Diário de Bordo

Dia 18, 19 e 20 | Siem Reap, e a cidade perdida de Angkor Wat

Desde a ida para a Ho Chi Minh que temos tido azar com os voos, que saem sempre atrasados. Desta vez, quando chegamos ao aeroporto de Phnom Penh, 2 horas antes, o check-in ainda não tinha aberto e tinham sido cancelados pelo menos 3 voos depois do nosso. Começamos a recear o pior, mas uma meia hora depois lá abre o nosso check-in. Temos optado por viajar de avião nestas últimas paragens porque as viagens de autocarro ou comboio são muito longas (entre 8 a 12 horas). Apesar de ficar um pouco mais caro (entre 20 a 30 euros), conseguimos aproveitar melhor o tempo já que os voos são de 45 minutos. Ainda estamos a tirar o cinto, e já estão a dizer que nos estamos a preparar para aterrar.

A chegada a Siem Reap foi tranquila, o terminal doméstico é minúsculo e o nosso voo era o único que ali tinha chegado. Iamos apanhar um Grab, mas não há motoristas naquela zona, pelo que para desenrascar tivemos que apanhar um carro privado. 10 dólares para fazer meia dúzia de quilómetros, mas era a única opção naquele momento. Pelo caminho, o motorista (muito simpático) começa a fazer conversa e a dizer que se queremos visitar os templos de Angkor, ele nos pode levar lá no dia seguinte. Como íamos ficar em Siem Reap 3 noites, começa também a fazer todo um roteiro para a nossa estadia. Combinamos que nos levaria apenas a visitar os templos, começando ainda de madrugada para não perdermos o nascer do sol em Angkor Wat.

Como a viagem está a terminar, marcamos um resort à maneira para aproveitar para descansar nos últimos dia antes do regresso a casa. À chegada, toda a simpatia do mundo e disponibilidade para nos ajudar. Deixamos as malas no quarto e saimos pouco depois para jantar num restaurante recomendado por um dos funcionários do hotel.

No Chanrey Tree Restaurant experimentamos diferentes pratos típicos da cozinha Khmer: para entrada, Crispy prawns and calamari e Crispy sticky rice with “natang” sauce; e, para pratos principais, Beef Lok Lak e Fish amok. À semelhança da comida vietnamita, a cozinha cambojana é muito rica em sabores e à base de legumes, vegetais e especiarias frescas. Para quem procura sabores mais extravagantes (não é o caso!), a comida de rua apresenta opções mais exóticas como aranhas, baratas e rãs fritas, ou o Balut, um ovo de pato fecundado cozido e com o embrião parcialmente desenvolvido (ergh…). Como tinha começado a chover torrencialmente, abandonamos o plano de ir ao Night Market e regressamos ao hotel de tuk-tuk – de capota, a fazer lembrar as charretes do tempo dos reis.

Às 4:00 da manhã do dia seguinte estamos a pé (e a dormir em pé) e preparamo-nos para ir visitar Angkor Wat e os restantes templos. O nosso motorista, o Sa Mang, chega pouco depois e leva-nos até às bilheteira, a 10 minutos dali. A entrada para visitar Angkor é bastante cara, principalmente tendo em conta a realidade local. O bilhete de 1 dia custa 37 dólares. Há também a possibilidade de comprar bilhetes de 3 e 7 dias por 62 e 72 dólares, respetivamente. Na bilheteira, onde tudo está organizado ao pormenor, perguntam-nos de onde somos e pedem-nos para olhar para uma câmara. 2 minutos depois, o bilhete com a nossa fotografia está impresso e seguimos viagem até Angkor Wat, o maior e mais bem conservado templo dos que integram o complexo de templos de Angkor.

Apressamo-nos para não perder a (prometida) vista esplêndida do nascer do sol sobre Angkor Wat. Como nós, centenas de turistas (e chineses, chineses, everywhere) esperam o mesmo.5:20. 5:30. 5:40. 5:50… E nada de nascer do sol. Ora que aceitamos que o sol decidiu não aparecer naquele dia e seguimos para dentro do templo. Apesar de não ter sido um momento incrível e mágico como esperávamos, não deixou de ser agradável ver o dia nascer no meio da selva que rodeia o milenar templo de Angkor Wat, onde impera o silêncio e calma. Até porque o melhor de Angkor Wat está mesmo no seu interior.

Passamos as 2 horas seguintes a explorar Angkor Wat e os seus ínfimos detalhes. Não há dúvida que é um templo incrível, não só pela sua dimensão, mas também por cada pormenor que guarda. Inicialmente construído como um templo hindu dedicado a Shiva, só mais tarde veio a tornar-se num templo budista. Foi em tempos o templo central do rei Suryavarman II, que o mandou erguer, e a capital do seu reino. Considerado a maior estrutura religiosa e um dos tesouros arqueológicos mais importantes do mundo, Angkor Wat é o símbolo máximo do Camboja. Em 1992, todo o Complexo Arqueológico de Angkor foi declarado pela UNESCO Património da Humanidade. Hoje, é a principal atração turística do Camboja, e não é nada difícil perceber porquê.

Saímos de Angkor Wat, que em toda a sua volta tem um lago que protegia o templo dos templos, e sentamo-nos num restaurante em frente a tomar o pequeno-almoço (que tinha sido preparado no hotel), antes de continuar a visitar os restantes templos.

Segue-se Bayon, na minha opinião, o mais bonito de todos os templos. Apesar da imponência e inegável beleza de Angkor Wat, o templo de Bayon e as suas centenas de caras são impressionantes. Foi em tempos o principal templo da antiga cidade Khmer de Angkor Thom, onde nós situamos agora, e representa a intersecção entre o céu e a terra. Todas as 51 torres que o compõem têm esculpidas 4 faces com as várias expressões de Buda. De um dos lados, o rosto mais sorridente dizem ser a réplica mais fiel do rosto do rei, conhecido também como a Mona Lisa do Sudoeste Asiático. Ali perto, visitamos ainda outros templos perdidos no meio da selva, como o Baphuon, e encontramo-nos com o motorista junto do Terrace of the Elephants.

A viagem continua, com paragens em templos mais pequenos, antes de pararmos em Ta Phrom, mundialmente conhecido como o templo do Tomb Rider. Foi aqui que, em 2001, Angelina Jolie deu vida a Lara Croft no filme Lara Croft: Tomb Rider. Apesar de ser muito procurado pela sua faceta cinematográfixa, Ta Phrom é um dos mais intrigante templos de Angkor. Este templo tem a particularidade de ter sido deixado no mesmo estado em que foi encontrado: envolto na selva e com árvores gigantes que crescem por entre as ruínas e cujas raízes tornam o cenário épico.

7 horas depois de termos começado a nossa visita pelo Complexo Arqueológico de Angkor, damos por terminada a nossa viagem e regressamos ao hotel, onde passamos o resto da tarde. Nós fizemos o Circuito Pequeno, recomendado para 1 dia de visita, que passa pelos seguintes templos: Angkor Wat; Ta Prohm Kel; Phnom Bakheng; Angkor Thom; Bayon Thommanon; Ta Keo, Ta Prohm e Banteay Kdei. Como não houve sol naquele dia, não regressámos a Angkor Wat para o ver a pôr-se por entre a selva que o rodeia. Iamos sair para jantar, mas como está novamente a chover a potes acabamos por pedir room service e ficar no hotel.

O dia seguinte foi passado a deambular por Siem Reap que, como nos tinham avisado, não tem nada para ver. Passamos pelo Palácio Real e seu Jardim Real, visitamos uma antiga igreja católica pouco convencional, e acabamos no Old Market, um mercado no centro de Siem Reap, onde podemos comprar de tudo. “Lady, buy something”, “lady, what do you want? T-shirt? Pants? Souvenirs?”, são as frases mais ouvidas. Sentamo-nos no Café Central para refrescar e beber uma bebida fresca, onde acabamos depois por almoçar antes de regressar ao hotel. Acabamos o resto da tarde na piscina a (tentar) apanhar algum sol, já que este teima em aparecer aqui em Siem Reap. Parece que a época da chuvas chegou finalmente. Compramos também o nosso voo de regresso a Bangkok, onde fazeremos escala de regresso a Lisboa.

Saímos para jantar, mais uma vez, num restaurante um pouco diferente. O Haven, é um restaurante que faz parte de um projeto social que oferece ajuda a jovens desfavorecidos. Além de servir como centro de treino na indústria da restauração e hoteleira, funciona também como apoio na transição entre uma instituição e uma vida independente. Durante o período de treino, é oferecido alojamento, alimentação, tratamento médico e aulas (de inglês, informática e, “life lessons”) aos jovens e, as gorjetas que ganham são colocadas numa conta, à qual têm acesso apenas no final do curso. O conceito surgiu depois de um casal de suiços ter abandonado o seu país-natal e viajado pelo mundo durante 2 anos, trabalhando em instituições e orfanatos. Foi em Siem Reap que encontrar o seu lugar no mundo e criaram o Haven, um “refúgio” que ajuda jovens cambojanos a construírem um futuro melhor. O espaço é muito engraçado (apesar de para lá chegar, passarmos por uma rua sem luz), muito calmo e longe da confusão. O menu é composto por pratos tradicionais da cozinha Khmer, e também algumas fusões feitas pelo Chef e pratos suiços. Nós experimentámos o Khmer Curry e o Khmer Amok, ambos deliciosos e muito bem confecionados. A refeição ficou por 23 (nota que (à data) o restaurante só aceita pagamentos em dinheiro). No final da refeição, apanhamos um tuk tuk até a Pub Street, o centro dos backpackers de Siem Reap, e visitamos o Night Market, onde fazemos mais algumas compras.

No dia seguinte, acordamos mais tarde e ficamos na piscina do hotel até a hora do check-out, altura em que apanhamos um tuk tuk para o centro de Siem Reap. A viagem normalmente custa 2 dólares (negociados), mas através do Grab fica sempre uns 20 ou 30 cêntimos mais barato. Pagamos na moeda local e assim livramo-nos das notas pequenas de Riel. Apesar do dólar ser aceite em todo o lado e os preços estarem todos em dólar, o Riel é a moeda oficial do Camboja e o troco de valor pequenos é dado nesta moeda, pois não utilizam moedas de dólar.

O nosso voo é só no final do dia e por isso damos mais umas voltas pelos mercados no centro de Siem Reap e fazemos as últimas compras antes do regresso a casa. Tinhamos ouvido falar sobre o BBQ cambojano e decidimos ir experimentar, num restaurante na Pub Street – Easy Speaking Restaurant. Trata-se de uma espécie de fondue/carvoada, onde se grelha carne de diferentes animais. Escolhemos a opção com 6 tipos de carne (podem ser 12 e, para os mais aventureiros, é possível experimentar carne de cobra, pernas de rã ou canguru), que é acompanhada com vegetais, noodles e sticky rice. É trazida para a mesa uma panela de metal que no centro é um grelhador de carne e em redor é colocado um caldo para cozinhar os legumes e os noodles. A meio do almoço, começa a ficar escuro e literalmente 1 minuto depois começa a chover a potes. 10 minutos depois, e depois de ver a correria dos empregados dos restaurantes ali perto a tirar tudo da chuva, a Pub Street está alagada e quem lá passa tem água, pelo menos, pelo tornezelo. Acabamos por ficar no restaurante até a tempestade passar, o que aconteceu uma hora depois, e seguimos de volta para o hotel. Passamos o resto da tarde na piscina e perto das 19:00 seguimos para o aeroporto, pois temos voo para Bangkok dali a 2 horas.