Diário de Bordo

Dia 1, 2 e 3 | Florença, um museu de arte a céu aberto

O voo com destino a Roma saiu de Lisboa à hora prevista: 6:50. Não fosse o destino final, acordar tão cedo tinha sido um suplício. À chegada aos aeroporto de Fiumicino, levantamos aquele que vai ser o nosso meio de transporte principal durante os próximos dias: um Fiat 500. E é também aqui que começam as peripécias. O único Fiat 500 disponível tinha mudanças automáticas, mas como queríamos muito que fosse este modelo, dissemos que não havia problema. Fact check: não sabiamos guiar um carro automático. O que se seguiu foi quase uma hora a tentar colocar o carro a andar e sair do estacionamento. Digno de ser visto e de ser contado, tal não foi o ridículo da situação, que nos levou umas boas gargalhadas.

A viagem seguiu em direcção a Florença, a maior cidade da província Toscana. 3 horas depois chegamos ao nosso hotel (Together Florence Inn) para fazer o check-in e seguimos para a cidade, a tempo de aproveitar o resto da tarde e ver um fantástico pôr-do-sol. Como o estacionamento é condicionado em algumas zonas da cidade, deixamos o carro num parque pago (Parking Beccaria – 6,80€ por 5 horas). Já o sol se tinha posto, atravessámos o rio Arno para jantarna Enoteca Fuori Porta – o menu foram crostinis, bruschetta de tomate e manjericão e vinho da região Toscana para acompanhar.

No dia seguinte optamos por deixar o carro no hotel e apanhar o autocarro até ao centro de Florença. Como tínhamos comprado online os bilhetes combinados para o Il Duomo, a manhã e o início da tarde foram passados a visitar estes monumentos. O conjunto arquitectónico da catedral, localizado na Piazza del Duomo, inclui a Cattedrale di Santa Maria del Fiore, o Battistero di San Giovanni e o Campanile de Giotto, e são património Mundial da UNESCO e marcos históricos da cidade. O bilhete dá acesso à catedral, à cúpula de Brunelleschi e à torre do campanário de Giotto e permite evitar as longas filas de espera para entrar.

A catedral de Santa Maria del Flore, ou Il Duomo di Firenze como é conhecido, é uma catedral gótica que começou a ser construída em 1296. Ícone da cidade e um dos símbolos mais reconhecidos da arquitetura renascentista, Il Duomo é um momento imponente. Foi finalizada, em 1436, com a construção da sua cúpula por Filippo Brunelleschi e é uma das maiores e mais robustas igrejas da Europa. A sua cúpula octogonal em tijolo foi durante séculos um mistério para muitos, pela forma como foi construída. Ao contrário do que era feito, a cúpula não foi construída com um suporte em madeira, mas através de uma série de mecanismos que a tornaram na primeira cúpula construida desta forma. Do topo da cúpula e do campanário é possível desfrutar da vista panorâmica incrível sobre toda a cidade. Mesmo por entre escadas estreitas e inclinadas, vale a pena subir os mais de 400 degraus de cada uma delas para apreciar Florença vista do alto.

Antes de visitar o museu Opera del Duomo almoçámos umas sandes típicas com produtos frescos no All’Antico Vinaio. Seguiu-se o Museo dell’Opera di Santa Maria del Fiore, um museu dedicado a preservar as obras de arte e elementos arquitectónicos do complexo constituído pela catedral, campanário e batistério. Do outro lado da catedral situa-se o igualmente impressionante bastistério dedicado a S. João Baptista (Battistero di San Giovanni). Depois de passar as suas magníficas portas de bronze, nomeadas por Michelangelo com as “Portas do Paraíso”, encontramos no seu interior um tecto em mosaíco pintado por vários artistas de Florença.

Continuamos até à Piazza della Signoria, considerada uma das maiores praças de Florença. Aqui é possível ver grandes obras de arte como o Palazzo Vecchio, a réplica da famosa estátua de David de Michelangelo, a réplica do Marzocco de Donatello – a escultura de um leão, símbolo de Florença – e a Fontana del Nettuno. Florença é considerada o berço do Renascentismo e é hoje uma cidade rica em arte e cultura, espalhada pelas suas ruas medievais, galerias de arte, museus e monumentos. Seguimos o passeio pelas ruas de Florença, passando pela Piazza della Repubblica, Mercato del Porcellino, Palazzo Pizzi, indo até junto ao rio, onde se situa a Ponte Vecchio. Esta é a mais famosa das 7 pontes de Florença que atravessam o rio Arno, principalmente pela sua construção em 3 arcos e pela quantidade de joalharias e ourivesarias que percorrem todo o seu comprimento. Foi também altura de experimentar os artesanais gellatos italianos e seguir de volta para o hotel. Como já era tarde, o jantar foi uma pizza que fomos buscar a uma pizzeira que ainda estava aberta.

O dia seguinte foi passado a conhecer Florença do lado contrário do rio Arno. Nesta zona situa-se a Piazzale Michelangelo, o Palazzo Pitti e os Giardino Bardini Giardino di Boboli. A subida a pé até à Piazzale Michelangelo é cansativa, não fosse a súbida inclinada e os 34 graus. No centro da praça encontra-se a estátua de David e algumas bancas com souvenires, mas a vista incrível para Florença que compensa qualquer esforço. Seguimos a súbida até a Abbazia di San Miniato al Monte e visitámos o Giardino delle Rose, antes de continuar a súbida até ao Giardino Bardini. À entrada, ao comprar os bilhetes, fizemos uma amiga: uma italiana completamente apaixonada por Portugal que só nos dizia, num misto de inglês e italiano, que adorava Portugal, nomes de cidades portuguesas e que ia estar em Lisboa de férias dai a umas semanas. Desta feita, o cartão português valeu-nos um super desconto no preço dos bilhetes para ambos os jardins (5 euros cada, em vez dos 10 habituais).

Por fim, seguiu-se o Giardino di Boboli, que fica nas traseiras do Palazzo Pitti, a maior e mais majestosa residência de Florença. O palácio foi residência real de várias distanias florentinas e alberga hoje importantes coleções de arte, desde pinturas a escultura, porcelanas e outros objectos artísticos. O jardim de Boboli, um dos primeiros e mais famosos jardins italianos, está repleto de esculturas de figuras mitológicas, estátuas, lagos, árvores e canteiros coloridos. Entre eles, a Fontana di Nettuno, a fonte cujas águas irrigam o jardim, e um valioso obelisco egípcio colocado no centro do anfiteatro.

A passagem por Florença terminou perto do final do dia, quando regressámos ao hotel para ir buscar o carro e seguir em direcção ao próximo ponto da nossa viagem – uma pequena vila perdida no meio das montanhas junto ao Parco Nazionale delle Cinque Terre.