Crónicas em Viagem

Dia 1, 2 e 3 | Bruxelas, Gent e Bruges, o trio de ouro da Bélgica

Bruxelas pode não ser a capital europeia mais procurada enquanto destino turístico, mas a verdade é que tem vindo a atrair cada vez mais visitantes. E não é por acaso. A cidade-sede da União Europeia tem fama de ser uma cidade séria e cinzenta, mas quem a visita fica (agradavelmente) surpreendido.

Aproveitando um feriado a uma sexta-feira, Bruxelas foi o destino escolhido para explorar a Europa num fim-de-semana grande. O preço do voo, que normalmente sobe nestas alturas, ficou relativamente baixo: 80 euros, ida e volta, na Ryanair (na altura, ainda com carry-on incluída).

Cheguei ao aeroporto de Bruxelas, o Zavantem, perto das 20:30 (hora local, mais 1 que Lisboa), recolhi a bagagem e fui à procura da melhor forma de chegar ao hotel. O que acabou por ser uma tarefa bastante fácil, pois existe imensa informação sobre os transportes no aeroporto. Também com ajuda do Google Maps (claro!), descobri que havia um autocarro dali a uns minutos que parava a minutos do hotel. A viagem durou cerca de 40 minutos e custou 4,5€.

Dia 1 – Bruges

O dia seguinte tinha um objetivo muito específico: vistar Bruges. A par de Antuérpia e Gent, Bruges é um destino muito popular para quem visita Bruxelas durante alguns dias, ou até mesmo outras cidades próximas em França ou na Holanda. Em Bruxelas, fomos a pé até à estação central para apanhar o comboio para Bruges. A viagem durou cerca de 1 hora e meia e o bilhete, que pode ser comprado no local ou online, custou 14€ ida e volta.

À chegada a Bruges, saimos da estação central e fomos seguindo o resto das pessoas. Pelas suas ruas estreitas, edíficios históricos e charme medieval, começamos a perceber que estamos a entrar na antiga cidade de mercadores.

Bruges desde cedo atraiu muita riqueza e progresso, que chegava pelos seus canais que ligavam a cidade ao Mar do Norte, e ao resto do Mundo. Esta cidade belga foi durante muito tempo o expoente máximo de uma classe mercantil próspera. Além de ter sido um importante centro de comércio e porto mercantil da Europa, Bruges foi também um grande centro financeiro. Terá sido ali que se trocam ações em bolsa pela primeira vez, exemplo do progresso ali vivido. Séculos depois, até parece que os relógios pararam no tempo, pois o seu charme medieval ainda se mantém intacto, apesar dos visíveis sinais de modernidade.

Muitos dos principais pontos de interesse de Bruges estão ligados ao Cristianismo e, por isso, a cidade conserva importantes exemplos da arte sacra, como a Igreja de Nossa Senhora , a Catedral de São Salvador ou a Basílica do Sangue Sagrado. Depois de termos visitado o antigo hospital Sint-Janshospitaal (Hospital de S. João), foram esses os pontos de paragem seguintes.

A primeira, a Igreja de Nossa Senhora (Our Lady’s Church ou Onze Lieve Vrouw Brugge, em belga), dificilmente passa despercebida de qualquer ponto da cidade, pela sua grandeza e pela torre de 122 metros que fazem com que seja a estrutura mais alta de Bruges. A igreja que levou 200 anos a ser construída guarda no seu interior a “Madonna and Child”. Uma estrutura de mármore branco assinada por Miguelangelo, em 1504, que representa a Virgem Maria e o Menino Jesus. A entrada na igreja é livre, pagando-se apenas para visitar a parte do museu.

Nas trasseiras da Igreja de Nossa Senhora passámos pela Bonifacius Bridge. A pequena ponte de São Bonifácio oferece uma excelente perspectiva de uma “Bruges antiga” e é um dos recantos mais românticos da cidade. Segue-se a Catedral de São Salvador (Sint-Salvatorskathedraal), a mais antiga da cidade. Além de uma série de trabalhos artísticos ou túmulos medievais, a catedral alberga também um gigantesco órgão. 

Seguimos até ao Grote Markt, a principal praça da cidade, onde se localizam alguns dos edíficios mais importantes de Bruges como o Belfry of Bruges. E foi precisamente no Campanário de Bruges (Belfry of Bruges) que parámos de seguida. A entrada custa 8 euros, e foi preciso esperar cerca de 30 minutos (ou mais) na fila. Esta torre mediaval é o mais importante e mais emblemático monumento da cidade. A sua escadaria estreita e inclinada leva-nos ao topo dos 83 metros de altura. Pelo caminho, é possível ir fazendo paragens para apreciar a vista (e recuperar o folêgo). 366 degraus depois, a recompensa pelo esforço é a incrível vista panorâmica a toda a sua volta para Bruges e arredores. Depois da visita ao campanário, do Grote Markt seguimos pela Steenstraad, a principal rua de comércio do centro histórico e uma das mais antigas da cidade.

Foi altura de experimentar as especialidades belgas (mexilhões, estufado e entrecotê) num pequeno restaurante que encontrámos pelo caminho. Não sendo uma cozinha mundialmente conhecida como um todo, a gastronomia belga é composta por iguarias bem conhecidas de todos. Ao chocolate belga, waffles, batatas fritas e mexilhões. E à refeição também não pode faltar a bebida mais emblemática do país: a cerveja. São centenas e centenas de rótulos de cerveja diferentes com o selo de qualidade belga. 

Depois de almoço seguimos até à Basílica do Sangue Sagrado – Basilica of the Holy Blood ou Basiliek van het Heilig Bloed. É especialmente conhecida pela relíquia, muito venerada, que guarda no seu interior: uma cápsula de vidro que contém (supostamente) um pedaço de tecido com gotas do sangue de Jesus Cristo. A Basílica situa-se junto ao edifício da Câmara Municipal e a entrada é feita junto a um canto da praça. A porta da fachada ornamentada dá acesso a uma pequena capela de estilo neogótico simples, mas que impressiona. Já mesmo ali ao lado, o Stadhuis, o edifício da Câmara Municipal também nos transporta para uma Bruges do antigamente. Foi construída em 1376, o que a torna numa das mais antigas da Bélgica.

Esquema para turista ou não, um passeio de barco pelos canais de Bruges é uma excelente forma de ficar a conhecer a cidade pelas suas águas. Afinal, não é por caso que a cidade é frequentemente conhecida como “Veneza do Norte”. O bilhete custa 8 euros por pessoa e basta ver as filas junto aos canais para perceber que há ali saídas de barco. Pelo caminho, o capitão vai contando histórias de Bruges (do seu esplendor ao seu declínio) e chamando a atenção para pormenores e factos insólitos que marcaram Bruges ao longo dos anos. 30 minutos depois, voltamos ao ponto de partida e voltamos ao centro histórico da cidade.

Foi altura de experimentar mais uma especialidade local: as famosas waffles. Pelas ruas de Bruges o que não faltam são lojas dedicadAs a este doce, apresentando-o de todas as formas, feitios e com os mais variados toppings – do chocolate belga (clássico) ao caramelo salgado. Pecado é não experimentar as famosas waffles, ou em bom francês “graufes“, no país que as viu nascer.

Além de visitar os seus pontos mais turísticos, a melhor forma de conhecer Bruges é ir passeando à descoberta pelas ruas da cidade. A rua Rozenhoedkaai é um dos cartões-postal da cidade e um dos seus lugares mais fotografados. Desde as suas ruas e edifícios de ambiente mediaval, ao imponente centro histórico – reconhecido como Património da Humanidade pela UNESCO -, não faltam motivos para justificar o porquê de Bruges ter sido, em 2002, considerada Capital Europeia da Cultura.

De regresso à estação central, passámos pelo interior do jardim Minnewatterpark, onde se localiza o Lago do Amor. Já no comboio, e para nossa surpresa (que achamos que coisas destas só acontecem em Portugal), ficámos a saber que o comboio estava parado na linha há mais de uma hora. Depois de outra meia hora à espera (e de uns locais nos terem traduzido o que era dito nos altifalantes) percebemos que aparentemente o condutor do comboio tinha decidido ir-se embora e estávamos à espera que outro condutor aparecesse para seguir viagem. Como entretanto ia partir um outro comboio com destino a Bruxelas, seguimos viagem em pé num comboio apilhado de gente. Chegámos a Bruxelas já tarde, apenas a tempo de petiscar uns queijos e cerveja belga no hotel.

Dia 2 | Bruxelas e Gent

A manhã de sábado foi passada a conhecer Bruxelas. Saímos do hotel a pé em direção ao Centre Belge de la Bande Dessinée, o Museu de Banda Desenhada. Pelo caminho, fomos explorando um pouco da capital belga.

O hotel ficava a 5 minutos do Parque de Bruxelas (Parc du Bruxelles), o mais parque mais animado da cidade, por isso a passagem diária pelo jardim era habitual. Nos seus extremos opostos encontram-se dois importantes edifícios: o Palais de Bruxelles e o Chambre des Représentants de Belgique. Foi precisamente no sentido deste último que seguimos.

O Museu da Banda Desenhada (CBBD) é um dos pontos de paragem obrigatórios em Bruxelas, até mesmo para quem não é aficionado pela arte dos quadradinhos. A Bélgica é um dos locais de onde são originários os autores de banda desenhada mais famosos do mundo e Bruxelas está repleta de referências dedicadas à BD. O CBBD é um seu exponente máximo, “um verdadeiro templo dedicado à arte de quadrinhos”.

Lá dentro espera-nos uma introdução completa ao mundo (e primórdios) da BD, incluíndo também espaços dedicados a alguns dos mais famosos heróis de banda desenhada e aos seus criadores – do Tintin de Hergé; Smurfs de Peyo; a Spirou de Rob-Vel; e, até, o conterrâneo gaulês Astérix. Além disso, o museu tem também áreas dedicadas a exposições temporárias. São 3 pisos de esboços, desenhos originais, vídeos, posters e artefactos ligados a este mundo.

Catedral Saints-Michel-et-Gudule, que demorou cerca de 300 anos a ser erguida, foi o ponto de paragem que se seguiu. Era conhecida como Igreja de São Miguel até que, em 1047, depositaram no seu interior os restos mortais de Santa Gúdula – foi então que ganhou o nome de São Miguel e Santa Gúdula. Mas foi só mais tarde, em 1961, que ganhou o estatuto de Catedral. À semelhança do exterior, o seu interior é impresisonamte – repleto de objetos religiosos, esculturas e vitrais de grande valor.

Continuamos caminho até ao centro, onde se situa o Grand Place, um dos locais mais emblemáticos da cidade. Situado no coração de Bruxelas, esta preça alberga edifícios góticos, barrocos e neogóticos. Victor Hugo, autor de Les Misérables, considerou-a “a mais bela praça do mundo”. É um excelente ponto de partida para conhecer Bruxelas. 

Por volta da hora de almoço, apanhámos o comboio na Gare Central com destino a Gent, a 30 minutos de Bruxelas. Por ser fim-de-semana, os bilhetes de comboio têm descontos nas bilheteiras.

Gent é também conhecida como “a cidade das três torres”, uma vez que as suas torres principais ((Nicholas Church, Belfry of Gent e St. Bavo’s Cathedral) se situam na mesma linha geográfica. À chegada à estação, apanhámos o elétrico até ao centro, que fica a cerca de 3 km da estação de comboios. O bilhete diário custa 6€, e é uma boa opção para quem pretende fazer mais que uma viagem.

Esta pequena cidade portuária foi, em tempos, uma das mais prósperas da Europa. Hoje, é essencialmente uma cidade universitária. Dos quase 250.000 habitantes, 45.000 são estudantes, fazendo da cidade uma das mais animadas e vibrantes da Europa. As praças e edifícios clássicas e medievais, igrejas centenárias, o imponente castelo e as suas pontes e canais pitorescos são a combinação certa e razação que atrai tantos visitantes a Gent. O plano foi precisamente ir à descoberta de Gent pelas ruas do seu centro histórico.

Atravessámos o rio na ponte St. Michiels para visitar a Sint-Michielsbrug (St Michael’s Church). Voltámos para trás e descemos para Graslei junto à ponte. É também desta ponte que é possível ter o enquadramento único das 3 torres de Gent. Graslei é uma das ruas mais bonitas da cidade de Gent, que acompanha a margem do rio e onde se encontram antigas casas muito bem conservadas. É um excelente local para aproveitar a tarde ou para fazer um passeio ao final do dia. Apesar de estarmos em Outubro, o sol brilhava no céu azul e refletia a imagem das casas nas águas do rio, criando um cenário que parecia saído de um conto de fadas.

Caminhámos junto ao rio até à ponte Grasbrug e seguimos até Korenmarkt, a praça central que outrora foi o mercado de cereais da cidade e hoje é dominada por restaurantes, cafés e esplanadas. A St. Niklaaskerk, a Catedral de S. Nicolas (Saint Nicholas’ Church), um dos primeiros edifícios que chamam a atenção quando chegamos a Gent, foi o ponto seguinte. Além do exterior, a sua arquitetura interior é igualmente impressionante. Sem saber, uma das portas em que entrámos dava acesso a uma enorme sala com um mercado de velharias e artigos em 2ª mão e não propriamente ao interior da catedral. À segunda, lá conseguimos descobrir a entrada certa e visitar o interior da igreja.

Seguimos até ao Campanário de Gent (Belfort of Gent), um dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Subimos até ao topo para ter uma visão global da cidade. A entrada custa 8 euros. É possível fazer a subida pelas escadas ou de elevador, nós optámos por subir de elevador e descer pelas escadas. A torre de 91 metros é composta por diferentes níveis, que incluem uma exposição sobre os carrilhões. Ao chegar ao cimo do campanário, a vista não decepciona, com o sol outonal a refletir por toda a cidade. Bem visível do topo é também outro momento impressionante bem ali ao lado: a Catedral de S. Bavo, que foi para onde fomos depois da descida.

St-Baafskathedraal, conhecida como St. Bavo, é uma catedral gótica que, para além dos elementos arquitetónicos, esculturas centenárias e artefactos religiosos, guarda uma das obras mais importantes da história da pintura. “A Adoração do Cordeiro Místico”, também conhecida como “Retábulo de Gent”, foi a primeira obra a representar o domínio e potencial da técnica da pintura a óleo, em 1432. A pintura de 24 painéis de Huber e Jan van Eyck teve uma historia conturbada: foi levada durante a Revolução Francesa e II Guerra Mundial. A entrada na catedral é livre, mas é cobrada uma pequena taxa para aceder à área onde fica a pintura.

Continuámos caminho com destino ao castelo de Gent, o Gravensteen, mas fomos por ruas alternativas de forma a passar pela Grafitti Street (Werregarenstraat). Na histórica cidade de Gent encontramos uma rua dedicada à arte urbana, onde os graffitis são legais e a criatividade é exposta num estúdio a céu aberto. Parte do projeto “Sorry, not sorry street art”, esta é apenas um exemplo da iniciativa cultural da cidade, que pretende dar a oportunidade a jovens artistas para expressarem e exibirem o seu talento artístico.

Passámos a pequena ponte Vleeshuisbrug sobre o rio Leie, que tem uma vista fabulosa nos dois sentidos e chegámos ao imponente Het Gravensteen. A antiga residência e o Castelo Condes de Flandres é uma das principais atrações da cidade. Como o castelo fechava dali a pouco tempo não visitámos o seu interior. Em vez disso, demos uma volta em torno do castelo, onde é possível ver as paredes largas a erguerem-se junto ao rio.

Quase em cada rua na Bélgica existe uma loja de chocolate belga, com os chocolates expostos na vitrine para aguçar o apetitie. Entre as lojas mais conhecidas e conceituadas estão a Neuhaus, Govida e Leonidas, mas existem muitas outras. Em Gent, existe uma outra especialidade local que há que, pelo menos, provar. Os Cuberdon, também conhecidos por “nariz de Gent”, são uns doces típicos com um recheio gelatinoso. Os mais tradicionais são de framboesa, mas existem agora inúmeros sabores. Estes doces em forma de nariz podem sem encontrados em qualquer barraquinha de rua espalhada pela cidade.

Depois de mais umas voltas pelas ruas de Gent, regressámos à praça central e começámos a procurar um restaurante para jantar. Um local muito referenciado era o Holy Food Market. O edifício que originalmente era uma igreja foi recentemente transformado num mercado com comida do mundo, incluindo a “taberna Lisboa”. Um conceito algo semelhante ao nosso lisboeta Time Out Market, que apenas fomos espreitar. Acabámos por jantar um rodízio de carnes num restaurante que encontrámos a caminho (do restaurante que tinhamos encontrado online), e que deixou muito a desejar, principalmente pelo serviço prestado.

De barriga cheia, era imperativo andar, até porque já tinha caído a noite e muito se fala da beleza de Gent à noite. Se durante o dia Gent parece saída de um conto de fadas, a cidade ganha um encanto ainda mais especial durante a noite. Os edifícios e centro histórico iluminados fazem-nos viajar no tempo e imaginar uma Gent onde as pessoas se deslocavam em carruagens, de monóculo e sombrinha. Recomendo! 

Por volta das 21:00 demos por terminada a visita à pequena cidade de Gent. apanhámos o elétrico de volta à estação de comboios, onde apanhámos o comboio de regresso a Bruxelas.

Dia 3 | Bruxelas e Gent

O domingo foi dedicado a conhecer a capital belga, já que o nosso voo de regresso a Lisboa era apenas ao final da noite.

Do lado sul do Parc du Bruxelles pode encontrar-se o Palácio Real (Palais Royal), sede da monarquia constitucional belga (apesar de não ser residência real desde 1831). O palácio está aberto ao público apenas durante alguns meses (Junho a Setembro), mas conseguimos admirar a sua grandeza do exterior. Umas ruas mais à frente, encontramos o Museu de Instrumentos Musicais (Musée des Instruments de Musique), Museu de Belas-Artes da Bélgica, o (Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique) e o imponente Hotel Ravenstein. Também ali perto, podemos visitar a Igreja Notre Dame du Sablon, uma igreja construída no século XV que chama a atenção pela sua imponência e riqueza de detalhes. Seguimos pelo parque Mont des Arts, onde no final se pode encontrar, mesmo de frente uma para a outra, a estátua do Rei Alberto I e da rainha Isabel – “o rei e a rainha dos belgas”.

Continuamos caminho e, pela multidão, facilmente percebermos que chegámos a outro ícone de Bruxelas: o Manneken Pis, um dos mais conhecidos símbolos belgas. Trata-se de uma (spoiler: pequena) estátua de bronze de um menino a urinar para uma fonte. O menino, habitualmente nu, pode ser visto muitas vezes decorado com roupas comemorativas, e pode ser encontrado sob forma de souvenier de todas as formas e feitios. A estátua que podemos encontrar a minutos do Grand Place é uma réplica, já que a original foi alvo de roubo e vandalismo ao longo dos anos e encontra-se agora guardada no Museu da Cidade de Bruxelas.

Não fosse a estranheza de tal obra, à “familía” juntam-se ainda Jeanneke-Pis e Zinneke-Pis. São, respetivamente, a versão feminina e a versão canina do menino a urinar. Ainda que menos conhecidos que a estátua original (que data de 1619), estas estátuas merecem também uma visita. A menina está localizada perto do famoso Delirium Café, o bar que ficou conhecido pelo record do Guiness – possuia a lista de cervejas mais longa do mundo. As 2.004 variedades diferentes valiam-lhe, em 2014, a distinção. Hoje, a lista é ainda maior e estão perto dos 2.500 rótulos diferentes de cerveja, dizem. A estátua do cão a urinar pode ser encontrada na Rue des Chartreux, não muito longe dali.

Em Bruxelas, a arte urbana é ocupa também um papel importante. Em particular, a BD sai dos quadradinhos dos livros e é possível encontrar pintados nas paredes da cidade alguns dos mais populares personagem de BD belgas. Uma forma diferente e muito interessante de explorar a cidade é seguir o seu roteiro artístico de arte urbana, ou ir descobrindo as obras escondidas a cada esquina.

Quando iamos para o restaurante (que tinhamos encontrado pelo caminho, durante a manhã, e que tinha boa pinta) passámos pelo Halles Saint-Géry e decidimos espreitar. O espaço estava a abarrotar de pessoas e rapidamente percebemos porquê: é ali que se realiza mensalmente o Brussels Vintage Market. O mercado acontece no primeiro domingo de cada mês e, além da venda de roupa vintage e roupa em segunda mão, é possível encontrar também peças e acessórios de designers independentes. No meio da confusão, ainda consegui encontrar um blusão da Levi’s em óptimo estado a um preço muito simpático. Dica: ir preparado com dinheiro, pois as filas de multibanco nas redondezas são longas e demoradas. As galerias Saint-Géry localizam-se num antigo mercado que foi recuperado e reabilitado e que funciona hoje como centro de exposições, restaurante, café-bar e centro para outros eventos culturais, tudo com um aspecto cool e diferente. Fun fact: o edíficio marca o “quilometro zero” belga – o ponto a partir do qual todas as distâncias na Bélgica são medidas.

O almoço foi no Les Fondus de la Raclette – Bruxells, um restaurante com ambiente e comida típica da região de Savoy, nos Alpes franceses. Apesar de não ser uma refeição tipicamente belga, foi uma excelente escolha já que a comida era excelente. Pedimos os clássicos: tartiflette, fondue e raclette.

Depois de almoço, voltámos às Galeries St-Hubert, um dos espaços mais luxuosos e elegantes – e caros – para fazer compras em Bruxelas. Inauguradas em 1847, foram as primeiras galerias da Europa, e são hoje casa de uma variedade de lojas de roupa e chocolates de luxo. O telhado de vidro ababobado das três secções das Galeries (Galerie du Roi, Galerie de la Reine e Galerie des Princes) embelezam a cena. Dentro das galerias, visitámos a Neuhaus, a conhecida marca de chocolates de luxo belga, e comprámos chocolates para levar para casa. Esta chocolatier foi fundada pelo suiço com o mesmo nome, que em 1857 emigrou para a Bélgica e abriu a sua primeira loja precisamente ali, nas Galeries St-Hubert. No seu interior, além de uma enorme quantidade e variedade de chocolates divinais, é possível apreciar um busto do fundador, totalmente feito em chocolate.

Seguimos até ao Atomium (metro de Heysel), a norte de Bruxelas, um icone da cidade. Este monumento diferencia-se pela sua forma arquitetónica fora do comum: um edifício construído em forma de um átomo gigante com 102 metros de altura. Construído no âmbito da Explo 58, o Atomium representa um cristal elementar de ferro, ampliado 165 milhões de vezes à sua dimensão real. As suas 9 esferas de ferro com cerca 18 metros de diâmetro estão ligadas entre si através de tubos com um comprimento de 35 metros. No seu interior podem encontrar-se exposições, mas como tinhamos lido muitas reviews a referir que não valia a pena a entrada (e não tinhamos muito tempo), fizemos a visita apenas por fora. Mesmo ao lado, existe a Mini Europe, uma espécie de versão europeia do “Portugal dos Pequenitos” . Como o tempo já não era muito, não visitámos o interior do parque e seguimos, em vez disso, de metro até a estação Schuman, para conhecer a zona do Parlamento Europeu e o Parque Cinquentenário.

O Parc Cinquantenaire (Jubelpark) foi construído em 1880 para comemorar o 50º aniversário da independência da Bélgica. No centro, encontra-se um magnífico arco triunfal de 40 metros de altura com uma carrugagem no topo, inspirado no Arco do Triunfo de Paris. As alas do Palácio abrigam hoje alguns dos melhores museus da cidade – começando pelo Museu Cinquentenário (Musée Cinquantenaire, também conhecido por Art & History Museum), Museu de História Militar (Musée de l’Armer) e o Autoworld. Não é tão movimentado como o Parc de Bruxells, mas devido à sua proximidade com os edifícios da União Europeia é um lugar muito procurado nas horas de almoço.

Ao final do dia, regressámos ao hotel para ir buscar as malas e seguimos de autocarro até ao aeroporto de Bruxelas. Como estávamos a viajar na Ryanair, e não tinhamos mala de porão, fizemos umas últimas compras no aeroporto – cerveja e chocolate belga, claro!

De facto, Bruxelas é muito mais do que a cidade política da Europa. Bruxelas é uma cidade multicultural, moderna e cheia de história e simbolismo. Não menos interessantes, são as cidades de Bruges e Gent, com o seu ambiente medieval muito bem preservado. Uma visita de 3 ou 4 dias é o suficiente para visitar a capital belga e ainda ficar a conhecer um pouco mais da Bélgica pelas suas cidades de Gent e Bruges. Com mais 1 ou 2 dias é possível também visitar Antuérpia e explorar Bruxelas com mais algum detalhe. Ainda assim, os 3 dias deram perfeitamente para fazer o roteiro sem andar a correr de um lado para o outro.


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