Memórias de Viagem

Borobudur, o esplendoroso templo budista

É na parte central da ilha de Java, na Indonésia, que se encontra o maior e um dos mais desconcertantes templos budistas do mundo: Borobudur. Eleito Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, Borobudur situa-se a 40 quilómetros de Yogyakarta, um dos centros da cultura tradicional javanesa. A grandiosidade e imponência Borobudur, juntamente com misticismo envolvente, fazem com que este templo seja uma das atracções mais populares da Indonésia. Apesar da sua popularidade entre os turistas, é também um dos mais enigmáticos monumentos em todo o mundo. Quem já o visitou, dificilmente pode discordar: Borobudur é, sem qualquer dúvida, um lugar mágico.

A história do complexo é bastante intrigante. Com mais de um milénio de história, este colossal monumento budista sobreviveu às erupções do vulcão Merapi, às bombas terroristas da guerra civil e ao terremoto de 2006, para permanecer tão enigmático e magistral quanto aparenta. As suas origens são incertas, mas evidências sugerem que o templo foi construído algures no século VIII, entre 750 e 850 d.C., durante o reinado da dinastia do Rei Śailēndra – “O Senhor das Montanhas”. Originalmente construído como um templo hindu, a sua construção foi posteriormente continuada como uma estupa budista. Anos mais tarde, na sequência do declínio dos reinos hindus de Java e com o crescimento de religião islâmica na Indonésia, no século XIV, Borobudur foi abandonado e tomado pela densa vegetação. Foi redescoberto no meio da selva, em 1814, e tornou-se mundialmente conhecido quando Thomas Raffles, o então governador britânico, foi informado da sua existência. Foram precisos cerca de 20 anos para que toda a área do templo fosse limpa e, já durante a década de 70, as construções foram totalmente restauradas com a ajuda da UNESCO e do Governo da Indonésia.

Os compostos do templo de Borobudur são constituídos por três monumentos: o templo de Borobudur e os dois templos mais pequenos – Templo de Mendut e Templo de Pawon – situados a leste de Borobudur numa linha recta imaginária. Em conjunto, os três templos representam as diferentes fases na conquista do Nirvana: o estado de libertação, paz e tranquilidade, no Budismo. Os habitantes da região acreditam que o templo terá sido construído para apaziguar os quatros poderosos vulcões em seu redor –  e tais feitos fizeram com que os locais passassem a acreditar mais profundamente na benção de Buda.

Quando visto de cima, Borobudur assume a forma de uma mandala. O templo foi construído em três níveis numa base piramidal com cinco terraços quadrados concêntricos, um tronco de cone com três plataformas circulares repletas com 72 estupas e, no topo, uma estupa monumental. Borobudur é um local de peregrinação budista e o ritual de visita tem início na base e segue-se à sua volta, no sentido dos ponteiros do relógio, subindo até ao topo.

Há um misto de sensações à nossa volta. O majestoso templo com as suas inúmeras estátuas, as montanhas, a densa vegetação em seu redor e, ao longe, o vulcão Merapi, transporta-nos para uma outra realidade.

Como vistar Borobudur

Borobudur abre diariamente entre as 6:00 e as 17:00. Mas quem vai para ver o nascer do sol, pode iniciar a visita mais cedo, através de um pacote especial realizado em conjunto com o Hotel Mahonara, que se encontra dentro do perímetro de Borobudur e a 5 minutos do templo. Eu comprei o meu bilhete conjunto para visitar os dois templos (Borobudur e Prambanan) com motorista/ guia numa agência local – Losari Tours and Travel. À chegada foi-nos dada uma lanterna e um autocolante para nos distinguirmos dos restantes visitantes. No final foi-nos oferecido um batik de Borobudur.

Quando planeei a minha viagem por Singapura, Malásia e Indonésia, Yogyakarta foi de logo uma cidade que fiz questão de incluir no roteiro, não só porque era considerada a capital cultural da ilha de Java, mas também porque era lá que podia encontrar dois dos princiapis templos da Indonésia: Borobudur e Prambanan.

LER: Yogyakarta, a alma cultural de Java