Diário de Bordo

Dia 7 e 8 | Siena, San Gimignano e as planícies de Chianti

Despedimo-nos de Tavarnelle logo pela manhã em direcção a Greve in Chianti, umas pequena cidade no meio das planícies da Toscana.

O percurso entre subidas e descidas oferece como paisagem de fundo grandes planícies, pequenas vilas no topo das colinas, campos coloridos a verde, amarelo e vermelho e as típicas árvores cipreste-italiano num alinhar quase perfeito. Cerca de 40 minutos de viagem chegamos a Greve in Chianti, a maior cidade da região de Chianti e o centro da indústria local, onde se produz uns dos melhores vinhos do mundo.

Greve in Chianti é uma cidade pequena e com pouco para ver, mas com uma grande tradição do ponto de vista da produção de vinho e considerada a porta de entrada para conhecer a região de Chianti. Estacionámos o carro num dos muitos espaços gratuitos, perto do edíficio da Câmara Municipal (Comune di Greve in Chianti) e seguimos para a Piazza Matteotti, o principal ponto de referência em Greve e onde se localizam inúmeras lojas tradicionais e restaurantes. Seguimos até a Enoteca Falorni, a maior loja de vinhos da Toscana com milhares de vinhos italianos disponíveis. Localizada no centro histórico de Chianti, numa espécie de adega subterrânea de ambiente peculiar, encontramos um misto de tradição e de modernidade – um espaço decorado à medida e com um sistema de prova de vinhos inovador que permite fazer provas de vinhos. E foi mesmo isso que fizemos: comprámos 2 cartões de 5 euros que nos permitem fazer provas de diferentes vinhos até atingir aquele limite e fizemos uma Wine Tour pelo espaço. Existe também a possibilidade de adquirir valores maiores (10, 15, 20 euros, etc.) ou comprar um cartão de valor ilimitado. O funcionamento é muito simples, basta inserir o cartão numa das 8 máquinas disponíveis, escolher o vinho e a quantidade que se pretende de entre 3 quantidades, colocar o copo que nos é dado perto da máquina e o vinho é servido na quantidade pretendida. Optámos pela modalidade “tasting” para poder provar diferentes tipos de vinho, que vão desde os vinhos tintos da região, vinhos tintos italianos, vinhos brancos até vinhos espumantes e seguimos as recomendações dos melhores vinhos que nos foram dadas. Entre provas, existem espalhadas pela adega inúmeras bacias onde é possível lavar o copo para a prova seguinte. Este autêntico templo do vinho foi sem dúvida o ponto alto da nossa passagem por Greve in Chianti.

Seguimos caminho pela região para fazer uma breve paragem em Volpaia, uma minúscula vila medieval de ruas estreitas, casas de pedra e portas e janelas de madeira, com uma vista incrível para as planíces da região. Para lá chegar, há que subir por uma estrada sinuosa repleta de árvores ciprestes de cada lado que nos leva ao topo da vila, onde se localiza o Castello de Volpaia e 2 ou 3 cafés e restaurantes. Aqui a vida parece ter outro ritmo e Volpaia parece ser o local ideal para uma férias mais tranquilas e relaxadas. Quanto a nós, depois de umas voltas pelas poucas ruas da vila, voltámos à estrada com destino a San Gimignano, a última paragem antes de seguir para Siena.

Cerca de 1 hora depois de sairmos de Volpaia chegamos a San Gimignano, uma das mais conhecidas cidades da Toscana, também conhecida por “cidade das torres bonitas”. Na sua origem estão as 72 torres-casa que existiram em tempos e das quais actualmente restam apenas 14, erguidas no topo do Val d’Elsa. Depois de muitas voltas à procura de estacionamento (algumas delas provavelmente por caminhos interditos), estacionámos o carro num dos muitos parques fora das muralhas e seguimos caminho a pé até ao centro desta cidade medieval. O ideal é ir andando pela suas ruas e ir descobrindo San Gimignano desta forma, assim como as suas vistas panorâmicas para a paisagem. E basta um passeio pelo centro histórico de San Gimignano para perceber o porque de ser considerado Património Mundial da UNESCO. A principal e mais bonita praça da cidade é a Piazza della Cisterna (ou Piazza del Duomo) com o seu poço medieval no centro e perto de onde se encontra a Collegiata di Santa Maria Assunta – o Duomo de San Gimignano – e a Torre Grossa, a mais alta torre da cidade. É nesta praça que se situa uma prestigiada gelataria, onde acabámos por comer uns gelados artesanais antes de voltar para o carro e seguir viagem até Siena. San Gimignano é também uma perdição no que respeita às peças artesanais que ali se podem encontrar entre as muitas lojas de rua.

Como chegamos ao final da tarde a Siena, já não tivemos muito tempo para passear pela cidade durante o dia. Feito o check-in na nossa casa que encontrámos no AirBnb, seguimos para a cidade. Estacionámos o carro na Porta Romana, que entre as 20:00 e as 8:00 é gratuito, e entramos para as muralhas em busca de um restaurante para jantar. Demos ainda umas voltas pelas ruas de Siena durante a noite, passando pela Piazza del Campo, Palazzo Comunale e a Fonte Gaia antes de ir jantar uns pratos de pasta fresca acompanhados, naturalmente, por vinho da região na Osteria Pizzaria Sotto le Logge del Papa.

No dia seguinte, antes de seguir a longa viagem até ao próximo destino – Pompeii – , voltamos ainda ao centro de Siena para conhecer a cidade durante o dia. Como na maior parte das cidades históricas italianas, o trânsito é condicionado dentro das muralhas e o estacionamento gratuito quase inexistente por isso deixámos o carro num parque pago perto da Basilica di San Francesco. E foi precisamente por aí que entrámos para dentro das muralhas e fomos seguindo caminho pelas ruas características até ao Santuario Casa di S. Caterina Basilica San Domenico. Santa Caterina di Siena foi uma das mais importantes figuras da igreja católica e Santa Padroeira de Roma, Itália e da Europa e, tendo nascido em Siena, é aqui que se pode encontrar a Catedral em seu nome. Seguimos novamente entre as ruas de cor avermelhada até à Piazza del Campo, conhecida em todo o mundo pelo Palio delle Contrade, uma histórica corrida de cavalos em redor da praça que acontece por duas vezes por ano. Entre inúmeras paragens pelos seus encantadores edifícios históricos, seguimos até ao Duomo di Siena e Battistero Di San Giovanni, duas das grandes outras atracções da cidade pela sua grandeza monumental e pela sua fachada em mármore branco e decorações em verde.  Já depois de um almoço rápido, foi hora de nos fazermos à estrada.

Assim terminou a nossa passagem pela Toscana, onde cada cidade ou vila transparece uma identidade própria que nos faz viajar no tempo e nos transporta para uma atmosfera medieval de tranquilidade. A viagem de quase 5 horas segue em direcção a Pompeii. A cidade com vista para o vulcão Vesúvio servirá de base para explorar a região de Nápoles, Pompeii, Costa Amalfitana e Capri durante os próximos 5 dias.