Diário de Bordo

Dia 8, 9 e 10 | Georgetown, a cidade que transborda arte

Acordo às 6:00 da manhã para fazer o check-out no hotel em Kuala Lumpur e apanhar o metro e o comboio para o aeroporto, pois tenho voo às 10:40 com destino à ilha Penang, onde fica a próxima cidade da minha viagem: Georgetown. Tal como Malaca, Georgetown é Património Mundial da UNESCO e tem inúmeros vestígios da ocupação inglesa que por lá passou.

Como é cedo e tenho de andar às voltas de mochila às costas, decido trocar os transportes pelo conforto de um Uber, que me leva ao terminal 2 do aeroporto de Kuala Lumpur, que fica a 60 KM do hotel (a viagem custa cerca de 15 euros). Chego ao aeroporto muito antes da hora prevista e como já tinha feito o check-in online, vou despachar a minha mochila e sigo para a porta de embarque. Entretanto, já no avião, dizem-nos que o voo está atrasado porque o avião tem um problema nas rodas (ERGH!…), mas que já está a ser resolvido. O avião lá levanta voo e depois que um snack preparo-me para descansar, quando o comandante diz que nos estamos a preparar para a aterragem. O voo dura apenas  55 minutos, que passam a correr.

Aterramos em Penang e os passageiros batem palmas efusivamente (e eu mentalmente também, confesso – depois da história no problema na roda, nunca se sabe). Estou à espera da minha mochila (deixo sempre cair uma gotinha de suor, com medo que a mala não apareça). E não é que não aparece mesmo… Lá o segurança nos diz que as malas do voo de KL também estão a sair na passadeira ao lado e os olhos até brilham quando vejo a minha Osprey.

Antes de sair do aeroporto, carrego o meu telemóvel malaio (10RM – 2€), compro mais 600 MBs por 7RM e chamo um Uber até ao meu próximo hotel: Time Capsule Hotel – volto a marcar um hotel-cápsula que parece ter saído do espaço e que me fica em 26€ para 2 noites. Passo a longa viagem (o caótico trânsito asiático nunca desilude) até ao hotel à conversa com o Pong, que trabalha numa empresa tipo Booking.com e é motorista Uber nos tempos livres porque gosta de falar com as pessoas. Muito simpático, dá-me imensas dicas do que fazer na ilha e de sítios que não posso perder.

Faço o check-in no hotel pouco depois das 13:00 e saio a pé para explorar a cidade, já que hotel fica relativamente perto do centro e é fácil ir para todo o lado a pé. Passo por pontos turísticos como a Blue Mansion, Sri Mariamman Temple, St. George’s Church. Desde templos chineses em Little India. mesquitas em Chinatown, a vestígios de arquitetura britânica um pouco por todo o lado, Georgetown é um misto de culturas, povos e heranças dos diferentes nações que foram passando pela cidade. Os cafés modernos com conceitos inovadores e a arte espalhada pelas ruas sobre as mais diferentes formas, contrastam com a herança de uma cidade que parece ter ficado perdida no tempo.

Nessa tarde, debaixo de uma chuva ligeira, continuo o passeio, passo pelas Clan Jetties – um genéro de vila chinesa de madeira construída em cima da água e vou ainda até à Macallum Street, onde à noite acontece o Macallum Street Night Market. De regresso à zona mais central da cidade, passo ainda pela Komtar Tower e pelo 1st Avenue Mall Penang George Town. Como começa a chover com mais intensidade, regresso ao hotel perto da hora de jantar e acabo por ficar a descansar e trabalhar no blog , primeiro ao som das orações que se ouvem da mesquita que há ali perto e depois da animada festa de karaoke que dura pela noite dentro na movimentada rua do meu hotel, a Lebuh Chulia.

No dia seguinte, acordo cedo e saio em busca do autocarro 203, que me leva até àquele que dizem ser o maior templo budista do Sudoeste Asiático (é impressão minha ou são todos?!): o Kek Lok Si. Como o templo fica fora da cidade, no topo de uma colina, o autocarro (que custa 2RM, ou seja, 0,42€) demora cerca de 1 hora, mas pára mesmo muito perto do acesso ao templo.

É ainda preciso subir umas escadas, passar por um corredor com inúmeras lojas de souvenirs de ambos os lados e ainda por um lago repleto de tartarugas. Depois de visitar o templo, apanho um funicular (6 RM) que me leva até ao topo da colina, onde se encontra a majestosa estátua de 37 metros de Kuan Yin, a Deusa da Misericórdia, uns jardins com estátuas dos animais do calendário chinês e uma vista magnífica sobre Penang.

De volta a Georgetown, apanho agora o autocarro 104 para uma zona nova da cidade, onde se encontram os templos Dhammikarama e Wat Chaya Mangakalaram. Como já passa da hora de almoço e a fome aperta, passo para junto ao mar e acabo por almoçar numa barraquinha que encontro ainda aberta àquela hora. O resto da tarde é passado a visitar os templos, um em frente ao outro. O primeiro, Wat Chaya Mangakalaram, é um templo budista de origem tailandesa que tem no seu interior uma das maiores estátuas reclinadas de Buddha do mundo. Já o Dhammikarama é um templo budista de origem birmanesa.

De regresso ao hotel, saio uma paragem antes e aproveito para ir comprar uns souvernirs num mercado de rua que fica muito perto do meu hotel e onde o vendedor, depois de me perguntar de onde sou (“Ahh, Cristiano Ronaldo”), de onde venho, para onde vou, se estou a gostar de Penang e o que é que já visitei, me diz que sou “very brave” por estar a viajar sozinha. Segundo ele, é normal ver muitos europeus e americanos a fazê-lo, mas que é muito raro ver pessoas do Sudoeste Asiático a fazer o mesmo e por isso considera-nos a todos muito corajosos.

Volto para o hotel para me despachar para sair para jantar e experimentar um dos pratos típicos de Penang – o Nasi Kandar -, num restaurante recomendado por ser um dos melhores e mais antigos. Entretanto descubro que está fechado naquele dia e acabo por ir andado pelas ruas à procura de um sitio onde jantar. Como começa a chover torrencialmente, aproveito para me sentar no primeiro restaurante de rua que encontro que me parece mais ou menos aceitável, onde acabo por comer um outro prato típico (que não decorei o nome). Não pára de chover e volto para o hotel como se tivesse acabado de tomar banho. 

No dia seguinte acordo um pouco mais tarde do que é habitual e preparo as minhas coisas para fazer o check-out no hotel, antes de sair para dar mais umas voltas pela cidade durante o dia, já tenho que apanhar o voo de regresso a Kuala Lumpur apenas às 20:40, onde vou passar a noite num hostel perto do aeroporto pois tenho voo no dia seguinte às 9:40 para Yogyakarta, na Indonésia.

Entretanto aparece uma cidadã não asiática (alemã) – tenho tido azar, tenho apanhado sempre muitos asiáticos nos hostels onde tenho ficado e eles não muito conversadores) – , que vai ficar na cápsula em cima da minha e que me pede ajuda porque a dela está partida. Ficamos um bocado à conversa e partilhamos as histórias das viagens uma da outra: ela chegou à Malásia e não tem destino, mas fica fascinada quando lhe digo que adorei Singapura e que Bali é o meu destino final. Como ela acabou de chegar a Georgetown, dou-lhe ainda umas dicas do que fazer, antes de cada uma seguir o seu caminho.

Deixo a minha mochila na sala de bagagem e vou almoçar ao restaurante que queria ter ido na noite anterior, experimentar o tal prato típico. Comprova-se: a comida é deliciosa. Saio do restaurante para aproveitar as minhas últimas horas em Penang e desta vez sigo à risca um mapa de arte urbana de Georgetown, que é uma óptima forma de conhecer a cidade, já que esta está repleta de pequenas obras de arte escondidas pelas suas ruas.

Passo ainda por um café (Caffe Hanakomichi), que tem à porta uma obra de arte com imensa pinta: uma estrutura de madeira com centenas de copinhos de café assinados. Como ainda tenho tempo, decido pedir um café especial Hanakomichi e sento-me na esplanada. Enquanto bebo o café, o empregado traz-me um pequeno copo de cartão, uma caixa de lápis de cor, tesoura e corda, também para que eu possa pintar o meu próprio copo e escrever o meu desejo. Fico-me apenas pelo “Endless Wanderlust” de um lado e por “Two Feet on the Ground” do outro, com uma bandeira de Portugal.

Sigo caminho, mas o passeio é interrompido a meio da tarde por uma tempestade tropical que decide estragar os meus planos. Mais de meia hora abrigada debaixo de um toldo perto de uma mesquita, decido chamar um Uber para voltar para o hotel para ir buscar a mochila e ir para o aeroporto. 

Estou à espera que a porta de embarque do meu voo abra enquanto escrevo esta crónica. Ponto de situação sobre a Malásia: é sem dúvida um país incrível, cheio de vida, óptima comida e um povo super simpático e atencioso, e um destino a regressar, principalmente para explorar outras partes do país, em especial as ilhas (Langwaki, Perhentian Islands, entre muitas outras). Tinha ponderado visitar Langkawi nesta viagem, mas como ainda é altura de chuvas, acabei por deixar para uma próxima. Sim, porque haverá certamente uma próxima.