Crónicas em Viagem

Genebra, a capital da precisão

Genebra foi o ponto de partida para as férias na neve em Courechevel (2018) e Avoriaz (2019). Enquanto que em 2018 passamos apenas algumas horas em Genebra, numa rápida “escala” entre voos, este ano regressamos das montanhas um dia mais cedo para explorar a capital suiça.

De Lisboa, partimos bem cedo para Genebra. Assim que chegamos ao aeroporto suiço, apanhamos o autocarro que nos vai levar diretamente à estância de Avoriaz. Não sem antes fazer uma breve passagem pela capital suíça. Os edifícios antigos, os enormes letreiros com o nome da elite mundial de relógios e conhecidas instituições financeiras, o enorme lago com a sua gigantesca fonte de água a iluminar o céu a e as montanhas brancas na paisagem ao fundo não enganam, estamos em Genebra. E é precisamente na direção das montanhas cobertas de neve que seguimos. O autocarro segue caminho em todo o redor do Lac Leman, e para trás fica a solarenga capital da Suiça – onde regressaremos uma semana mais tarde.

Exactamente uma semana depois, estamos de regresso a Genebra. Desta vez, são as montanhas cobertas de neve que vão ficando para trás. Por volta do meio dia, chegámos à capital suiça, onde ficariamos até à tarde do dia seguinte. Fizemos check-in no hotel (Hotel Lido) e saímos para almoçar.

Minutos depois de uma breve caminhada, estamos junto às margens do gigantesco lago, também conhecido como Lago de Genebra. A cidade desdobra-se nas duas margens do lago e, ao longe, brilham os cumes dos Alpes. Além do lago, dois grandes rios – o Ródano e o Arve – atravessam a cidade. Atravessamos a Pont du Mont-Blanc, que liga duas artérias principais de ambos os lados da cidade, e caminhamos até ao restaurante. O Spaghetti Factory, onde fazemos uma refeição rápida e a um preço acessível para os padrões de Genebra, é um restaurante italiano na zona antiga da cidade.

A história de Genebra vive o seu esplendor na margem direita, enquanto que a margem esquerda é casa das maiores instituições bancárias, luxuosas marcas e elite relojoeira suiça. Como estamos na Old Town de Genebra aproveitámos o resto da tarde para caminhar por entre as ruas da cidade antiga, e explorar uma capital suiça cheia de história e bem diferente da cidade moderna e luxuosa da outra margem. Um dos grandes tesouros da cidade é a Catedral de St. Pierre, local simbólico da Reforma Protestante. A Catedral está intimamente ligada com a história da cidade. Juntamente com a Chapelle des Macchabeus, o sítio arqueológico, o Auditoire Calvin e o Musée International de la Réforme constituem o Espace Saint-Pierre. Caminhamos até aos jardins do Museu de História e Arte. Pelo caminho passamos pela Maison Tavel, a casa privada mais antiga de Genebra, agora convertida no museu de história de Genebra.

No centro do Parque dos Bastiões, ou Promenade des Bastions, encontra-se Muro dos Reformadores (Mur des Réformateurs). Apoiado nas antigas muralhas da cidade, o monumento construído em 1909 é um retrato da reforma protestante que Genebra simboliza. O imponente muro de cinco metros tem gravações em baixo-relevo dos grandes atores da Reforma: João Calvino, Guillaume Farel, Theodore Beza e John Knox. Ao final da tarde caminhamos de regresso ao hotel, e vamos deambulando pelas ruas da capital suiça.

Em pleno coração do centro histórico, mesmo ao lado da Catedral de São Pedro, fica o Restaurant Les Armures. Foi neste restaurante que é o mais antigo café de Genebra que jantámos nessa noite. O ambiente caloroso e reconfortante do restaurante combina na perfeição com a comida tradicional ali servida. Os tectos baixos com vigas de madeira, chão de pedras aparentes, e decoração rústica que faz lembrar um chalet alpino, convidam à degustação dos melhores e mais autênticos sabores suiços. O Fondue moitié-moitié (fondue meio-meio), um fondue com a combinação de 2 queijos típicamente suiços, o Vacherin e o Gruyère. Além do fondue, a carta é composta por outros pratos, como raclettes ou sugestões do chef com produtos da região. Depois de um jantar , mas delicioso, preparamo-nos para o frio que se faz sentir lá fora, no caminho de regresso ao hotel. Genebra é igualmente encantadora durante a noite, com o sinais de grandes marcas agora iluminados no topo dos edíficios.

No dia seguinte, acordámos cedo e fomos andando pelas ruas da Genebra até jardins na margem do Lago de Genebra. Reconhecida pela sua qualidade de vida, Genebra combina o dinamismo dos mais ilustres e ecléticos centros urbanos com uma natureza abundante e bem cuidada.

No Jardin Anglais encontra-se uma obra peculiar: o Horloge Fleuri, um relógio de flores que alia duas artes seculares: botânica e relojoaria. Com 16 metros de circunferência e 5 metros de diâmetro, o dito relógio é feito com mais de 6 mil flores, que mudam de acordo com a estação do ano. Para além de ser uma obra de arte, o Horloge Fleurie informa as horas com precisão suíça. Não fosse Genebra o berço da relojoaria. Foi no século XVI que começaram a aparecer os grandes nomes dos relojoeiros suíços. Na época, devido à rigorosa Reforma Protestante, decretou-se que os genebrinos deviam seguir um código de vestimento e proibiu-se o uso de jóias e qualquer outra forma de ostentação de riqueza. A população, recusando despir-se de todos os ornamentos, procurou de relógios. Assim, os ourives orientaram a atenção para a relojoaria de forma a satisfazer os pedidos, até transformarem a Suíça no seu principal produtor mundial. Hoje, Genebra homenageia os cinco séculos de relojoaria e é casa de uma longa lista de luxuosas marcas que constituem os maiores relojoeiros do mundo. Rolex, Franck Muller, Richard Mille, Breitling, IWC, Boucheron, Panerai, Mont Blanc, Vacheron Constantin, TagHeuer ou Omega são alguns (!) exemplos que podemos encontrar na Rue du Rhône. Entre tradição e precisão, Genebra é hoje o símbolo da alta relojoaria suiça.Continuamos o passeio, agora da outra margem do rio, até ao Jet d’Eau.

O Jet d’Eau é um enorme jato de água que chega aos 140 metros de altura e onde passam 500 litros de água por segundo a uma velocidade de 200 quilómetros por hora. Como ainda era cedo e a fonte estava desligada, caminhámos através de um pontão até ao centro do lago. O funcionamento da fonte está condicionado pelas condições climatéricas da região e o seu horário de funcionamento varia ao longo do ano. Como era domingo, em pleno Inverno, a fonte começava a funcionar apenas às 10:00, e por essa razão ficámos junto ao seu ponto central para ver o arranque. Um espetáculo impressionante digno de se ver!

Seguiu-se o brunch no Marcel antes de seguirmos até ao Museu de História Natural de Genebra (Muséum d’histoire Naturelle de Suisse). Genebra é uma cidade bastante rica a nível cultural, com uma grande quantidade de museus, como o Museum Patek Philippe, Fondation Martin Bodmer, Musée d’Art et d’Histoire ou o Musée de la Réforme. Situado a sudeste do bairro Eaux-Vives, este museu reúne habitats dos mais variados tipos de animais, des formigas a dinossauros, passando por corujas, doninhas, ursos polares ou leões. Conta também com várias exposições temporárias. As visitas têm um custo de 9 francos suíços (7€) para maiores de 26 anos, mas por ser o primeiro domingo do mês a entrada foi livre e gratuita.

Ao ínicio da tarde regressámos ao hotel para ir buscar as malas e apanhar o autocaror até ao aeroporto. Quem se hospedar num hotel ou pousada da juventude em Genebra, recebe um “Geneva Transport Card” que permite usar os transportes públicos da cidade, gratuitamente, durante todo o período da sua estadia, e por essa razão o transporte até ao aeroporto foi totalemente gratituito. É tempo de dizer “até para o ano, Genebra!”.

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