Diário de Bordo

Dia 6 | Lucca, Pisa e Tavernelle, no regresso à Toscana

Saímos de Serenella de manhã em direcção a Lucca, o primeiro ponto de paragem na descida de volta à Toscana. O destino final para essa noite era Tavernelle, uma pequena aldeia na região Toscana onde tínhamos encontrado um quarto privado no Airbnb. Mas não sem antes parar em Lucca e Pisa.

A cidade das 100 igrejas tem tanto para ver que apenas um dia parece ser pouco tempo para explorar todos os seus recantos. A cidade que, à primeira vista, aparenta ser pequena acaba por surpreender. Basta atravessar as suas muralhas, ainda bem preservadas, para perceber que por entre todas as ruas e ruazinhas laboritincas há muito para conhecer.

Como o trânsito é restrito dentro das muralhas, deixamos o carro estacionamento num parque de estacionamento gratuito a cerca de 1km. O caminho tinha sido agradável, não fossem os 35 graus logo de manhã.

Assim que entramos dentro das muralhas por uma das suas 6 portas, encontramos uma cidade que parece ter ficado perdida no tempo, mas que ao mesmo tempo evoluiu para os dias de hoje. São 5 quilómetros de muros de pedra construídos no século XVI para proteger a cidade e que ficaram preservamos até hoje. Entre as ruas medievais e monumentos históricos, existe uma enorme quantidade de lojas de comércio local e tradicional, assim como lojas de grandes marcas internacionais.

O ideal para conhecer Lucca é ir passeando calmamente pelas suas ruas e ir descobrindo os seus recantos. Via Fillungo é a rua principal da cidade, que atravessa todo o centro histórico e nos leva até à Basillica de San Frediano e à Piazza dell’Anfiteatro. Giacomo Puccini, um dos mais conhecidos compositores italianos em todo o Mundo, era deLucca e por isso são inúmeros os monumentos em sua homenagem na cidade que o viu nascer, como o Museo do Puccini. Entre outros pontos a não perder encontram-se a Torre Guinigi,  Duomo di San Martino, Palazzo Ducele di Lucca. A Piazza de San Michele é o coração da cidade e é nela que se encontra a igreja San Michele in Foro. O almoço tardio foi o pior até então, serviu apenas para esquecer a fome, mas o gelado artesanal ao final da tarde serviu para compensar.

Já ao final do dia e a caminho do nosso Airbnb para a próxima noite, fizemos a paragem obrigatória em Pisa para a típica fotografia da torre inclinada. Deixamos o carro fora do centro histórico num parque gratuito a pouco mais de 1km da torre. Ao chegar perto da torre foi um misto de desilusão e dever cumprido. A torre, que está de facto torta, é muito mais pequena do que pensávamos, mas ainda assim vale a paragem para umas fotografias. Em seu redor, é possível ver milhares de turistas em busca do melhor ângulo para tirar a fotografia da praxe a segurar na torre. Demos a volta ao jardim onde se situa a torre e vimos ainda os outros marcos históricos que também aí se encontram: Cattedrale di Pisa, Piazza del Duomo e o Batistero di Pisa. Ainda comprámos uns souvenirs de recordação e voltámos para o carro para seguir viagem.

Seguimos então para Tavernelle de Piazza, uma pequena e simpática vila Toscana, onde era a nossa estadia nessa noite. O nosso host, o Lorenzo, recebeu-nos com uma enorme simpatia e deu-nos algumas dicas do que fazer. Por ser terça-feira, acontece todas as semanas durante o Verão um mercado tradicional – Summer Market – no centro da vila. Os restaurantes colocam mesas na rua e juntam-se a outras tantas bancas de rua para fazer a festa. Seguimos o seu conselho e fomos até ao largo onde a festa acontece  e onde jantámos também a típica Bisteca alla Florentina, uma costeleta de vaca assada na brasa. Num processo algo peculiar, fomos ao talho ao lado do restaurante comprar a nossa própria carne, cortada na hora à nossa medida e entregue em mãos no restaurante, para que fosse grelhada no carvão. Acompanhada por uma salada mista e um vinho da região esta foi possivelmente uma das melhores refeições de toda a viagem. A carne é espessa (o nosso bife tinha uns modestos 800 gramas) e, além de suculenta e macia, é super saborosa. O nome deste prato tradicional toscano provém de uma antiga tradição florentina, onde na festa de San Lorenzo patrocinada pela família Medici, toda a cidade ficava iluminada e era servida esta carne bovina a toda a população.

A noite terminou com um passeio pela festa da aldeia para provar também um dos doces típicos da região, antes de regressarmos a casa. No dia seguinte, seguimos viagem para a zona de Chianti, San Gimignano e Siena, onde vamos ficar a dormir numa pitoresca casa tradicional toscana.