Diário de Bordo

Dia 21, 22 e 23 | Nusa Lembongan, nadar com mantas na despedida

No dia da partida de Sanur para Nusa Lembongan, tomo o pequeno-almoço no hotel e saio para dar mais uma volta ali por perto e para fazer mais umas compras. O motorista chega à hora combinada e leva-me até ao local de onde parte o barco rápido para Lembongan.

Na realidade, leva-me até à praia porque a entrada no barco é feita literalmente pela água, sem qualquer plataforma. N-A-D-A. Directamente pela areia, com os pés na água e upa! para o barco, enquanto as malas são carregadas nas costas da crew. Que classe! O barco rápido demora cerca de 30 minutos e é uma viagem um tanto ou quanto atribulada devido à forte ondulação do mar. Por vezes, quando o barco bate na água parece que se vai partir ao meio. Entretanto, adivinhe-se… Começa a chover. Mas chego inteira à ilha, onde nos espera uma carrinha para deixar as pessoas nos seus hotéis.

Aqui, são muito poucos os carros que circulam, apenas carrinhas das companhias de turismo e hotéis, e as deslocações pela ilha são feitas essencialmente de mota ou a pé (para os corajosos). Apesar dos inúmeros resorts que existem, Lembongan ainda está a nascer para o turismo e as infra-estruturas da ilha são (muito) muito pouco desenvolvidas. As estradas (uma “estrada” que percorre toda a ilha) mal tem espaço para um carro de cada lado.

Já o nosso motorista anda a alta velocidade e é uma conquista mantermos-nos todos na carrinha sem perder ninguém. Duas americanas do Texas que iam connosco na carrinha são as primeiras a sair, já que vão para outra ilha mesmo em frente de Lembongan – Ceningan – onde a passagem era feita através de uma conhecida ponte suspensa amarela que, infelizmente, colapsou no passado mês de Outubro ou de barco, a única alternativa por agora.

Eu sou a última a ser deixada no hotel (Sunset Garden Nusa Lembongan), onde tenho uma inacreditável vila à minha espera – o meu pequeno luxo antes de voltar a casa. Na verdade, só é luxo quando compararmos o preço dos locais onde tenho ficado, já que 2 noites nesta vila privada custaram 85€.

No check-in pergunto se posso alugar uma bicicleta e aconselham-me a não o fazer já que é complicado pedalar por estes lados (mais tarde, percebo porque e agradeço) e opto então por alugar uma mota para o dia seguinte, por menos de 6€ (80.000 IDR), já que preciso de estar na escola de mergulho às 7:30. Como não pára de chover, fico pelo hotel e aproveito a piscina meio salgada da água do mar e a vista da varanda da minha pequena vila e do meu (quase) privado resort, já que eu e outro casal somos os únicos hóspedes por aqui.

No dia seguinte, vou buscar a minha mota e saio para a escola de mergulho. Paro de 2 em 2 minutos para ver no GPS se estou no caminho certo e tento ter imenso cuidado, já que as regras de trânsito aqui (como na maior parte do países por onde passei) parecem não existir. A cada curva, mudança de direcção, não há cá paragens. É apitar e rezar para quem vier em sentido oposto oiça que vem dali alguém.

Já no centro de mergulho conheço a dive master que nos vai acompanhar, a mim e ao casal brasileiro que ia mergulhar comigo, mas que como não mergulha há uns anos acaba por não poder fazer o mergulho. Isto que significa que vou ter uma sessão de mergulho privado com a Noule, a guia de mergulho francesa que está ao rubro por irmos só as duas.

O primeiro local de mergulho é em Crystal Bay, na costa de Nusa Penida (a terceira ilha que compõe este trio de ilhas mesmo em frente a Bali – Nusa Lembongan, a minúscula Nusa Ceningan e a maior mas menos populada Nusa Penida), a cerca de 30 minutos de barco. Pelo caminho é possível ver as incríveis paisagens da costa de cada uma destas ilhas, totalmente paradisíacos e de cortar a respiração, um misto entre o azul cristalino do mar e a verde costa quase intocada.

A vida nestas ilhas é simples, muito mais calma e relaxada que em Bali e as principais atracções são essencialmente naturais, como o mergulho, snorkeling, surf, as praias e o incrível pôr-do-sol. O percurso de barco é um bocado agressivo e agradeço ter aceite a sugestão da minha guia francesa e ter tomado um comprimido para o enjoo. Em conversa com a Noule, explica-me que também ela esteve a viajar sozinha pelo sudoeste asiático e Nova Zelândia e que acabou por trocar Paris por Lembongan e ficar por aqui, como instrutora de mergulho, e adora o que faz. Vá-se lá perceber… Sniiiff!

Como a zona onde vamos mergulhar é conhecida por ter uma forte corrente, é-me dado o briefing detalhado para que corra tudo bem. Assim que chegamos e caímos na água é possível perceber que a corrente está bastante forte e acabamos por descer apenas até aos 15 metros, mas ainda assim conseguimos ver o fundo cheio de vida. De volta ao barco, partimos para mais 45 minutos de viagem, que nos levam ao segundo ponto de mergulho: Manta Point. Como o próprio nome indica, é um ponto de mergulho de excelência onde existe uma grande probabilidade de ver e nadar com mantas.

Ainda no barco, a Noule diz-me que desde a semana anterior que tinham ido mergulhar ali e nada de mantas, mas que estava a torcer para que as conseguíssemos ver. Uns minutos depois de termos caído na água e descido, começo a ver a Nouele a apontar efusivamente no sentido oposto e quando olho para trás percebo porquê. Uma manta enorme passava a poucos metros acima de nós e pouco depois junta-se a ela uma outra, mais pequena.

Como somos só as duas, seguimos em direcção oposta ao resto do grupo do barco e conseguimos ver imensos peixes e tipos de corais diferentes. Encontramos a Dori, o Nemo, o pai do Nemo, a familía toda do Nemo, a família toda da Dori… Lagostas, peixe-trompeta, raias e mais centenas de peixes que ainda estou a aprender os nomes. Não sei quem é que está mais em êxtase, eu ou a Nouele, que não pára de fazer corações com as mãos e apontar para as mantas. Não tenho a certeza de ter apreendido este sinal nas aulas de mergulho… 🙂

Terminado o mergulho e já de regresso à escola, depois da viagem de barco que demora pouco mais de uma hora, fico ainda à conversa na escola durante algum tempo e de seguida pego na minha mota para voltar ao hotel para ir buscar a minha máquina fotográfica e explorar a ilha, já que a tempestade da noite anterior desapareceu por completo e o tempo é o melhor que apanhei nas últimas 3 semanas em viagem.

Pelo caminho, paro no topo de uma estrada que tem um restaurante com uma vista incrível para o mar e para o resto da ilha e é por ai que decido almoçar. Ainda ponderei em passar a tarde a fazer umas aulas de surf, mas decido aproveitar que tenho a mota pelo resto do dia para passar o resto da tarde a explorar a ilha. Mushroom Beach, Sunset Beach (também conhecida por Sandy Beach), Dream Beach, Devil’s Tears são os paraísos naturais onde passo a tarde, sendo que este último é uma espécie de penhasco com uma caverna onde o mar rebenta com toda a força e que devolve um espectáculo de ondas, som e cor simplesmente incrível. E é também por aqui que acabo por ver o sol a por-se e a encerrar aquele que será o meu penúltimo dia na Indonésia pois tenho voo no final do dia seguinte para o Qatar, o ponto de partida para o meu regresso a casa.

Regresso ao hotel já de noite, depois de me ter perdido umas quantas vezes pelo caminho, onde acabo por tomar banho na companhia de um Gekko – um espécie de réptil do Sudoeste Asiático.

No dia seguinte, acordo cedo para me despachar e aproveito o tempo que ainda tenho até me virem buscar para apanhar o barco de volta para Sanur para apanhar sol na piscina. À chegada a Sanur, tenho o motorista à minha espera para me levar a Kuta, onde vou passar o resto do dia antes de ir para o aeroporto pois o meu voo é apenas às 19:00.

Kuta é uma zona conhecida por ser extremamente turística e muito virada para as festas e vida nocturna e isso sente-se no ambiente vivido por ali. Como ainda tenho umas horas até ter que ir para o aeroporto ainda me desafiam para ir fazer uma aula de surf, mas decido que fica para uma próxima e acabo por almoçar na praia e passar ali o resto da tarde.

Na hora da despedida, fica a promessa de voltar a Bali em breve para explorar tudo aquilo que fico por conhecer. Bali foi uma agradável surpresa e já deixa saudades. Sem dúvida, um destino de sonho ao qual conto um dia regressar.

Uma rápida introspecção destes últimos 23 dias pelo Sudoeste Asiático, deixa a certeza de que esta será apenas a primeira de muitas viagens a solo pois em momento algum senti que isso fosse um impedimento para descobrir o mundo e fazer uma das coisas que mais gosto: viajar. Foi uma viagem repleta de aventuras, novas experiências, muita partilha e aprendizagem. Que venham muitas mais, sozinha ou acompanhada, porque há muito ainda por descobrir.