Diário de Bordo

Dia 13, 14 e 15 | Roma, a eterna capital italiana

Como iamos entregar o carro em Roma às 12:00, a saída de Pompei foi feita logo pela manhã. Depois de nos despedirmos do Gino, o dono da nossa casa durante os últimos 6 dias, seguimos até a uma das principais ruas de Pompei para comprar umas últimas lembranças antes da partida. Entre os souvenirs mais curriqueiros como imans e postais, não faltou o limoncello – um lícor de limão tradicional – com direito a prova e tudo logo pela fresca. O limoncello é uma bebida alcoólica tipicamente italiana feita à base de limões, alcoól, água e açúcar. Especialmente produzida na região do Golfo de Nápoles, Costa Amalfitana e ilhas de Capri e Ischia é provavelmente um dos mais emblemáticos sabores da região. Na bagagem também não faltaram, claro, os limões de Amalfi. Certificados com indicação geográfica protegida pela União Europeia, os limões desta região são únicos; o que explica a razão do limoncello ser especialmente apreciado nesta região sul de Itália.

Assim que chegamos, depois de 2:30 de viagem, fizémos o check-in no B&B, deixámos as malas no quarto e fomos entregar o carro alugado em Termini. Daí, seguimos a pé em direcção à Piazza della Republica, onde se situa também a igreja Santa Maria degli Angeli e dei Martiri. Seguimos pela longa Via Nazionale até chegar à incrível zona arqueológica que constítui uma das maiores heranças do Império Romano. Mas não antes sem passar pelo Altare della Patria, um Momumento Nacional em honra de Vitor Emanuel II, o primeiro rei de uma Itália unificada. É também nesta zona que se situa a Piazza Venezia e a Piazza D’Aracoeli. Seguimos pelas muitas ruas de Roma e continuamos a explorar a cidade. Roma é mesmo isso, perder-nos e encontrar algo novo a cada esquina, a cada praça ou a cada rua. É fácil irmo-nos apaixonando aos poucos pela cidade eterna.

Depois de comermos uma fatia de pizza num almoço rápido nas escadas de um prédio de fachada romana, seguimos até à popular Fontana di Trevi. O principal monumento em homenagem a Poseidon e a maior fonte barroca em Itália estava, como sempre, repleto de turistas. Uns que tentam a sua sorte ao atirar com a mão direita uma moeda de costas para a fonte; outros que tentam simplesmente tirar uma fotografia neste ícone da cidade. Ainda assim, ao virar a esquina, é impossível não nos deixarmos impressionar pela sua grandeza e beleza. Para completar os clássicos de Roma, não podia faltar um gelado e por isso escolhemos uma gelataria, entre as centenas existentes, e acabámos a comer uma nova variedade de sabores mesmo junto à Fontana. Por fim, não deixámos de atirar uma moeda à água – mais um clássico -, dizem que dá sorte e que quem o faz, regressa à Cidade Eterna. Assim esperamos! Uns metros mais à frente, encontramos o Panteão, um dos mais bem preservados edifícios romanos.

Caminhamos de volta até à zona arqueológica onde se situam 3 dos marcos históricos mais importantes da cidade: o Colosseo , o Fórum Romano e o Monte Palatino. Os bilhetes que dão acesso aos 3 monumentos custam 16 euros e permitem uma entrada única em cada um deles durante 2 dias. O truque é evitar as filas do Coliseu e comprar o bilhete no Fórum Romano.

A primeira paragem foi no Coliseu, onde recuámos séculos de história e revisitámos o local onde outrora gladiadores entretinham o público que, efusivo, vibrava até à morte. A antiga arena construída entre 72 d.C. e 80 d.C, palco das lutas entre gladiadores, é até os dias de hoje, considerada o maior anfiteatro do mundo. Palco de inúmeros espectáculos de entrenimento ao longo dos séculos, o Coliseu é hoje uma das mais importantes heranças romanas e um lugar onde, entre aquelas paredes, se respira história. O Coliseu situa-se ao lado do Fórum Romano, coração da antiga Roma, e do Palatino, casa dos imperadores, e foram estes dois locais que visitámos durante o resto da tarde. Entre um ponto e outro, é possível vislumbrar o Arco de Constantino, um arco triunfal erguido a pedido do Senado Romano e um dos 3 arcos triunfais de Roma.

Por si só, o Fórum Romano é um complexto magnífico onde, ao percorrer as suas ruas e monumentos de pedra em ruínas, nos transportamos para os primeiros séculos de história romana. Outrora centro do poder mundial e de Roma antiga, este vale entre as colinas do Palatino e do Capitólio, guarda os vestígios de uma poderosa civilização que mudou para sempre a história e o mundo. Aqui, as centenas de estátuas, templos, arcos e basílicas, celebraram a grandeza do Império e a imensa e riquíssima história de Roma, de Itália e do Mundo. Segundo a mitologia Romana, foi no Palatino que os irmãos gémeos Rómulo e Remo foram amamentados por uma loba depois de terem sido encontrados numa cesta nas margens do rio Tibre. Diz a lenda que, depois uma divergência, Rómulo matou Remo e assim fundou Roma, sendo portanto o fundador da Roma antiga e o seu primeiro Rei.

Uma verdadeira obra de arte a céu aberto, esta enorme área arqueológica tem imensos recantos para explorar, onde cada pedra conta uma história. É díficil destacar apenas alguns monumentos, tal não é a grandiosidade de todo o complexo que compõe o Forum Romano. O Templo de Vénus, o maior templo pagão de Roma antiga; a via Sacra, a principal rua da Roma antiga que vai desde o monte Capitolino até ao Coliseu e passa pelos mais famosos templos do Fórum Romano; o arco de Tito, o arco triunfal erguido em mármore para celebrar a conquista de Jerusálem; a gigantesca Basílica de Constantino ou de Magêncio; o Templo de Rómulo; o Templo de César, erguido após a elevação ao estatuto divino de Cesar Augustus; ou o Templo de Saturno, um dos templos mais antigos do qual restam apenas as 8 colunas que são uma das mais icónicas imagens do patrimônio cultural da cidade de Roma, são apenas alguns que não nos deixam indiferentes. Já o sol se estava a pôr no horizonte, saímos do complexo ao som da voz que falava no alfilante e que indicava que o monumento estava a encerrar.

Roma é uma cidade que nos guarda uma surpresa a cada esquina e foi precisamente isso que aconteceu. Seguimos caminho até a uma restaurante que tinhamos encontrado online com boas reviews, mas que por ser Agosto se encontrava fechado. A surpresa estava, desta vez, mesmo do outro lado da rua. O I Monticiani, um restaurante argentino-italiano com umas massas e carnes delisiosas e pratos muito bem servidos, a um preço convidativo, foi onde tivémos também uma das melhores refeições. Depois dos caseiros pratos de spaghetii aglio olio e spaghetti alla gricia, foi altura de um tão aguardado tiramisú e um tortino al cioccolato feito na hora. Como o restaurante era perto do Monti, um bairro que é o grito rebelde de Roma, e muito perto da estação Termini, decidimos regressar até ao nosso B&B a pé e ir aproveitando o ar fresco da noite.

No dia seguinte, fomos a pé até à estação Termini, comprámos um bilhete de 24 horas (8 euros) e seguimos até à cidade do Vaticano. Situado dentro da cidade de Roma, o Vaticano é território soberano da Santa Sé e local de residência do Papa. Oficialmente Cidade de Estado do Vaticano, depois de assinado o Tratado de Latrão em 1929, é também sede da Igreja Católica e berço da fé católica. Depois de percorrermos as ruas do Vaticano, chegamos à Piazza di San Pietro onde, no centro da praça construída por Bernini, se situa o Obelísco do Vaticano. Ao fundo, a majestosa e imponente Basilica di San Pietro, com a sua cúpula principal com mais 130 metros de altura que desenha no horizonte os contornos da cidade-estado.

Como já não conseguimos comprar bilhetes online no dia anterior, ficámos na (enorme) fila para entrar na Basílica, cuja entrada é gratuita. Apesar da longa fila, demorámos menos de 30 minutos até entrar na Basílica de São Pedro, a maior e mais importante igreja católica do Mundo. Logo à entrada, na Nave da Epístola, é possível observar a obra-prima de Michelangelo, a Pietà; assim como muitos outros monumentos funerários e obras religiosas. Impressionante é também o Altar Papal, um altar de bronze com 30 metros feito por Bernini e suportado por 4 colunas inspiradas no Templo de Salomão. No centro, encontra-se um bloco mármore branco, onde apenas o papa pode celebrar a Eucaristia em ocasiões solenes. Ali, sob o altar da Basílica, está enterrado São Pedro, um dos 12 apóstolos de Jesus e o primeiro papa. Ao lado da Basílica de São Pedro, encontra-se o vasto complexo do Palácio Apostólico, que compreende os Apartamentos Papais, o Museu do Vaticano, a Biblioteca Apostólica Vaticana ou a Capela Sistina, conhecida pelos afrescos de Michelangelo pintados no tecto da capela. Todo o Vaticano alberga um dos mais incríveis e valiosos expólios de arte do mundo.

Depois de um almoço num restaurante perto da Praça de São Pedro, atravessamos o rio e seguimos até à zona do Panteão e Trevi e continuamos o passeio pelas animadas e pitorescas ruas de Roma. A caminho do Palazzo Montecitorio, fizemos a habitual pausa para um gelado do Giolitti – uma das mais antigas e conhecidas gelatarias e pastelarias da cidade – e uma curta paragem na Piazza di Monte Citorio. Além do facto do gelados serem de facto muito bons, a sua fama tem também a ver com a variedade e raridade de certos sabores, cujas receitas são segredo da família.

Roma é também a cidade das muitas praças. Como a Piazza Navona, uma das praças mais bonitas de Itália, a Piazza Venezia, Piazza de Popolo, Piazza di Santa Maria in Trastevere ou a Piazza de Spagna. E foi precisamente nesta última que acabámos o dia, depois de passear pelas imensas ruas onde moram grandes marcas de luxo. No topo da famosa escadaria da Praça de Espanha (Scalinata Di Spagna), sentámo-nos e desfrutámos da magnífica vista para as ruas de Roma, enquanto o sol se punha no horizente atribuindo-lhe um tom alaranjado. Do alto da escadaria, com 135 degraus, encontra-se a igreja Trinità dei Monti e o Palazzo di Spagna, a ainda hoje embaixada espanhola à Santa Sé. Já perto das 22:00, passámos pela Piazza Navona em direcção a uma das pizzarias mais características e famosas de Roma – a Pizzeria da Baffeto. Uma pizzaria tipicamente romana, onde comemos umas pizzas deliciosas de massa fina feitas preparadas e feitas no forno mesmo ao nosso lado, e com um preço bastante acessível. A noite terminou com um passeio breve por aquela zona, numa Roma igualmente encantadora durante a noite.

O dia seguinte começou cedo para podermos aproveitar ao máximo o nosso último dia em Roma, já que o voo de regresso a Lisboa era apenas às 20:40. Depois de feito o check-out, deixámos as malas no B&B e fomos até ao Campo di Fiori, uma praça junto ao rio onde todos os dias, à excepção do domingo, ocorre um dos maiores mercados de Roma. Além das flores, aqui é possível encontrar especearias, frutas, verduras, alimentos frescos, massas, vinhos e até utensílios de cozinha e roupas. É um mercado tradicional e paragem obrigatória numa passagem por Roma, especialmente para amantes de boa comida. Como não podia deixar de ser, comprámos sacos e sacos cheios de especiarias, massas, risottos, patés, vinhos e cerveja artesanal – tudo para encher os 23 kgs da mala extra que comprámos para o regresso a Lisboa. Voltamos à Piazza Navona, agora durante o dia, para revisitar o obelisco egípcio no centro da praça, a Fontana dei Quattro Fiumi, a Fontana di Nettuno, a Fontana Del Moro e a Igreja de Sant’Agnese in Agone. Era nesta praça que antigamente acontecia o mercado tradicional, antes de este ser transferido para o Campo di Fiori. Hoje, é uma praça cheia de vida, repleta de músicos, pintores e artistas a exporem a sua arte e animarem as centenas de turistas que por ali param para apreciar e desfrutar do que está em seu redor.

Continuamos a explorar Roma pelas suas pitorescas ruas e, ao mesmo tempo, vamos parando aqui e ali para comprar uma e outra iguaria italiana para levar um pouco de Itália connosco para Portugal. Regressamos ao quarto, apenas para deixar as compras e saimos novamente para o almoçar. O almoço tardio foi no Ristorante Donati, perto de Termini, e a refeição foi composta por dois risottos incríveis – um risotto con funghi e outro risotto alla crema dasparagui. Depois de feitas umas últimas compras, fomos buscar as malas e seguimos até à estação de Termini, onde apanhámos um autocarro directo até ao Terminal do Aeroporto de Fuiminici. O autocarro demora menos de 1 hora a chegar ao aeroporto e cada bilhete custa 5,90 €.

Já no avião e das alturas, Roma despede-se de nós com um pôr-do-sol e um céu em tons de laranja dificil de descrever. Assim terminam os 15 dias de viagem por um dos países mais encantadores do Mundo. E é hora de dizer: arriverdeci, bella Italia.

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