Diário de Bordo

Dia 12 | Capri, todo o charme italiano no seu esplendor

Depois de uma (demasiado) curta passagem pelas principais vilas da costa Amalfitana, o dia seguinte foi dedicado a visitar um dos ex-libris da costa sul de Itália: a ilha de Capri. Com pouco mais de 10 km quadrados, Capri localiza-se no Golfo de Nápoles e é um dos destinos de férias preferidos da aristocracia europeia e de muitas celebridades de todo o mundo.

Para aproveitarmos ao máximo o dia, saímos bem cedo de Pompei e apanhámos o comboio até Sorrento (custou 2,40€ e a viagem dura pouco mais de 30 minutos). À chegada, percorremos rapidamente as ruas de Sorrento até ao porto para ir comprar bilhete para o próximo barco que saía com destino a Capri. A viagem, de ida e volta, custou 37,90€ – um pequeno luxo na recta final destas férias – e  demorou pouco mais de 20 minutos

Capri é a transposição perfeita do verdadeiro “il doce fare niente“: um ambiente glamoroso, requintado e ao mesmo tempo relaxante e descontraído, um aroma característico e a limão no ar, vistas panorâmicas incríveis para o imenso mar azul do Mediterrâneo e imensos cantos e recantos escondidos à espera de serem explorados. Tudo isto faz de Capri o local ideal para repousar e descansar.

Desembarcámos no porto de Marina Grande, por onde todos os dias passam centenas de barcos vindos de diferentes pontos da baía de Nápoles e tantas outras embarcações luxuosas que encontram em Capri um ponto de paragem obrigatório. Aí, apanhamos um barco (Laser Capri), que faz uma visita à volta da ilha durante cerca de 2 horas, com paragem nos imponentes recantos e rochedos que a natureza criou. Ainda tivémos direito a um desconto na viagem e por isso pagámos apenas 15 euros, em vez dos 18 habituais.

O barco sai de Marina Grande e faz curtas paragens em Villa Jovis, Grotta Bianca, Arco Naturale, I Faraglioni, Marina Piccola, Grotta Verde, Punta Carena e Grotta Azzurra. O capitão vai fazendo breves descrições e contando histórias, primeiro em italiano e depois em inglês, de cada uma delas. Do mar é possível avistar também Anacapri, uma cidadezinha mais recatada no lado ocidental da ilha e onde se situa o porto mais antigo e as mais luxuosas casas da ilha.

Os Faraglioni, três imponentes e icónicas rochas que emergem do fundo do mar, são o símbolo máximo de Capri. StellaMezzo e Scopolo são as 3 rochas mais famosas da ilha, com uma altura média de 100 metros; e tela de fundo dos anúncios publicitários de uma conhecida marca de perfumes. Reza a lenda que quem der um beijo ao seu amado enquanto passa por baixo de uma das rochas (Mezzo), garantirá boa sorte e uma longa vida ao relacionamento.

Entre as inúmeras grutas e cavernas, a mais famosa é a Gruta Azul (Grotta Azzurra). Uma enorme gruta, de acesso apertado, que oferece um dos espectáculos naturais mais incríveis que a natureza pode oferecer. A entrada é opcional e paga à parte (custa 14 euros), já que é feita em pequenos barcos de madeira. Nesta altura do ano, a fila de espera para entrar é no mínimo de 2 horas, razão pela qual o barco voltou ao porto para deixar os passageiros que não queriam fazer a entrada. Voltámos ao local e o que se seguiu foram mais de 2 horas no barco, a apanhar sol, à espera que chegasse a nossa vez de entrar. Chegada a nossa vez, entrámos no barco a remos com o nosso marinheiro tipicamente italiano e pagámos a entrada na gruta. Há quem diga que esta é uma das maiores armadilhas para turista ver; há quem defenda que é uma das melhores experiências que alguém pode ter na vida. Qualquer uma das versões tem o seu fundo de verdade.

O barco, que leva apenas 4 pessoas e o marinheiro, segue em direcção à gruta e entra pela pequena passagem de cerca de um metro de altura.  Depois de segundos de total escuridão, o cenário transforma-se num místico azul fluorescente, resultado de um complexo fenómeno em que a luz reflecte sobre a cavidade rochosa. Dentro da imensa gruta, com 60 metros de comprimento e 25 de largura, o ambiente vai ganhando reflexos azuis, enquanto nas paredes ecoam famosas canções italianas, como Oh Sole Mio ou Por ti Voltare. Como vimos algumas pessoas dentro de água, perguntámos se também podiamos mergulhar. A resposta foi afirmativa: a troco de uma gorjeta para o marinho, pois claro! – instantaneamente, saltámos para água e aproveitámos ao máximo para nadar dentro daquele ambiente quase sobrenatural. A aventura dura pouco – não mais de 5 minutos -, mas vale certamente a pena.

De regresso a Marina Grande seguimos a pé até ao coração da ilha: a Piazzetta, rodeada pela Torre dell’Orologio, a Chiesa di Santo Stefano e por uma série de lojas (a maior parte delas de luxuosas marcas nacionais e internacionais), cafés e restaurantes. Em Capri, os preços de uma refeição (e de praticamente tudo o resto) são substancialmente superiores, não fosse este um dos destinos de luxo mais cobiçado do mundo. Uma caminha de quase 30 minutos que nos permite ir apreciando a paisagem de diferentes pontos, mas que deixa de rastos pelo calor e cansaço. Existem formas alternativas de fazer a súbida: através do funicular que sai a cada 15 minutos ou de pequenos autocarros; mas nenhuma delas ofercerá a mesma sensação de fazer a súbida a pé. A não perder é também o Gardini di Augusto e a vista para a Via Krupp, uma sequência de caminhos verdejantes que serpenteiam encosta acima. Entre o passeio pelas movimentadas ruas do centro de Capri, comemos um gelado e aproveitámos a vista panorâmica que a praça principal oferece. Já perto do fim da tarde, fazemos a descida novamente até Marina Grande, desta vez de autocarro (2€), damos uma volta por esta zona, fazemos algumas compras e apanhamos o último barco de regresso a Sorrento. Para trás, fica a magnífica ilha de Capri, com os últimos raios de sol a abrilhantarem o horizonte. Capri é, sem dúvida, um destino de férias relaxadas e luxuosas, bem ao estilo italiano.

De regresso a Sorrento, fizemos um curto passeio pelas principais ruas da cidade e seguimos até à estação de comboios. Apanhamos o comboio de regresso para Pompei e saimos novamente na estação perto das ruínas (Villa di Misteri), para passarmos num supermercado perto e comprar umas iguarias italianas para um jantar tardio já em casa. No dia seguinte, saímos cedo de Pompei e seguimos em direcção a Roma, a última paragem da roadtrip por terras italianas antes de regressar a Portugal.