Diário de Bordo

Dia 11, 12 e 13 | Hoi An, a charmosa cidade das lanternas

Ainda em Hue, pouco depois das 8:00 e já de pequeno-almoço tomado e check-out feito, aparece a mini-van para nos ir buscar. Depois de ir apanhar mais uns quantos turistas, o guia apresenta-se: é o Tan (suponho que se escreva assim), um energético vietnamita com um riso contagiante. Este vietnamita de 34 anos originário de Hue, como orgulhosamente fez questão de referir, é o guia que nos vai acompanhar na nossa viagem até Hoi An.

Percebemos logo que não se ia tratar de um simples serviço de transporte. O Tan era o que se pode chamar “uma personagem”, num óptimo sentido. Super bem-disposto e engraçado, estava sempre a fazer piadas e a rir-se à gargalhada. Estava todo contente porque era do Real Madrid  e na noite anterior tinha ficado a ver o jogo do final da Liga dos Campões. Fartou-se inclusive de gozar com uma inglesa, que estava entre os passageiros, e que era fã do Liverpool. Claro que quando dissemos que eramos de Portugal disse logo que adorava o Cristiano Ronaldo.

Entretanto, explica-nos ao detalhe o nosso programa: vamos parar numa pequena vila a 7 km de Hue, onde podemos visitar uma das 2 pontes japonesas mais emblemáticas do Vietname (a outra é em Hoi An) – a Thanh Toan (The Japanese Bridge) – e o mercado local. De seguida, cerca de 1 hora depois de termos iniciado viagem, passamos por um dos maiores lagos do Vietname e paramos na praia de Lang Co Beach, onde podemos apenas molhar os pés antes de voltar para a van. Uma hora depois, voltamos a fazer nova paragem no topo de uma montanha para ver vestígios da passagem dos franceses e chineses pelo Vietname, com o horizonte a perder de vista.

Fazemos ainda uma paragem técnica para o Tan ir comprar Banh Mi para todos, cortesia da casa. Este é um dos pratos típicos do Vietname, que não é mais do que uma baguette recheada com carnes, vegetais, molhos e especiarias, numa fusão de sabores entre a comida vietnamita e francesa. Antes de chegar a Hoi An, fazemos uma nova paragem para visitar uma das 5 montanhas que constituem as Marble Mountains (Ngu Hanh Son), perto de Da Nang. Estas montanhas tem o nome dos 5 elementos da Natureza: Thuy Son (Água), Moc Son (Madeira), Hoa Son (Fogo), Kim Son (Ouro) e Tho Son (Terra). Subimos ao topo apenas da primeira, a da Montanha da Água, onde se situam alguns templos, grutas e é possível ver toda a costa e a cidade de Da Nang. A subida foi feita de elevador, mas a descida foi feita pelas centenas de degraus que abrem caminho pela encosta acentuada desta montanha. Segundo o Tan, o Banh Mi tinha-nos dado força para tal feito.

Ao entrar em Hoi An, é hora de nos despedirmos do Tan.  O nosso hotel (Hoi An Emerald Waters Hotel & Spa) é logo a segunda paragem, que fica a cerca de 2 km do centro da cidade, numa zona mais calma. A tour entre Hue e Hoi An foi uma óptima opção e uma grande surpresa. Já que paramos em alguns pontos de interesse pelo caminho e ficamos a conhecer melhor a história de cada um deles.

Depois do check-in, ficamos a descansar um pouco e saímos de bicicleta ao final do dia para o centro. Assim que entramos no centro de Hoi An deparamo-nos com ruas cortadas e centenas e centenas de motas a circular. Percebemos de imediato porque: ao final do dia, algumas das principais ruas do centro da Old Town fecham para que se possa circular livremente entre as centenas de pequenas (e não tão pequenas) lojas que ali existem.

Deixámos as bicicletas estacionadas num “parque de estacionamento”, que custa 5.000 dongs (não chega a ser 20 cêntimos) e vamos comprar o bilhete de entrada na Old Town, que custa 150.000 dongs. Segundo consta, é obrigatório comprar este bilhete para entrar na Old Town, mas em momento nenhum nos foi pedido para o mostrar. Ainda assim, o bilhete é necessário porque permite visitar 5 dos mais de 20 pontos de interesse da Cidade Antiga, bastando mostrá-lo à entrada de cada templo ou antiga casa, e ajuda na preservação deste centro cultural a céu aberto.

Tínhamos lido que Hoi An era o local ideal para fazer um curso de comida vietnamita e, por isso, marcamos uma cooking class para dali a 2 dias. Enquanto fazíamos a pesquisa, encontrámos um restaurante muito engraçado. Foi assim que descobrimos o império gastronómico (Taste Vietnam) da Ms. Vy. Além do restaurante onde vai ser dada a aula (Vy’s Market Restaurant & Cooking School), existem ainda 10 outros restaurantes, alguns deles fora do Vietname. O primeiro restaurante, o Mermaid, abriu há 20 anos atrás com o objetivo de dar a conhecer a cozinha tradicional vietnamita, guardando as essências do mercado, da comida de rua e dos sabores caseiros. O conceito pegou e foi crescendo a olhos vistos.

Foi precisamente num desses restaurantes que fomos jantar, no Morning Glory Original. Foi fácil perceber o porque do sucesso: excelente comida, com produtos frescos e bem confecionados, numa mistura de sabores tipicamente vietnamitas que nos transportam para a verdadeira cultura gastronómica deste país. Depois do jantar, seguimos até ao Night Market, como não podia faltar, que se localizado junto ao rio, do outro lado da ponte.

No dia seguinte, vamos novamente de bicicleta até ao centro de Hoi An e, quando estávamos a estacionar, uma rapariga mete conversa comigo. Pergunta de onde sou, de onde vim, para onde vou (conversa típica por estes lados) , até que chega ao ponto da questão. Pergunta-me se sabia que Hoi An é muito conhecida por ser possível fazer roupa e acessórios à medida – por acaso, sabia – e se não queria ir ver a loja da família dela. Lá aceitamos, apenas numa de matar a curiosidade, e a seguimo-la até entrar numa loja com pelo menos uma dúzia de mulheres vietnamitas prontas para nos tirar as medidas. Mostram-nos catálogos com fotografias de fatos, vestidos, macacões – tudo e mais alguma coisa, de marcas internacionais, das mais baratas às mais caras – e dizem que é só escolhermos o tecido e o modelo e temos tudo pronto ainda naquele dia ou no dia seguinte. Ora que a curiosidade se desfez e saímos de lá com as medidas tiradas e 4 peças de roupa compradas, que estariam prontas a meio da tarde para fazer a primeira prova, ajustes finais e para serem entregues ao final do dia. Eu mandei fazer uma camisa e um kimono, projectados com uns modelos de umas fotografias que mostrei à nossa costureira (a An), a um preço irrosório tendo em conta que foram feitos exclusivamente para mim.

Seguimos então caminho, depois de passadas umas 2 horas dentro da loja, para explorar a pé a zona antiga de Hoi An. A Old Town está cheia de pequenas e antigas casas de mercadores, templos, museus, casas de arquitetura colonial francesa e, claro, lojas e restaurantes. Utilizámos o nosso bilhete para visitar 4 dos monumentos: The Old House of Phung Hung, The Old House of Quan Thang, Quang Trieu Assembly Halls e Quang Dong Assembly Hall. Seguimos até à emblemática ponte japonesa (Japanese Covered Bridge), construída no século XVIII para ligar os bairros chinês e japonês da cidade. Entre passeios e paragens para comprar uma coisa ou outra, já no lado oposto da cidade, fomos ao Central Market e parámos para almoçar no Green Mango. Entre compras de pequenos souvenirs, faço aquela que deve ter sido a minha melhor compra de toda a viagem – uma mala de pele de búfalo (eu sei, eu sei… sinto alguns remorsos, confesso) feita à mão e de óptima qualidade. O preço? Cerca de 78 €.

Perto da hora combinada, voltamos até a alfaiataria para fazer a primeira prova da nossa roupa, onde acabamos de voltar uma hora depois para ir buscar tudo já pronto. Enquanto esperávamos, sentámo-nos num dos muitos cafés que existem por ali para com comer um gelado e aproveitar o descontraído final de dia em Hoi An. Já de noite regressamos ao hotel, que era só o melhor hotel onde já tínhamos ficado, e deparamo-nos com pequenas baratinhas a passear pela casa de banho e pelo quarto. Mesmo sabendo que é normal acontecer na Ásia, ninguém merece… Fomos de imediato à recepção perguntar se podíamos mudar de quarto. Depois de muitos pedidos de desculpas, lá nos trocaram para um quarto no piso de cima.

A manhã seguinte começou cedo. Às 8:15 já estávamos à porta do Vy’s Market Restaurant & Cooking School, onde íamos ter a nossa cooking class. A aula começou com uma ida de barco ao mercado central para comprar alguns produtos. A visita foi acompanhada com uma explicação dos produtos típicos que são utilizados na confeção dos pratos mais tradicionais da cozinha vietnamita, passando desde os legumes e fruta, à carne e peixe e noodles. De regresso ao barco, embalada pelo que os guias estavam a fazer, fui comprar sumo de cana de açúcar (que já não bebia desde a minha viagem pela Malásia) – para quem nunca experimentou, que experimente! É delicioso.

De volta ao restaurante, servem-nos uma bebida fresca enquanto fazemos uma pausa para descansar e começamos o roteiro gastronómico pelas diferentes bancas que compõe o espaço, acompanhada por uma degustação de alguns pratos mais característicos como o White Rose, Banh Xeo e Bahn Mi. Aprendemos ainda como se fazem os famosos noodles de arroz, desde a preparação ao corte da massa. Terminado o passeio de degustação, subimos para a cozinha e começamos a aula. Além de podermos ver e aprender como se fazem os 4 pratos que compunham o menu daquele dia, pomos também mãos à obra para confecionar a nossa própria refeição. Uma experiência única e muito completa. No final, temos ainda direito a um utensilio de cozinha vietnamita para levar para casa: uma espécie de faca/ descascador, característica do país. Além dos restaurantes, a Ms. Vy tem também um livro de receitas vietnamitas publicado, que compro com desconto no final da sessão.

Depois da magnífica aula de cozinha, demos um último passeio de bicicleta por Hoi An e seguimos caminho para fora da cidade, em direção à praia de An Bang. O caminho por entre os campos de arroz e pequenas vilas na beira da estrada vale totalmente a pena. Situada a cerca de 7 km do centro de Hoi An, esta praia de areal branco e águas azuis cristalinas é o local ideal para descontrair um pouco. Por causa do corte enorme que tenho na perna, os banhos de água salgada ficam para uma próxima e ficamos apenas na areia a relaxar. No caminho de regresso para o hotel, paramos ainda num dos campos de arroz, para tirar umas fotografias e fazer o drone levar voo por entre os arrozais e búfalos que por lá passeiam.

Como no dia seguinte voamos bem cedo para o nosso próximo destino – Ho Chi Minh -, decidimos ficar num hotel mais perto do aeroporto, em Da Nang. Ao final da tarde, e depois de aproveitar o sol e a piscina do hotel em Hoi An, vamos de táxi até ao nosso hostel (Fedora Hostel) em Da Nang. Saímos apenas para jantar, naquela que foi a nossa primeira refeição ocidental das últimas 2 semanas. Escolhemos um restaurante italiano (Limoncello Restaurant) não muito longe do hostel e partilhamos um risotto de cogumelos e trufas e uma pizza, que nos soube pela vida. No final, cortesia da casa, um shot de limoncello para a despedida.

Às 5:00 do dia seguinte, chamamos um Grab (uma companhia que pertence à Uber e que opera no Sudoeste Asiático) e vamos até ao aeroporto pois temos voo às 7:00 para o nosso último destino no Vietname: Ho Chi Minh City.