Diário de Bordo

Dia 14, 15, 16, 17 e 18 | Ubud, o verdejante coração de Bali

Apesar do atraso do voo de Yogyakarta para Denpasar, em Bali, a chegada ao aeroporto é tranquila e assim que recolho a minha mala tento apanhar um Uber para a minha primeira paragem em Bali. Depois do primeiro motorista ter desistido e de uma boa meia hora a tentar encontrar um Uber, dizem-me que os Uber estão proibidos de entrar no aeroporto e por isso ficam parados no parque de estacionamento. Já no carro, com um motorista que não fala inglês e que usa o Google Translate para se comunicar comigo, diz-me que como vou para Ubud tem que adicionar 100.000 IDR ao preço final. Digo obviamente que não e quando vou a sair do carro e ele lá diz que só pago o preço final e seguimos caminho. Acabo por pagar 160.000 IDR , 40.000 a menos do que os táxis pediam. Valeu o esforço.

Ubud fica a uns 40 km de Denpasar, onde fica o aeroporto, e pelo caminho começo a perceber nas ruas o ambiente que se vive em Bali, completamente diferente da Indonésia que fiquei a conhecer em Yogyakarta. À chegada ao hotel (Puri Padma Hotel) é impossível não ficar fascinada com este lugar. O meu quarto, no último piso do hotel, tem vista para os campos de arroz e para o Mount Batur (quando as nuvens decidem não estragar a paisagem).

Apesar de ser a cerca de 1 km do centro de Ubud, o hotel tem shuttles grátis para o centro da cidade. Perfeito! Pergunto ao motorista onde posso alugar uma moto, mas ele diz-me para ter cuidado porque uma hóspede do hotel tinha alugado uma e teve um acidente porque a roda saltou quando estava a andar. Decido que se calhar aproveito e shuttle e ando a pé pelo centro de Ubud.

Apanho o shuttle seguinte e vou passear pela cidade ainda durante a tarde. Visito o Ubud Palace, Puri Saren Agung, Pura Desa Ubud e passeio pela Jalan Monkey Forest, a rua principal de Ubud, onde acabo por almoçar. Andar em Ubud é uma canseira, não pelo andar, mas porque a cada 2 minutos há sempre alguém a tentar vender alguma coisa. “Taxi”, “taxi”, “taxi”… “No, thanks!” é capaz de ser a banda sonora de qualquer caminhada por Ubud.

Dou ainda umas voltas pelo Ubud Art Market,  também conhecido por Pasar Seni Ubud, um mercado mesmo no centro de Ubud onde se vende de tudo: artesanato, roupa, joalharia, etc; e onde é possível treinar as nossas técnicas de negociação. Logo na primeira peça que pergunto o preço pedem-me 125.000 IDR, agradeço e digo que estou só a ver e o preço cai para 100K, 75K e 50K só nos 5 segundos em que me viro para me ir embora. Dou mais uma volta só para perceber a oferta, porque quero voltar noutro dia com mais tempo.

No dia seguinte, apanho o shuttle da manhã em direcção ao centro de Ubud, tomo o pequeno-almoço num café-cheio-de pinta-estilo-Starbucks (Anomali Coffee) e vou visitar novamente o Royale Palace, as galerias Neka Art MuseumMuseum Puri Lukisan e mais uns quantos outros locais.

Ubud está repleto de galerias e ateliers de arte, lojas de artesanato, lojas de produção local (roupa, jóias, etc.) e é muito fácil perdermo-nos por aqui. Como à tarde tinha planeado ir à Monkey Forest – uma reserva natural que é o lar de centenas (ou milhares) de macacos de todos os tamanhos – e que fica no fim da Jalan Monkey Forest, acabo por passear por esta (longaaa) rua antes de almoçar. Já mais no fim da rua, começo a ver imensos macacos: a passar a estrada, a saltar dos telhados, em luta grego-romana nos passeios; e sinais a dizer para ter cuidado porque há macacos na estrada. Estou de certeza no sitio certo. Dou uma volta por aquela zona e acabo por almoçar num restaurante com óptimo aspecto – como tudo aqui em Ubud.

Até há bem pouco tempo atrás, Ubud era um segredo muito bem guardado no coração de Bali, uma espécie de meca artística do Sudoeste Asiático para os mais diversos artísticas de todo o mundo, que entretanto acabou por se revelar ao mundo no hollywoodesco filme “Comer Orar Amar” (Eat Pray Love).

Assim que se entra na Monkey Forest (o bilhete custa 40.000 IDR) é possível ver macacos por todo o lado. Grandes, pequenos, bebés… E é possível comprar bananas para lhes dar. Mas depois de ter visto um turista a ser praticamente violado por um macaco porque ele tinha bananas na mão, decido não arriscar. O parque é enorme e há macacos por todo o lado, pelo que é preciso ter imenso cuidado. Eu, ia sendo assaltada 3 vezes, por macacos diferentes que se agarram à minha mala e não a queriam largar. Um até me mostrou os dentes e o outro ficou agarrado aos meus calções a olhar para mim com ar de bambi. Lá consigo sair ilesa da perseguição de um macaco (Catarina 1 – Macacos 0) e mesmo no final da visita começa a chover torrencialmente, por isso apresso-me para apanhar o shuttle seguinte para o hotel. Nessa noite, regresso ao centro de Ubud para jantar e para dar mais uma voltas pela centro durante a noite, mas como continua a chover o passeio acaba por não ser muito longo.

No terceiro dia, é dia de conhecer um pouco mais dos arredores de Ubud numa tour que combinei com o motorista do hotel, que já é meu motorista privado e quase o meu melhor amigo. Tegallalang Rice Terraces, Tirta Empul (Holy Spring Temple), Gunung Kawi (Rocky Temple), Goa Gajah (Elephant Cave), Tegenungan Waterfalls e Pusa Desa Batuan (Batuan Temple) faziam parte do roteiro para o dia.

Começámos a viagem cedo para aproveitar que não está muito calor e a primeira paragem são os campos de arroz Tegallalang Rice Terraces, a norte de Ubud, um manto imenso verde de plantações. Tive sorte porque é altura da colheita e dentro de algumas semanas os campos já não estão tão verdes – que entretanto me explicaram que é feita 4 vezes por ano e o arroz é exclusivamente para consumo interno.

Seguem-se os restantes templos que ficam todos fora de Ubud e as famosas cascatas, conhecidas pela sua beleza natural e pelo sinal a dizer “Don’t worry, be sexy. But no naked”. Fico especialmente impressionada com o Holy Spring Temple, um templo com várias fontes com água proveniente do chão da fonte-mãe e onde os locais realizam rituais de purificação pois acreditam que estas águas purificam o corpo, alma e espirito, e o Rocky Temple, um composto com vários templos esculpidos nas rochas (alguns com mais de 8 metros de altura) e onde é preciso percorrer uma escadaria enorme para lá chegar, mas que vale muito a pena. Para entrar nos templos é preciso usar um sarong, um pano colocado à volta da cintura para cobrir as pernas em sinal de respeito pela religião e cultura hindu, que é dado aos visitantes à entrada.

Regresso ao hotel ao final do dia, onde acabo por pedir para ficar mais uma noite porque entretanto comprei um curso de cozinha balinesa para o dia seguinte (que entretanto acabo por não conseguir fazer, porque não foi confirmado a tempo) e ainda quero voltar ao Ubud Art Market.

Como acabei por não conseguir fazer o curso de cozinha, no dia seguinte apanho o primeiro shuttle para o centro de Ubud onde passo o dia a passear já que está bom tempo e aproveito para voltar ao mercado de arte para fazer as últimas compras e comprar o bilhete para o meu próximo destino: Amed. Desta vez, decido voltar ao hotel a pé e a meio do caminho, adivinhe-se… começa a chover novamente. Bali, estou a adorar-te, mas para a próxima volto fora da época de monções que isto de chover a toda a hora não dá com nada.