Diário de Bordo

Dia 6, 7 e 8 | Kuala Lumpur, o brilhante coração da Malásia

As 2 horas de viagem de autocarro de Malaca até Kuala Lumpur passam relativamente rápido e assim que chego à estação central de KL – como é apelidada a cidade na Malásia – que fica fora da cidade para facilitar os acessos, opto por seguir as indicações do Google Maps e apanhar os transportes públicos até ao meu hotel para as próximas 2 noites: o Flora by Crossroads. O hotel em si é um edifício cheio de pinta. Inspirado na floresta natural e cascata Butik Nanas, a fachada do hotel, entre as suas janelas redondas, está coberta por um manto verdejante. Deixo as minhas coisas no quarto e saio a pé em direcção às famosas Petronas Towers, que ficam a cerca de 1 KM do meu hotel e que se começam a ver à distância.

Estas torres são de facto um símbolo emblemático e um dos maiores pontos turísticos da cidade. Como o tempo não está grande coisa, prefiro por não subir à torre de observação e fico apenas pelo piso terreo. Entretanto começa a chover e aproveito para conhecer o Suria KLCC, um dos maiores e mais luxuosos centros comercias de KL, mesmo no centro do Golden Triangle – área delimitada pelas Jalan Pudu, Jalan Ampang e Jalan Imbi e onde se situam as mais importantes zonas da cidade, incluindo o Bukit Bintang – a Time Square de Kuala Lumpur.

Como continua a chover, regresso ao meu hotel para descansar antes sair para jantar e explorar uma das zonas mais movimentadas de Kuala Lumpur: o Petalling Street Market. Na Chinatown de Kuala Lumpur, pode encontrar de tudo: desde comida e souvenirs a roupa, malas, sapatos, acessórios falsificados, que são vendidos a preços baixos, dependendo do poder de negociação de cada um.

Acabo por jantar um arroz típico no meio do mercado e por comprar dois pares de calças, que negoceio e consigo um preço mais baixo do que tinha visto noutros sítios. Well done! Mas umas bancas mais à frente, percebo que acabei de ser “enganada”, já que o dono desta banca diz que me vendia as mesmas calças por metade do preço… Ups! Regresso ao hotel e, agora de noite, consigo perceber o fascínio por esta cidade, com os seus prédios enormes que iluminam a cidade e abrilhantam o horizonte.

No dia seguinte, acordo cedo para tentar visitar as Batu Caves, um famoso templo hindu  que se situa dentro de uma gruta enorme e fica fora da cidade. Fico-me pela tentativa já que demoro mais do que previa nos transportes, apesar de ter uma rede desenvolvida de transportes. Perto das 10:00 chego finalmente às Batu Caves, que ficam mesmo à saída da estação.

As Batu Caves são compostas por 3 caves principais e são também conhecidas por 10th Caves ou Hill for Lord Muruga, pois existem 6 santuários na Índia e 4 na Malásia – além deste em Kuala Lumpur, existem outros 3 em Ipoh, Penang (o meu próximo destino) e Malaca.

Visito a primeira cave, a Ramayana Cave, e digiro-me para a entrada da Temple Cave, a gruta principal, que é considerada um dos maiores templos Hindus do Deus Murugan e que tem a sua estátua com 42 metros de altura à entrada – a maior estátua do mundo deste Deus Hindu. Infelizmente a estátua e a entrada do templo estão em obras, mas ainda assim não deixa de ser uma paisagem digna de se ver.

Esperam-me então 272 degraus bem inclinados até ao topo. Como se não bastasse o calor e as subida acentuada que são por si só uma tarefa complicada, a subida é feita a tentar escapar das dezenas de macacos que tentam roubar qualquer coisa aos turistas que por ali passam. Consigo chegar ao topo ilesa – o que considero um feito – e ao entrar na gruta percebo que esta é de facto incrível. Este templo é um local de adoração hindu e são centenas as pessoas que o visitam diariamente, vindas de todas as partes do mundo. Ainda lá em cima, num último lance de escadas, assisto a um roubo monumental de uns macacos que reparam que um grupo de pessoas transporta comida. E ainda fiquei com tudo filmado.

Ao descer as escadas reparo que existe um gruta paralela e salto as barreiras de escadas (ainda engano um macaco pelo caminho) para espreitar. Umas placas à entrada indicam que se tratam das Dark Caves, que abrigam umas das criaturas mais perigosas do planeta: cobras, aranhas, morcegos… Não, obrigada. Termino a descida e acabo por regressar à cidade onde visito Merdeka Square, considerada o coração de Kuala Lumpur e onde se encontram diversos monumentos históricos da cidade e a bandeira malaia, erguida aqui pela primeira vez desde a independência dos britânicos em 1957.

De seguida, vou em direcção à KL Tower (conhecida por Menara KL), que a par das Petronas Towers é um edifícios mais icónicos da capital da Malásia. Com 421 metros de altura, esta torre de telecomunicações construída no centro da reserva florestal Bukit Nanas é considerada a 7ª mais alta do mundo.

Compro o bilhete (105 RM) que me permite ir até ao ponto mais alto acessível a comuns mortais, o SkyDeck, com uma vista 360º incrível sobre a capital malaia e que tem umas caixas de vidro suspensas, onde é possível andar. Desço depois para o Observation Deck, onde a meio da visita sou abordada por 2 raparigas que me pedem para tirar uma fotografia. Só quando as vejo virar o telemóvel para mim é que percebo que não querem que eu lhes tire uma fotografia, mas sim tirar uma fotografia comigo. “Sim, claro.”, respondo e lá tiramos a fotografia. Quando lhes digo para tirarmos outra, agora com o meu telemóvel, ficam todas contentes. Perguntam-me de onde sou e se estou a viajar sozinha e quando digo que sim, dizem que sou “very brave”. Agradeço o elogio e seguimos os nossos caminhos. O povo malaio é realmente extremamente simpático e sempre com um sorriso na cara.

Como o tempo tem estado sempre meio nublado e a chover e nessa tarde começa a abrir e aparecer o sol, aproveito para dar mais uma volta pela cidade e por passar novamente pelas Petronas para tirar mais uma fotografia da praxe, agora com direito a céu (quase todo) azul. Regresso ao hotel, onde me preparo para apanhar o avião da AirAsia na manhã seguinte para Georgetown, na ilha Penang, que fica no norte da Malásia.

Kuala Lumpur não me deixa propriamente impressionada. Apesar de ser um cidade relativamente grande, cosmopolita e com muito para ver, acho que é demasiado empresarial, confusa e com um trânsito caótico. Mas vale pelas Petronas, KL Tower e Batu Caves, que são de facto incríveis, e pela diversidade cultural e mistura entre o antigo e o moderno.