Crónicas em Viagem

Dia 21 | De Bangkok a Bangkok, e o regresso a casa

O nosso voo sai de Siem Reap antes da hora prevista e por isso chega ao segundo maior aeroporto de Bangkok, o Don Muaeng, mais cedo. Uma hora depois, depois de termos passado a fronteira e recolhido as malas, apanhamos um táxi para o hotel. Como era tarde, optamos por ficar num hotel ali perto, apenas pela conveniência. No dia seguinte, o nosso voo para Lisboa sai do outro aeroporto, o Suvarnabhumi, o principal aeroporto de Bangkok, e temos que atravessar a cidade para trocar de aeroporto.

Tinhamos lido que existia um transfer gratuito entre aeroportos (que confirmamos nas informações do aeroporto e no hotel) e pedimos que o shuttle do hotel nos levasse novamente ao aeroporto Don Muaeng – por um preço irrisório quando comparado com o taxi, que nem tinha sido caro. Uma vez em Don Muaeng, apanhámos o tal transfer que nos leva até Suvarnabhumi.

O transfer fica na porta 6 das chegadas internacionais e basta mostrar a confirmação de que temos voo no outro aeroporto para nos carimbarem a mão e nos deixarem entrar no autocarro, que faz o trajecto várias vezes por dia em horários estabelecidos. O transfer funciona também em sentido contrário e demora cerca de 1 hora. Contudo, existe um alerta de que, em horas de pico de trânsito, pode demorar entre 1,5 a 2 horas, por isso é preciso ter atenção. Este transfer é uma excelente opção para quem precisa de trocar de aeroportos em Bangkok. Principalmente tendo em conta que o Don Muaeng é hub de companhias lowcostcomo a AirAsia, e saem de lá muito voos para diferentes países asiáticos.

Uma hora depois estamos no aeroporto, despachamos as malas (trazia pelo menos uns 10 kg a mais, vá lá saber-se porquê…) e preparamo-nos para as 17 horas de viagem que ainda temos pela frente até casa, com uma breve paragem em Amesterdão. A viagem até Amesterdão foi bem tranquila, à excepção de um senhor ao nosso lado que estava perdido de bebedo e deu espectáculo o voo inteiro. Até a coisa ficar séria, ainda deu para nos rirmos um bocado.

Termina assim a viagem à descoberta da antiga Indochina, exactamente no local onde começou: Bangkok. Foram 21 dias, 4 países, 11 destinos diferentes. Entre voos (10!), viagens de autocarro – de dia e de noite -, mini vans e viagens de comboio, percorremos milhares e milhares de quilómetros de norte a sul destes países incríveis. Sem dúvida, a viagem de uma vida. É difícil escolher um país ou cidade de eleição. Cada um deles guarda memórias e encantos inesquecíveis.

A tranquilidade e autênticidade do Laos, um país ainda tão pouco explorado mas com tanto para oferecer. A mistura perfeita marcada pelos vestígios coloniais franceses e a cultura e tradição budista em Vientiane, a mais relaxada capital asiática. Os rituais ancestrais praticados todos os dias ao amanhecer pelos monges em Luang Prabang, os templos dentro de grutas no topo de montanhas no meio do rio e as indiscrítiveis quedas de água de Kuang Si, a mãe-natureza no seu esplendor.

Os contrastes do Vietname, ora caótico, ruidoso e alucinante na sua capital Hanói, ora colorido, sereno e de paisagens incríveis pelas suas vilas, arrozais, campos e cidades de norte a sul. A majestosa baía de Halong, o postal do Vietname; a cidade imperial perdida de Hué; Hoi An, a encantandora e pitoresca Hoi An, a antiga cidade mercantil que é um museu a céu aberto; e Ho Chi Minh, agitada e evoluída, e que guarda vestígios de uma guerra sangrenta – a Guerra do Vietname. E a comida vietnamita, delíciosa e cheia de sabores frescos e surpreendentes.

Os templos milenares do Camboja onde as árvores crescem em cima das pedras e se perdem entre centenas de quilómetros no meio da selva, e que marcam o período mais brilhante da história do país. Em contraponto, a sua capital Phnom Penh, que guarda histórias horríficas de um passado bem recente, para que o Mundo nunca se esqueça do que ali aconteceu. Para que nunca volte a acontecer. E, acima de tudo isso, a simpatia e bondade que não se esgota de um povo com um sorriso constante no rosto e que anseia pelo futuro que tem pela frente.

E claro, o impressionante e poderoso Mekong, o rio que atravessa estes 3 países e que é fonte de subsistência de milhões de pessoas. Na realidade, o Mekong é ainda maior do que aquilo que conseguimos ver. Nasce no Tibete, percorre a China, o Myanmar, a Tailândia, o Laos, o Camboja e o Vietname, para, no fim, desaguar no Oceano Pacífico.

Cada lugar por onde passámos deixou memórias inesquecíveis. Tirando o episódio de Halong Bay (quando rasguei a perna num coral) a viagem correu na perfeição. A cicatriz que deixou, fica como recordação física da aventura que foram estas 3 semanas a percorrer 3 países incríveis. As outras marcas (as que não se conseguem ver), ficarão para sempre guardadas em nós. Um lugar comum, bem sei, mas viajar deixa-nos assim 🙂

No regresso a casa, com o passaporte cheio de carimbos, a questão que se coloca é sempre a mesma: para onde ir a seguir?

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