines, e que tem um delicioso – e premiado – arroz de lingueirão com choco frito. A não perder! Caminhamos até ao hostel pelas ruas desertas do centro histórico de Sines, pois o dia seguinte começa cedo para dar início da descoberta do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Roteiro: Lisboa – Arrábida – Comporta – Cais Palafítico da Carrasqueira Sines


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