Crónicas em Viagem

Avoriaz, snowboard no coração da montanha

Avoriaz

Os Alpes designam a cordilheira mais extensa da Europa e são o local ideal para umas férias na neve memoráveis. Divididos entre 7 países diferentes, é na região dos Alpes franceses que se situa o pico mais alto da Europa: o Mont Blanc, com mais de 4800 metros de altitude. Depois de em 2018 termos rumado a Courhevel, este ano Avoriaz foi a estância escolhida para as já habituais férias na neve.

No coração de Portes du Soleil – a maior estância de ski da Europa -, encontramos Avoriaz, uma estância na fronteira com a Suiça com centenas de quilómetros de pistas para todo o tipo de esquiadores. É uma estância vehicle-free, o que significa que não existe qualquer carro a circular dentro do restort. A única opção para nos deslocarmos é a pé, de skis, de trenó ou em carruagens puxadas a cavalo. Além disso, é uma estância ski-in/ ski-out, onde basta sairmos de “casa” para começar a prática de qualquer desporto de inverno.

Esquiar em Avoriaz significa estar, literamente, com a cabeça nas nuvens. É a 1800 metros de altitude que se situa a estância francesa, construída propositadamente para a prática de desportos de neve. A maior particularidade de Avoriaz é que nos permite esquiar “sem fronteiras”, entre França e a Suiça. Para além de Avoriaz, Portes du Soleil engloba, do lado francês, as estâncias de Abondance, Châtel, La Chapelle-d’Abondance, Les Gets, Morzine, Montriond e Saint-Jean-d’Aulps; e do lado suiço Champéry, Les Crosets, Champoussin, Morgins e Torgon. No total, são 286 pistas de ski, ski lifts e snowparks.

Avoriaz é considerada a Meca do snowboard e uma estância ideal para snowboarders. Com preços bem mais convidativos do que é habitual nos Alpes, Razões não faltam para visitar Avoriaz. foi a base escolhida para as férias na neve deste ano.

Chegamos ao aeroporto de Genebra por volta das 12:30, e uma hora depois já estávamos a caminho de Avoriaz. O bilhete de autocarro (Aeroporto de Genebra – Avoriaz, e vice-versa) custou 65€ por pessoa na Altibus. À medida que a Suiça ia ficando para trás, viamos cada vez mais perto a paisagem coberta de neve ao fundo.

À chegada a Avoriaz, o autocarro pára na “área de descarga” junto aos parques de estacionamento à entrada da estância – onde é possível deixar o carro estacionado. Seguimos até à agência onde alugámos o apartamento. Check-in feito, e como nos disseram que o apartamento era a 10 minutos a pé, fizémo-nos à estrada. Minutos depois, o arrependimento chegou. É que uma estância livre de trânsito, significa também livre de estradas circuláveis. Entre arrastar as malas pelo meio da neve, tentar manter-nos em pé sem escorregar a cada segundo, e encontrar o caminho certo, conseguimos finalmente chegar ao apartamento.

Do 6º andar, onde se situa o nosso apartamento, a vista é absolutamente incrível. O sol começou a pôr-se no horizonte e deu lugar a uma vila completamente iluminada. Entre a montanha, o luar e os pequenos pontos de luz, Avoriaz parecia acabada de sair do mais clássico dos contos de Natal. A estância tem uma arquitetura bastante peculiar, o que a torna ainda mais charmosa. Já de noite, saímos para ir buscar à Avoriaz Sports o equipamento que tinha alugado online na Skimium. A Skimium funciona como um agregador de lojas independentes de aluguer de material de ski e snowboard em estâncias em França, Itália ou Andorra. Além de oferecer um desconto pelo aluguer online, tem também frequentemente vouchers de desconto, o que faz com que tenha um preço muito competitivo. O aluguer do meu material de snowboard, prancha e botas, durante 6 dias ficou por 98€ – com um voucher de desconto de 5%, mais 5% por ter cartão Decatlhon.

Avoriaz

No primeiro dia de ski, carregámos o forfait no posto de turismo, onde tinhamos ido buscar (gratuitamente) o cartão recarregável. Durante essa semana, fomos comprando os forfaits diariamente, já que durante esta época é frequente disponibilizarem descontos. É também possivel comprar os bilhetes online no site da estância, que foi o que fizemos. No total, pagámos 205€ por 5 dias de forfait, 3 deles em Avoriaz e os outros 2 em Portes du Soleil. Feitas as contas, e graças aos descontos que conseguimos, acabámos por pagar uma média de 41€ por dia. Quando comparamos com os preços sem descontos (44€ por dia em Avoriaz e 53€ em Portes du Soleil) foi uma poupança de mais de 30€.

Os 5 dias seguintes foram passados a esquiar na solarenga estância de Portes du Soleil. As condições estiveram sempre óptimas, com sol e céu limpo durante todos os dias e com temperaturas bem simpáticas. Avoriaz é uma estância familiar, com escolas de ski para os mais novos, mas é também particularmente apreciada por grupos mais jovens. Ao final do dia, o La Folie Deuce, um antigo chalet com 2 restauramtes mesmo à entrada da estância, dá as boas-vindas a todos os que regressam do dia de ski. Afinal, está na hora do aprés-ski. À medida que a tarde avança, e as pessoas vão regressando das pistas, o estilo musical intensifica-se. A partir do terraço com vista priveligiada encontramos diariamente, entre as 14:00 e as 18:00, concertos ao vivo com música para todos os gostos. Com um enorme bar central no exterior, as outrora mesas exteriores viram pista de dança e a festa só termina com o sol atrás do horizonte.

Como fomos variando entre o Avoriaz e Portes du Soleil, esquiámos entre França e a Suiça em dezenas de estâncias e pistas diferentes. Os dias começavam cedo, as manhãs eram passadas a subir e descer as montanhas cobertas de neve, as paragens para almoçar e apanhar sol num qualquer com vista desavogada para o horizonte para recuperar energias para voltar a descer as montanhas dos Alpes durante a tarde, e até que o sol se punha e voltámos à base para acabar a beber um copo no local do costume. No dia seguinte, a rotina (… ) repetia-se, mas sempre com uma vista diferente. Em qualquer paragem pelo caminho, há algo que nunca pára de surpreender: a paisagem. Paisagem essa que se parece confundir entre com vista panorâmica para as montanhas cobertas de neve e as falésias abruptas.

Ao sexto dia, último antes de regressar a Genebra, o sol desapareu. Nevou durante toda a noite e quando acordámos Avoriaz estava (ainda mais) coberta de neve. Continuou a nevar durante o dia e, por isso (e por uma queda mal dada no dia anterior, que mais tarde se veio a confirmar ser uma lesão no menisco) aprovéitamos para dar descansar e dar umas últimas voltas por Avoriaz. A visibilidade era bastante reduzida e a quantidade de pessoas que se via pela estância e nas pistas era muito menor. Antes do dia terminar, fomos até à Igloo Village. Um igloo gigante com um bar e inúmeras esculturas em gelo, onde é até possível jantar e passar a noite. Ficámo-nos pelo chocolate quente numa das mesas feitas de gelo, antes de voltarmos para o apartamento para deixar tudo pronto para partir na manhã seguinte.

A região de Savoie é também conhecida pelos seus sabores fortes e tradicionais, nomeadamente os queijos de origem controlada: o Beaufort, o Abondance e o Reblochon. Foi numa pequena loja de produtos locais que fizemos as últimas compras das mais típicas especialidades da região. Numa espécie de degustação proporcionada pelos simpáticos donos da Aux Délices D’antan, provamos vários queijos, chocolates e génépi, um licor feito conhecida das plantas aromáticas e símbolo dos Alpes. O génépi é um pequeno arbusto que cresce de forma selvagem nas montanhas entre 1500 e 3800 metros de altitude e que dá origem a este licor.

Ainda nessa noite, e em jeito de despedida, saímos para jantar num restaurante típico bem no centro de Avoriaz – Le Refuge d’Avoriaz. A gastronomia savoyarde, é simplesrústica e cheia de sabores, e bem calórica. Os queijos derretidos, as batatas e a carne são a combinação perfeita para alimentar o corpo (e a alma) no mais rigoroso dos invernos no alto da montanha. Experimentámos a tartiflette com cogumelos, um gratinado de batatas, bacon e queijo Reblochon, que é especialidade da região.

No dia seguinte, saímos cedo do apartamento pois tinhamos autocarro de regresso a Genebra às 9:30. Desta vez, fomos à boleia do trator de neve, que nos deixou com as malas quase à porta do autocarro. 3 horas de viagem depois, as montanhas viraram paisagem e chegámos a Genebra ainda antes da hora de almoço. Ainda a tempo de aproveitar as cerca de 24 horas que ainda tínhamos para explorar a capital Suíça, mas isso são histórias para outro dia, que continuam aqui.

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