Diário de Bordo

Dia 1, 2, 3 e 4 | Paris, uma visita relâmpago à cidade-luz francesa

“Paris is always a good idea”, dizem. E de facto, confirma-se. Paris é, efetivamente, sempre uma excelente ideia.

Os preços baixos entre Lisboa e Paris convenceram-me, no ínicio de Fevereiro do ano passado, a revisitar a capital francesa. 4 dias e 3 dias serviram para relembrar o porquê de esta ser a cidade que inspirou (e continua a inspirar) milhares de artistas. Escritores, poetas, cinematógrafos, cantores, todos eles se apaixonaram pela capital francesa e é fácil perceber o porquê.

O voo que saiu de Lisboa ao final da tarde chegou à cidade das luzes precisamente na altura certa para, da janela do avião, ver a cidade imersa num jogo de luzes impressionante. Depois de aterrar no aeroporto de Orly por volta da meia-noite (Midnight in Paris? Quase clichê.), chego ao hotel Hôtel Louvre Piemont, que fica localizado a pouco minutos do museu do Louvre – onde na mesma manhã um soldado tinha aberto fogo contra um alegado terrorista que tinha tentado forçar a entrada. Uma óptima escolha, portanto…

No sábado, depois de um pequeno-almoço tardio e repleto de clássicos franceses, seguimos rumo ao Musue du Louvre, onde ainda se notava um ligeiro aparato devido aos acontecimentos do dia anterior: segurança reforçada com militares e polícias armadilhados até aos dentes, e jornalistas por todo o lado. Continuamos caminho debaixo da chuva miúda que cai e que, apesar de não incomodar, também não ajuda à paisagem.

Seguimos até os Jardin de Tuileries, um dos mais centrais, históricos e bonitos jardins de Paris. A sua localização é expecional e a sua grandeza faz-nos perceber o porque de ser neste jardim que bate o coração da cidade.  Como entrámos pelo jardim a partir do Louvre, passámos pelo Arc de Triomphe du Carrousel, construído por Napoleão para celebrar as suas vitorias. Este arco dá inicio ao Jardin du Carrousel, um jardim repleto de esculturas que foi construído para ligar o Louvre ao Tuileries.

Pelo caminho, as árvores meticulosamente podadas oferecem um efeito gráfico incrível. No final do jardim fica o Musée l’Orangerie, onde é possível admirar obras de Monet, Renoir, Picasso ou Rosseau. Segue-se a Place de la Concorde, a segunda maior praça francesa e palco de importantes acontecimentos na história do país – desde casamentos reais à sede da guilhotina durante revolução francesa. Hoje, é uma das mais bonitas e emblemáticas praças da capital francesa e casa de um magnífico obelisco egípcio.

Continuando o passeio, passamos pelo Grand Palais e Petit Palais, e vamos até a prestigiada Avenue des Champs-Élysées, onde acabamos por almoçar antes de seguir até ao Arc du Triomphe. Aproveitamos que ainda era em altura de saldos para visitar algumas lojas e fazer algumas compras (cliché máximo) e seguimos caminho de volta por uma das mais requintadas ruas de Paris.

Entretanto, um dia que parecia arruinado pelo mau tempo, depois de voltar a chover com mais intensidade, apresenta-se com uma aberta de céu com uma vista esplendorosa para a torre Eiffel, onde ao fundo o céu escuro e nublado dá lugar a um céu azul iluminado com os rastos de sol de final de tarde.

Já com vista para o rio Sena e junto à Flamme de la Liberté, uma réplica da chama carregada pela Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, que com o passar dos anos se tornou também uma homenagem não-oficial à Princesa Diana – por se encontrar perto do local onde a princesa sofreu o acidente em 1997.

O final da tarde foi passado a caminhar junto ao Sena, com a cidade iluminada, até chegarmos à Pont des Arts, onde atravessamos para o lado contrário do rio para dar a volta pela Pont Neuf, duas das muitas icónicas pontes da cidade.

Quando o sol se pôs e deu lugar a uma cidade iluminada, caiu também a temperatura e era altura de aquecer o corpo e a alma numa das mais conhecidas casas de chá de Paris – a Angelina –, para desta vez desfrutar do delicioso e conhecido chocolate quente que é servido neste local tipicamente parisiense. L’Africain, como é conhecido, é provavelmente o melhor chocolate quente da cidade e é feito com chocolate fundido lentamente que o torna extremamente cremoso e encorpado, ideal para um final de dia frio de Inverno. Antes de regressar ao hotel, foi tempo ainda de caminhar pela Avenue de l’Ópéra e ir até às Galeries Lafayette.

No domingo, saímos por volta das 10:00 do hotel, atravessamos o Sena e alugámos umas bicicletas para passear pela cidade durante aquele dia. Uma das melhores formas de conhecer Paris, além de andar a pé, é andar de bicicleta. A cidade está completamente preparada o fazer e este é um meio de transporte utilizado frequentemente, não só pelos parisienses nas suas deslocações do quotidiano, mas também pelos turistas.

O sistema Velib permite alugar uma bicicleta e está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Uma vez retiradas as bicicletas, é disfrutar do passeio e, no final, entregar a bicicleta em qualquer outra estação. O truque é comprar o bilhete de 1 dia e aproveitar o período gratuito, trocando de bicicleta de 30 em 30 minutos. A primeira meia hora é grátis e assim só se paga o valor do bilhete diário (1,70€). A compra pode ser feita em qualquer uma das estações espalhadas pela cidade, onde é atribuído um código que dá acesso a uma bicicleta durante 24 horas. Existem outras opções, mas optámos por alugar apenas 1 dia, que nos deu para o domingo e umas horas de segunda-feira, até quando prefez as 24 horas.

Já de bicicleta vamos em direcção ao Jardin du Luxembourg, onde o sol começa a dar o ar de sua graça. Depois de um passeio pelo jardim, seguimos a pé pelas margens do Sena, com os seus inúmeros quiosques de artistas. Seguimos até ao próximo destino: a Catedral de Nottre-Drame.

Segue-se o pitoresco bairro Le Marais – um antigo bairro aristocata, que hoje é um dos bairros mais cool de Paris. Repleto de lojas, cafés, bares, sinagogas, galerias de arte, livrarias e artistas pelas ruas, este é o bairro ideal para fazer um passeio a pé. Por ali não nos termos que preocupar com o tempo e até nos sentimos um bocadinho parisienses. Pelo caminho, tivémos direito a um espectáculo de um pianista a tocar literalmente no meio da ponte Saint Louis, no seu piano de cauda.

Fizemos por ali algumas compras, antes de um almoço tardio no Chez Hanna – um restaurante judeu na Rue des Rosiers, onde comemos o típico fallafel. Seja para pedir à janela para levar ou para entrar e sentar, este é um dos pontos a não perder. Foi por esta descontraída e colorida zona de Paris que passamos o resto da tarde. Não faltou a passagem por alguns dos seus pontos turísticos, como a Torre Saint-Jacques ou o Hôtel de Ville.

Ao cair da noite, voltámos ao hotel para deixar as compras e vamos de Velib até à Fondation Louis Vuitton. Passámos novamente por alguns dos mais icónicos pontos de Paris, agora iluminados – Louvre, Tuileries, Champs-Élysées, Arc du Triomphe.

A fundação, criada pelo grupo LVMH, é casa do extenso expólio de arte de Bernard Arnault e de inúmeras colecções temporárias. Numa iniciativa privada com o propósito de promover a arte e a cultura. O edífico é por si só uma verdadeira obra de arte: um misto entre um gigantesco icebergue e um navio futurista de vidro colorido.

Já de noite, vamos de bicicleta até ao topo dos Jardins du Trocadéro, onde temos uma vista desafogada para a torre Eiffel – agora iluminada, e a ilumiar a capital francesa. Apanhamos depois um Uber, que partilhamos com uma francesas com uns tios portugueses e que costuma passar férias em Portugal. Vamos à conversa até chegarmos ao destino final do dia: o Moulin Rouge.

Na segunda-feira, o último dia em Paris, aproveitámos a manhã e o facto de ainda termos umas quantas horas de Velib para passear pela zona de Montmartre e ir até Sacre Coeur. De regresso ao hotel, fazemos o check-out e eu aproveito para deixar a mala na recepção. Como o meu voo era só ao final da tarde, aproveito para passear novamente pelas margens do Sena, desde o Louvre até à torre Eiffel.

Por volta das 15:00, regresso para ir buscar a mala e sigo para o aeroporto de Orly. Apesar da rede de transportes ser bastante rápida e acessível – uma viagem de metro desde Louvre até, onde um electrico nos leva até ao terminal sul do aeroporto – a chegada ao aeroporto foi mais atribulada. Troquei o terminal de partida e foi uma correria parac correcto. Ainda foi preciso passar a zona de segurança, que estava extremamente apertada pelos acontecimentos da sexta-feira anterior, e cheguei em cima da hora à porta de embarque, que calhou ser nos confins do aeroporto. Tudo isto, para o voo atrasar. Apesar dos contratempos finais, a magia de Paris vale com que valha sempre a pena.

Afinal, “Paris est toujours une bonne idée”.