Diário de Bordo

Dia 10 | Nápoles, a estranha cidade da máfia italiana

Nápoles devia ter sido apenas um ponto de passagem rápido para jantar, mas acabou por levar-nos quase um dia da viagem. Não que tivesse valido a pena, apenas porque entre atrasos e falta de organização, acabámos por passar mais horas em Napóles do que pretendiamos.

Saímos de casa a pé até à estação de comboios de Pompei, onde iamos apanhar o comboio até aquela que é a maior cidade da região da Campânia, apenas para descobrir que estávamos na estação errada. A linha que faz a ligação entre Napóles e Pompeia é a linha Circumvesuviana, a pouco metros de onde tinhamos jantado na noite anterior. Já na estação certa, comprámos os bilhetes para Napóles. A viagem dura menos de 30 minutos e os bilhetes custam 2,40€ por pessoa. A paisagem apresenta-nos um pouco da imagem real que nos tinha sido passada desta zona: pobreza, crime e confusão. Mas ao mesmo tempo a vista incrível para o Vesúvio faz esquecer tal cenário. À chegada à Stazione di Napoli Centrale, na Piazza Garibaldi, encontramos novamente um retrato semelhante. Mas ainda assim, diferente da cidade suja, a cheirar a lixo, onde impera a criminalidade e o crime organizado que esperávamos. Encontramos uma cidade caótica sim, mas vibrante ao seu jeito.

Saímos pelas movimentadas ruas de Napóles e seguimos até ao Castel Nuovo por uma das avenidas principais da cidade. Pelo caminho, encontramos alguns dos seus marcos históricos, como a Basilica Santuario Del Carmine Maggiore, Chiesa di San Giovanni a Mare, Chiesa di Sant’Eligio Maggiore. O Castel Nuovo é um dos monumentos mais bonitos de Nápoles, um verdadeiro castelo medieval que em tempos foi residência real e fortaleza da cidade. É aqui que Nápoles parece ganhar outro encanto, com a sua baía e vista para o vulcão Vesúvio. Seguimos até ao Giardini del Molosiglio e, junto ao mar, é possível ver inúmeros turistas e habitantes a refrescarem-se nas águas do mar, com o Castel dell’Ovo ao fundo. Subimos junto à baía até à Piazza del Plebiscito, uma praça interamente dedicada aos peões onde se situa a enorme Basícilia San Francesco di Paola e o Palazzo Reale, e seguimos em busca de um restaurante para almoçar.

Nápoles é também sinónimo de pizza, prato típico que, segundo consta, ali teve a sua origem. Apesar de não se saber ao certo quem inventou a pizza, há quem diga que foi levada até Nápoles e se tornar muito popular entre os seus habitantes. E o hábito por lá ficou. Verdade ou não, o que é certo é que a pizza é um elemento fundamental da gastronomia italiana e em Nápoles não faltam pizzerias que reclamam o título de “pizzeria mais antiga do mundo” ou “pizzaria onde foi inventada a pizza”.  Como estávamos perto da Pizzeria Brandi, foi por ai que acabámos por almoçar. Segundo a lenda, a Rainha Margherita de Savoia visitou Nápoles e, querendo experimentar o prato preferido do povo, pediu ao pizzaiolo Raffaele Esposito que lhe prepara-se a tal refeição. A Rainha gostou especialmente da pizza preparada com tomate, mozzarella e manjericão, que em sua honra a pizza foi apelidade de pizza Margherita. A Pizzeria Brandi permanece aberta até hoje, estando até hoje a cargo da família Esposito. História à parte, e como não podia deixar de ser, escolhemos a icónica pizza margherita e uma pizza marinara para a refeição.

Seguimos depois pela Via Toledo, uma das maiores ruas de Nápoles. Entre pequenas lojas de comércio tradicional e lojas de grandes marcas internacionais esta é também uma das principais ruas para se fazer compras. No caminho de volta até à estação de comboio, passamos ainda por alguns outros monumentos napolitanos: Chiesa del Gesù NuovoMonastero Santa Chiara e, mais à frente, o Monastero Santa Chiara. As ruelas de Nápoles são um quase como um labirinto: estreitas, quase sombrias e cheias de gente e são uma óptima forma de conhecer uma Itália diferente – com um cheirinho a máfia napolitana, a “Camorra”.

Apesar de não termos razões para ter considerado a cidade insegura, é preciso ter atenção redobrada e não exibir demasiado objectos de valor ou entrar por ruas desertas ou com pouca gente.

De volta à estação de comboios (não sem antes comprar uma mala de viagem para trazer tudo aquilo que já tínhamos comprado e íamos comprar em Itália), apanhamos o comboio de volta até Pompei, saindo desta vez na estação Pompei – Villa di Misteri. A estação fica a cerca de 3km da nossa casa e como já era de noite, optamos por comprar produtos tradicionais italianos e cozinhar uma refeição típica e jantar em casa. O jantar, na sala comum, acabou por ser partilhado com uma simpática família de holandeses que também ali estavam hospedados. À conversa durante horas a fio, partilhámos histórias de viagens, trivialidades sobre Portugal e a Holanda e, entre petiscos italianos, ainda provámos uns rebuçados típicos holandeses e um licor que tinham trazido de Puglia.