Diário de Bordo

Dia 2 e 3 | Vientiane, a tranquila capital do Laos

Sabaidee Laos! Uma hora depois de termos embarcado em Bangkok, chegamos ao Laos, mais precisamente à sua capital Vientiane. A capital do Sudoeste Asiático que menos se parece com uma capital do Sudoeste Asiático. Vientiane está situada nas margens do rio Mekong, onde forma fronteira com a Tailândia.

À chegada, fazemos o visto para entrar no país (o visa on arrival está disponível para cidadãos portugueses). É possível pagar em várias moedas, entre elas dólares, euros, bats ou kips. Nós optámos por pagar em dólares, pois o custo é convertido diretamente no valor entre moedas. Ou seja, caso pagássemos em dólares seriam 35 dólares; se fosse em euros, seriam 35 euros. Feitas as contas o visto custou-nos cerca de 28 euros.

Antes de sair do aeroporto, fomos levantar dinheiro e descobrimos que há um autocarro direito para o centro. É possível ver logo a paragem do tal autocarro à saída do aeroporto. Os funcionários, extremamente simpáticos, disponibilizaram-se logo para nos ajudar com o bilhete e a paragem mais perto do nosso hotel. Passados cerca de 15-20 minutos, estamos numa das principais ruas de Vientiane e o autocarro deixa-nos praticamente à porta do hotel.

Feito o check-in, saímos para aproveitar a tarde. Antes disso, tínhamos dois objectivos: comprar um cartão SIM com dados móveis e comprar bilhetes para Luang Prabang. Missão cumprida. O cartão custou 20.000 kips (cerca de 2€) – 10.000 do cartão e 10.000 de carregamento para 2GB – e ficou com 4GB para. A viagem para Luang Prabang custou 170.000 kips (~17 euros) num autocarro noturno no dia seguinte.

Posto isto, fomos em busca da melhor forma de ir visitar um dos principais monumentos da cidade, o Pha That Luang, um templo considerado como um dos ícones do Budismo no Laos. Como não conseguimos descobrir os horários do autocarro. Acabámos por apanhar um tuk tuk, que custou 50.000 kips. A caminho do templo, que fica a cerca de 3 km do centro de Vientiane, passamos por alguns marcos da cidade e começamos que se trata de uma cidade relativamente pequena e pacata. O trânsito é bem menos intenso que o de qualquer outra capital asiática – na verdade, quase que não há trânsito – e o dourado dos templos mistura-se com os vestígios da era colonial francesa.

O Pah That Luang é uma enorme estupa dourada com 45 metros de altura que, diz-se, conter uma relíquia de Buda. A entrada custa 10.000 kips . Visto do céu, este templo é de uma grandeza e imponência incrível, uma grande mancha dourada perfeitamente simétrica. Aproveitamos que aqui estamos para ver de fora os outros templos que estão em redor, antes de apanhar novamente o tuk tuk até ao Patuxai, o Arco do Triunfo de Vientiane.

O Patuxai, ou Victory Monument, é um memorial que foi construído para comemorar a independência do Laos dos franceses. Inspirado no Arco do Triunfo, a sua arquitetura remete precisamente para o monumento parisiense, mas a sua decoração está repleta de elementos típicos do Laos. Seguimos até ao final da avenida, passando pelo Patuxai Park, até World Peace Gong – um gongo que simboliza a Paz Mundial e que é uma das 12 réplicas existentes e espalhadas pelo mundo. De regresso ao Patuxai, seguimos em sentido contrário pela avenida Ave Lane Xang, uma espécie de Champs-Élysées de Vientiane, onde se localizam alguns templos, marcos da cidade (como o liceu, a biblioteca nacional e – muitos – bancos). Ao fundo, vê-se o Palácio Presidencial, numa mistura clara entre o oriente e ocidente. Mesmo já a chegar ao hotel, uma pequena praça com uma fonte no meio chamou-nos a atenção e percebemos que se trata de um lugar bastante animado ao anoitecer, com restaurantes, bares e música ao vivo – Phou Nam.

À noite saímos para visitar o Night Market, a cerca de 5 minutos a pé do nosso hotel, e para jantar. O Vangthong Market, que acontece todos os dias a partir do final da tarde perto do National Stadium. Acabamos por comer duas noodles soups escolhidas por gestos, já que ninguém que falava inglês. Não fazemos ideia do que jantámos, mas eram deliciosos. Já as condições, duvidosas, mas correu tudo bem.

No dia seguinte, fazemos o check-out do hotel logo bem cedo e pedimos para guardarem as nossas malas e para usar uma casa de banho quando regressarmos ao final do dia, para nos prepararmos para as cerca de 11 horas de viagem que nos aguardam no sleeping bus.

Seguimos até ao National Museum, apenas para descobrir que estava fechado porque se vai mudar para novas instalações. Seguimos até ao That Dam, uma estupa de pedra preta (as suas placas de ouro foram roubadas durante a invasão do Império de Sião). Continuando a pé, chegamos ao Morning Market, um mercado gigante situado por trás do centro comercial que tem de tudo – desde joelheira, roupa, sapatos, relógios a máquinas de lavar, televisões. Tudo em exposição nas centenas e centenas de bancas de rua que formam o mercado. Seguimos pela Khouviend Road até ao COPE Visitor Center.

O COPE é dos locais mais interessantes de Vientiane, onde revisitamos o flagelo da guerra do Vietname e os rastos de destruição e dor que ela causou, e continua a causar ainda nos dias de hoje. O Laos é país que mais foi bombardeado no mundo inteiro, considerando a sua dimensão. Estima-se que tenham sido lançadas 260 milhões de bombas (as “bombies, como são tratadas pelos locais) durante a guerra e que 30% não foram explodiram. Isto significa que existem ainda 80 milhões de explosivos por detonar. Como forma de alerta e prevenção das populações, têm vindo a ser feitos esforços no sentido de tentar minimizar o problema. O COPE é uma ONG dedicada à construção de próteses e órgãos artificias para as vítimas destas bombas. A entrada é grátis, mas doações são aceites. Existe também uma pequena loja à entrada, onde o valor dos artigos contribui também para esta causa. Eu comprei um porta-chaves com um boneco feito em linha que em vez de uma perna tem um pionés, simbolizando as próteses que muitos habitantes têm, e um livro com ilustrações feitas por uma criança que foi vítima de uma bombie enquanto brincava – “Sandar, the robot boy”. Um must-do em Vientiane! O COPE está situado dentro do Center of Medical Rehabilitation.

Ao deambular pelas ruas de Vientiane encontramos um pequeno café que nos pareceu ter muita pinta e decidimos entrar para ver. Era uma pastelaria bem ao estilo francês – a Bakery by Boris. Com uma decoração contemporânea e muito ocidental, e com comida e bebida óptimas. Escolhemos um crossaint de chocolate para partilhar e 2 mocchas bem gelados e sentámos no sofá para comer e descansar um pouco. Depois disso, seguimos até ao Little House Café, que tínhamos lido que era muito giro porque não só vendia café em grão e acessórios para a moagem – o nome não é em vão e o café é mesmo pequeno. De seguida visitámos o Wat That Kho.

Continuamos caminho em busca de um tuk tuk que nos levasse até ao Wat Sot Pa Luang, um templo budista ligeiramente afastado da cidade. Tínhamos lido que era possível conversar com os monges e ter sessões de meditação todos os sábados neste templo. Ao chegar à entrada, percebemos que se trata de uma espécie de vila, com diferentes monumentos budistas, muitas casas e, alguns monges. Talvez por ser perto das 14:00, não havia vivalma fora das casas e não nos pareceu que lá se fosse passar nada. Entretanto tínhamos lido que a partir das 16:00 começávamos umas sessões onde os noviços e monges praticavam o seu inglês em troca de uma sessão de meditação, durante 2 horas. Como tínhamos que apanhar o autocarro ao final do dia, acabámos por decidir voltar para a cidade.

Estávamos literalmente no meio do nada e só conseguimos voltar porque pedimos boleia a um local com um tuk tuk que passou por nós, que o fez em troca de uns quantos kips. Pedimos que nos deixasse no Chao Anounvong Park, onde tínhamos passado na noite anterior, e da estátua do rei com o mesmo nome. Voltamos para a rua do nosso hotel para almoçar num pequeno restaurante com comida tradicional do Laos. O resto da tarde foi passado a passear pelas ruas de Vientiane e pelos templos que ainda nos faltavam ver. O primeiro, o Wat Sisaket, que contem mais de 10.000 imagens de Buda, é templo mais antigo em Vientiane, servindo de escola para os monges locais. O segundo, o Wat Phra Kaew, mesmo em frente do anterior, serve como museu de arte nacional religiosa e está rodeado de cuidados jardins.

De regresso ao hotel, preparamo-nos para a nossa viagem até Luang Prabang. Às 18:00, conforme combinado, estávamos no Dynasty, onde esperaríamos pelo tuk tuk que nos levaria até ao autocarro. Uma hora depois, lá aparece o tuk tuk já a abarrotar com outros turistas. Fizemos ainda mais algumas paragens para ir buscar mais pessoas e cerca de 30-40 minutos depois chegamos finalmente à estação terminal de onde partem os autocarros para diversas cidades do Laos. Um autocarro, cheio de luzes néon e 3 filas de “camas” de 2 andares, seria o nosso albergue para essa noite. A última paragem: Luang Prabang.

Tínhamos lido em muitas reviews e blogs que Vientiane era uma cidade sem graça e devia ser passada aquando de uma visita ao Laos, mas não podia discordar mais. Vientiane é uma capital tranquila, mas cheia de vida. Os inúmeros templos budistas e vestígios da ocupação francesa conferem um ambiente único à cidade, assim como os muitos cafés e lojas artesanais, que fazem com que esta seja uma capital muito peculiar. É uma cidade que se vê que vai crescendo aos poucos e encontrando o caminho para o desenvolvimento. Na minha opinião, uma passagem de alguns dias pela capital do Laos vale, sem dúvida, a pena.