Diário de Bordo

Dia 4 | Cinque Terre, as pitorescas vilas da costa italiana

Saímos de Florença ao final do dia em direcção a Serenella – uma pequena aldeia perdida no meio das montanhas. Pela pouca oferta e preços elevadíssimos em qualquer uma das terras de Cinque Terre, optámos por ficar num quarto privado que encontrámos no Airbnb. Entre curvas e contra-curvas, ruas estreitas e a pique, lá encontrámos aquela que será a nossa casa para os próximos 3 dias e a base para explorar parte da Riviera italiana: a região de Liguria. Como chegámos já de noite, tivemos tempo apenas para fazer o check-in, deixar as malas no quarto e ir em busca de um restaurante para comer em La Spezia, uma cidade a cerca de 15 minutos. A Serena, a nossa host, deu-nos algumas dicas de sítios para jantar e assim que chegámos a La Spezia fomos em busca de um dos restaurantes recomendados, que quando lá chegámos estava completamente cheio para aquela noite. Acabámos por comer no primeiro restaurante que nos pareceu aceitável e que nos servia aquela hora, o que acabou por ser uma má escolha porque apesar da comida não ser má, não convenceu. Antes de voltar para casa ainda apanhamos uma boa molha porque começou a chover e a trovejar.

No dia seguinte, tomámos o pequeno-almoço com vista para as montanhas e saímos novamente para La Spezia, onde deixamos o carro num parque público e gratuito perto da estação de comboios e  comprámos o bilhete para visitar Cinque Terre. O 5 Terre Card Train custa 16 euros e permite, durante um dia, fazer as viagens de comboio ilimitadas entre La Spezia, as Cinque Terre e Levanto e utilizar os shuttles que existem em cada um delas.

Nós optámos pelo comboio para viajar entre vilas e por andar sempre a pé dentro delas. Como o trânsito na maior parte das terras é limitado ou condicionado, acabou por ser a melhor opção. No entanto, existem outras opções como ir de carro e deixá-lo estacionando perto das vilas e ir a pé, ir a pé pelos trilhos pedonais entre elas ou ir de barco.

Cinque Terre é o nome dado ao conjunto de cinco aldeias situadas na acidentada costa de Liguria e que compõem o Parque Nationalle de Cinque Terre. As 5 aldeias piscatórias – Riomaggiore, Manarola, Cornigla, Vernazza e Monterosso al Mare – juntamente com Portovenere e as ilhas Palmaria, Tino e Tineto são consideradas Património da Humanidade pela UNESCO. As suas paisagens e beleza natural são a principal razão que lhe atribuiram tal estatuto.

Riomaggiore é a primeira das 5 vilas para quem vem de La Spezia e foi também a nossa primeira paragem. É possível sair em qualquer uma das estações ou ir directamente até Monterosso, a última vila, mas nós optamos por vistar vila a vila.

Riomaggiore

A vila que teve na origem do seu nome o facto de ter crescido nas margens do rio (Rivus Maiore). As casas construidas nas encostas da costa em quase em “V”, resultam numa paisagem cénica com uma rua central principal que termina à direita no azul Mediterrânico do mar ao fundo. Esta vila tem ligação para Manarola pela Via dell’Amore – uma rua onde os casais apaixonados de ambas as aldeias juravam amor eterno – que se encontrava fechada na altura em que a visitamos e por isso não foi possível fazer o trilho a pé de cerca de 20 minutos com vista privilegiada para o mar e para as montanhas. Explorámos a principal rua da vila e a zona junto ao mar e seguimos de volta ao comboio para ir até à terra seguinte: Manarola.

Manarola

É a mais pitoresca e artística das vilas. Além de toda a cidade parecer saída de uma obra de arte, tem uma imensa história ligada à Segunda Guerra Mundial. Com as suas casas coloridas por entre as ruas estreitas que terminam junto ao mar, a vila foi construída em cima de uma rocha a cerca de 70 metros do nível do mar. Foi aqui provamos um dos petiscos tradicionais da região: uns cones com uma mistura de frutos do mar como calamares, camarão e peixinhos fritos bem temperados com limão da região.

Corniglia

Corniglia é diferente das restantes terras. É a única vila que não têm acesso pelo mar porque está situada no topo das colinas. Para lá chegar é preciso subir perto de 400 degraus desde o nível do mar. A caminhada entre a estação de comboios e vila é longa. E só quando chegamos ao topo, depois de uns bons 30 minutos sempre a subir à torreira do sol, é que nos apercebemos que existia um shuttle bus que fazia a ligação entre a estação e o centro da vila. É uma vila diferente das outras, muito mais virada para a parte agrícola e com um centro histórico muito bem conservado.

Vernazza

Na minha opinião, a mais espectacular das “cinco terras”. Vernazza fica localizada na curva de uma encosta sobre o mar e tem uma estreita baía repleta de pequenos barcos coloridos que compõem a paisagem. De diferente lados da baía, a vista para o mar e para a encosta repleta de casas em tons de encarnado e a caracteristica torre amarela da Igreja Santa Margherita d’Antiochia parece tirada de um postal. Ao fundo é também possível ver os comboios a passar entre os túneis. O pontão rochoso que separa o porto serve também de praia para quem quer aproveitar os raios de sol, com vista privilegiada para o Mediterrâneo. Éramos para ter feito percurso a pé entre Vernazza e Monterosso, mas como é um dos mais irrgulares e demora cerca de 2 horas a completar o trilho de 4km, optámos por apanhar o comboio até a última aldeia e aí aproveitar o fim do dia.

Monterosso

Chegamos a Monterosso já ao fim da tarde, mas ainda tivemos tempo para dar uma volta pela vila. Esta é a vila mais virada para banhos de sol e mergulhos no mar de águas claras e cristalinas, já que é a (quase) única que tem praias extensas na sua costa. É a maior e, provavelmente, a mais evoluída das 5 vilas, com uma influência moderna que é possível ver nas suas construções no centro da vila. São aqui que se situam os maiores e melhores complexos hoteleiros da região. Existe ainda uma vila histórica do lado oposto do centro moderno da vila.

A viagem terminou precisamente na última das 5 vilas e depois visitadas todas elas, apanhámos às 21:35 o comboio de volta para La Spezia, que demorou cerca de 30 minutos. Já em La Spezia voltamos a tentar ir jantar ao restaurante da primeira noite que, mais uma vez, não tinha disponibilidade. Acabámos por desistir e voltar para casa para descansar para o dia seguinte.