Diário de Bordo

Dia 10 | Hue, a antiga cidade imperial perdida

À medida que o comboio andava, já depois das 20:00, Hánoi ia ficando para trás. Ir de comboio até Hué foi a melhor opção que podíamos ter tomado. Os cerca de 700 km que separam as duas cidades demoram cerca de 14 horas a ser percorridos. Ao contrário do sleeping bus em que viajámos entre Vientiane e Luang Prabang (no Laos), o comboio é bastante confortável.

Existem diferentes tipos de bilhetes, que diferem no conforto, amenidades e, claro, no preço. Como já não havia grande disponibilidade, escolhemos viajar no Livitrans Express, considerado um dos mais luxuosos comboios no Vietname. O nosso bilhete era VIP class, ou seja, temos direito uma cama individual (para cada) num compartimento com 2 beliches. As camas tem lençóis, almofada e edredon (lavados), ar condicionado, snacks, bebidas, electrecidade (e até entradas USB). O preço foram 65 dólares por pessoa. É possível comprar comida num carrinho que vai passando, mas a melhor opção é mesmo levar comida para a viagem.

Chegámos a Hue por volta das 10:00, depois da hora prevista, e à entrada da estação de comboios esperam-nos centenas de taxistas, prontos para se aproveitarem dos turistas recém-chegados. Como não nos lembramos de pedir para ligar o taxímetro, quando chegámos ao hotel pediu-nos 100.000 dongs – um roubo! Demos-lhe 50.000 e seguimos em frente para o hotel.

Depois de feito o check-in no hotel (Beaulieu Boutique Hotel), pegamos em 2 bicicletas (que são gratuitas) e saímos para conhecer Hué. O nosso destino: a Cidade Imperial. Pelo caminho vamos parando em alguns pontos para tirar fotografias e, depois de passarmos por uma das pontes que atravessa o rio Perfume, deixamos as bicicletas num parque de estacionamento, que custa 10.000 dongs. Ao longe já é possível ver as paredes majestosas com mais de 8 metros de altura, que cercam a Cidade Imperial. Seguimos até uma das entradas e compramos o bilhete, que tem um custo de 150.000 dongs.

A Cidade Imperial de Hue, também conhecida como Cidade Proibida, é uma fortaleza situada naquela que foi em tempos a capital do Império. Classificada pela UNESO como Património da Humanidade desde 1993, é uma a principal atração da cidade. Inspirada na Cidade Proibida de Pequim, esta Cidade Imperial inclui vários palácios, amplas salas, templos, pátios e jardins. Apesar de ter sido em grande parte destruída pela Guerra do Vietname, vários edifícios foram restaurados e preservados, mas há alguns pontos que parecem estar ao abandono. As cores vivas das paredes e dos objetos dos edifícios saltam à vista pelo do vermelho e dourado. Em complemento, os desenhos e gravuras de dragões e outras criaturas míticas, e a decoração talhada ao pormenor, remetem para o imaginário do luxo e abundância que este complexo representava. Hue foi não só antiga capital do país, mas também sede da dinastia Ngyyen  até 1945, altura em que o último Imperador do Vietname, Bao Dao, abdicou do poder em favor de um governo comunista. O complexo é enorme e o calor não ajuda, pelo que o melhor é visitá-lo logo às primeiras horas da manhã ou ao final da tarde. Nós passámos lá cerca de 3 horas, exatamente no pico do sol…

Já perto das 15:00, saímos por uma das outras entradas e vamos até ao Hanh Restaurant para almoçar, um restaurante local com muita procura e comida muito boa. Como estava um calor impossível (a sensação térmica era de 45º), decidimos ir para o hotel e sair mais perto do final do dia para continuar o nosso passeio. Claro está que já não havia quem nos tirasse do fresco do ar condicionado do hotel, por isso já só saímos à hora de jantar.

Tínhamos visto um restaurante que estava entre os mais recomendados de Hue e decidimos ir experimentar. Quando lá chegámos, depois de um beco escuro, percebemos que estava fechado para remodelações (começa a ser hábito nesta viagem). Como tinha uma placa à porta a dizer para irmos ao Nook Cafe & Bar, seguimos a recomendação e fomos lá jantar. É engraçado como existem restaurantes e cafés muito engraçados em algumas cidades asiáticas e que fogem ao esteriótipo do “tipíco restautante/ café na Ásia”. É o caso do Nook. Antes de voltarmos ao hotel, fomos dar uma volta pelas ruas de Hué, onde há imensa gente. Há semelhança de Hanoi, começamos a perceber que é habitual as pessoas aqui saírem para as ruas à noite, seja para jantar ou apenas para conviver. Seja nos mercados de rua, karaokes, ou bares, é possível perceber a alegria constante típica dos vietnamitas.

No dia seguinte partimos para Hoi An, uma dos destinos mais procurados no Vietname. No hotel, tinham-nos perguntado se queríamos transporte até Hoi An e que tínhamos 2 opções: uma mini-van privada com um tour que fazia paragens pelo caminho e que nos deixava no hotel em Hoi An por 12 dólares ou um autocarro público direto por 5. Depois de termos averiguado melhor a situação, decidimos escolher a mini-van. E foi a melhor decisão de sempre! Explico porque na próxima crónica 🙂

A “capital antiga”,” cidade imperial”, “cidade proibida”: nomes que prometiam uma cidade mística e misteriosa, mas talvez o misticismo se tenha perdido no tempo. Hué uma cidade relativamente pequena, que guarda tesouros imperais do passado e tem uma mistura de influências chinesas e francesas. Não é uma cidade imperdível, mas é um bom ponto de passagem para quem viaja de norte para sul ou vice-versa, e que se vê bem num dia ou dois. O ponto de maior interesse é de facto a Cidade Imperial, os vestígios de antigamente, e o rio Perfume. Como passámos parte da tarde do dia anterior no hotel, acabamos por não explorar outros pontos de interesse da cidade como o Pagode de Thien Um, o Mausoléu do Imperador Minh Mang ou DMZ – zona desmilitarizada. Talvez numa próxima visita ao Vietname. Por agora, é tempo de ir até Hoi An.