Diário de Bordo

Courchevel | 6 dias de snowboard nos Alpes Franceses

2 anos depois da última viagem a Andorra, surgiu a oportunidade de passar uns dias na neve. Na semana que antecedeu o Carnaval, de quarta a segunda-feira, o objetivo era um: fazer snowboard. O local escolhido: os tão aclamados Alpes.

Partimos de Lisboa de manhã bem cedo com destino a Genebra, cidade que serviria de ponto de partida para os Alpes. À chegada ao aeroporto de Genebra, a primeira coisa que fizemos foi levantar o carro que tínhamos alugado e seguir em direção ao centro para almoçar.

O carro – um novíssimo SUV Alfa Romeo Stelvio – foi um dos pontos altos da nossa viagem, já que foi uma surpresa de última hora. Como não estava disponível nenhum carro com correntes de neve, como tínhamos pedido, fizeram-nos um (super) upgrade. Um must! Uma dica para quem pretende viajar para o lado francês dos Alpes tendo como origem o aeroporto de Genebra: a melhor opção é alugar carro do lado francês do aeroporto. Do lado suíço os custos de caução são bem mais elevados (de 1.300€ para 130€… certo!) e a oferta à igualmente boa do lado francês.

Quanto ao almoço, já não tivemos tanta sorte. Já em Genebra e depois de várias tentativas para encontrar um restaurante que nos servisse (já passava das 14:00 e – aparentemente – em Genebra almoça-se cedo), acabámos a pedir take-away no McDonalds e a seguir em direção a França. Bozel, uma pequena cidade nos Alpes franceses era o nosso destino. A viagem durou cerca de 2 horas e correu lindamente, não fosse estarmos ao volante de uma espécie de nave espacial.

Como tinhamos alugado o material de snowboard online numa loja em Champagny, à chegada tivémos apenas que o ir levantar à loja e certificar-nos que os tamanhos eram todos os correctos. Quanto ao preço de aluguer, acabou por compensar alugar lá o material pois evitámos custos adicionais de transporte do material no avião. O aluguer da prancha e botas de snowboard ficou por 43€ na Skimium – um site onde é possível alugar material de neve em lojas independentes existentes nas diferentes estâncias em França, Itália ou Andorra.

Como ainda não tínhamos definido a estância onde íamos esquiar, pedimos ajuda ao dono do alojamento onde ficámos (que por acaso tinha sido snowboarder profissional). De Courchevel a Avoriaz, de Val Thorens a Val d’Isère ou de Megève a Chamonix, os Alpes dispõem de inúmeras estâncias com pistas para todos os níveis e tipos de desporto de neve – das pistas verdes às pretas, do ski ao snowboard. Acabámos por escolher Courchevel, uma estância indicada para praticantes de snowboard menos experientes – que era o caso.

Quanto apartamento, ficámos um chalé na montanha decorado ao estilo típico da região de Savoie. Localizado no coração do resort de 3 Vallées, a Chambre d’Hôte La Tour du Merle  é uma propriedade com pequenos apartamentos no seu interior muito bem equipados e com uma vista incrível para as montanhas – na altura, cobertas de neve. O nosso apartamento tinha um quarto com casa de banho, sala de estar e cozinha, onde acabámos por jantar algumas vezes.

Também por indicação do dono do apartamento, comprámos online o forfait de acesso às pistas. Como a cada dia podem existir descontos no site, todos os dias antes de ir para as pistas comprávamos o acesso. Nesta época, especialmente ao fim-de-semana, os descontos chegam a ser de 50%. 4 dias de forfait em 3 Vallées, com acesso a todas as pistas, teve um custo de 171,60€ – face aos 208€ que teríamos pago se não tivéssemos tido 20% de desconto num dia e 50% noutro.

O primeiro dia de snowboard começou cedo pois ainda e queríamos aproveitar o dia ao máximo. Como perdemos o shuttle bus (grátis) que ia de Bozel até Courchevel, acabámos por subir de carro até ao centro da vila e deixá-lo num parque de estacionamento da vila. Apesar de ser uma opção mais cómoda, pagámos cerca de 17€ de parque. Estes custos podem serem evitados se deixares o carro num dos pontos de passagem do tal shuttle bus (existem vários) e apanhares o shuttle até à estância pretendia. Existe um horário pré-definido e esta acaba por ser uma excelente opção para quem não quer ter o custo extra de estacionamento ou não queira arriscar e guiar, montanha acima, pelas estradas em ziguezague cobertas de neve. No nosso caso, o Stelvio foi a nossa salvação!

Ainda nesse dia, tivemos uma aula privada com um professor para relembrar algumas coisas básicas e receber dicas para evoluir. 4 horas de aula custaram cerca de 70€ por pessoa, mas há opções mais baratas como aulas de grupo ou mesmo com um grupo maior. Idealmente, o grupo deve estar no mesmo nível de snowboard para ser mais fácil de agilizar as subidas e descidas e o acompanhamento do professor a cada um.

Os 3 dias seguintes foram passados da mesma forma. Acordar cedo, (tentar) apanhar o autocarro – que acabámos por apanhar sempre em locais diferentes, consoante as horas a que nos conseguimos despachar -, muitas subidas e descidas pelas pistas de Courchevel, muitas quedas e, principalmente, muita diversão. No final de cada dia, depois do fecho das pistas, obviamente que não deixámos falhar o típico apres ski. O que não também não faltou foram nódoas negras, dores musculares, joelhos magoados e pequenas fissuras nos ossos – mas faz parte! 🙂

Em termos de pistas, e tendo em conta todas as nossas circunstâncias, optámos por esquiar apenas em Chourchevel, mas o nosso forfait dava acesso a outras pistas na zona de 3 Vallées, aquele que é maior domínio esquiável do mundo. Apanhámos bom tempo em quase todos os dias, tirando um dia em que o sol teimava em aparecer e não parou de nevar, o que também ajudou a colocar esta região dos Alpes como um destino de referência. A paisagem, essa, incrível! A grandiosidade das montanhas, cobertas de neve, e com o sol refletido, criava um cenário épico difícil de descrever em palavras. Ao longe Mont Blanc, o ponto culminante dos Alpes e a maior montanha da Europa Ocidental, destacava-se imponente no horizonte.

Os almoços e pequenos snacks durante o dia eram feitos na estância, ora com comida que levavamos de casa para não perder muito tempo, ora no restaurantes que existem nas pistas. Ao jantar, optámos por fazer algumas refeições em casa, onde optámos por petiscos típicos da região de Savoie, e outras em restaurantes não muito longe do nosso apartamento. Entre as iguarias mais típicas de Savoy encontram-se os queijos (deliciosos), as carnes frias, o famoso fondue de queijo ou tartiflette.

No último dia, como tínhamos voo de volta para Lisboa apenas ao final da tarde, aproveitámos para conhecer melhor a zona de Bozel e fomos visitar um ponto de referência ali perto: o lago de Bozel. O nevão que tinha caído ajudou a embelezar ainda mais a paisagem. O lago, praticamente congelado nesta altura do ano, não deixa de ter uma vista envolvente incrível.

Seguimos caminho de volta para Genebra, onde ainda demos um pequeno passeio a pé pela parte histórica da cidade e nos abastecemos de chocolates suíços para levar para Lisboa. Numa visita rápida por Genebra, ficou a vontade de lá regressar com mais tempo para ficar a conhecer melhor esta cidade suiça.

Courchevel é uma excelente opção para quem gosta de fazer férias na neve e praticar desportos de inverno. É certo que é uma das estâncias mais luxuosas do mundo, mas é acessível a todos os bolsos. Apesar de estarmos a falar dos Alpes, a relação qualidade-preço acaba por compensar bastante e ser uma excelente alternativa para quem quer fugir ao caos de Andorra ou Serra Nevada.  A nossa viagem foi marcada muito em cima da hora, o que não terá ajudado no valor total da viagem – que também não foi nada caro.

Para quem não dispensa o conforto de ficar hospedado nas pistas, há muitas opções para ficar alojado mais perto ou mesmo nas pistas, mas os preços são bastante mais elevados e, quanto mais perto da época, menor é a oferta disponível. O ideal é mesmo avaliar a melhor alternativa face aos teus gostos necessidades e marcar tudo com antecedência.

No final da viagem, ficou a promessa de regressarmos no próximo ano – com mais preparação, mais tempo e vontade para explorar também outras estâncias na região.