Diário de Bordo

Dia 1, 2, 3 e 4 | Singapura, a cosmopolita cidade-estado asiática

Singapura é o ponto de partida para uma viagem pelo Sudoeste Asiático e os quatro dias passados nesta evoluída e cosmopolita cidade-estado não desiludem.

Se leram o post anterior até ao fim, provavelmente devem ter percebido que não desisti e não fiquei por Barcelona. Depois de uma longa viagem de mais de 36 horas, cheguei finalmente ao aeroporto de Changi em Singapura, que é considerado um dos maiores e melhores aeroportos do mundo.

Já depois das 22:00, e como já era tarde e precisava de fazer o check-in antes da meia-noite, apanho um Uber para o hotel. Como tinha curiosidade de dormir num hotel-cápsula, conceito de hotel japonês, acabo por marcar 2 noites no The Pod @ Beach Road Boutique Capsule Hotel . A viagem durou cerca de 20 minutos e custou 11 euros e o simpático motorista malaio, que ainda me deu algumas dicas para o resto da viagem. 

No dia seguinte, acordo cedo (maldito jet leg) e saio do hotel a pé para explorar a cidade. Tinha comprado bilhetes online para esse dia para o S.E.A. Aquarium em Sentosa Island e os jardins Garden by the Bay e o plano era visitar estes sítios e ir conhecendo outros pontos de interesse da cidade pelo caminho. Como o hotel ficava numa rua principal perto do rio, acabo por ir junto ao rio até ao centro da cidade e pelo caminho começo a ver os pontos mais turísticos da cidade – Singapore Flyer, Gardens by the Bay, Marina Bay Sands e os inúmeros arranha-céus que caracterizam a baía de Singapura. Mas não sem antes ter direito a um espetáculo matinal de um grupo de lontras mesmo junto à margem do rio. Até aqui, Singapura começa a parecer-me uma cidade incrível, super limpa, cheia de vida e movimento e uma excelente escolha para o meu porto de chegada à Ásia.

Depois de explorar a zona , vou levantar dinheiro, comprar água e um cartão diário de transporte que me permite fazer viagens sem limite nos autocarros, MTR e LTR, durante um dia, que me custou S$20 (cerca de 13€) – metade do valor é reembolsado se devolvermos o cartão.

Em City Hall, apanho o MRT até à estação Harbour Front, onde apanho o Sentosa Express (4 S$ – 2,6€), um pequeno comboio que dá acesso a Sentosa Island, uma ilha de diversão com atrações como os Universal Studios e S.E.A Aquarium. Saio na primeira das três estações, onde dou uma volta e acabo por entrar no S.E.A Aquarium – um dos maiores aquários do mundo, que aloja milhares de animais marinhos e centenas de espécies diferentes. Aproveito ainda o facto de estar na ilha para dar uma volta a pé até à ponta oposta, onde estão localizadas as praias e onde, alegadamente, se situa o ponto mais a sul da Ásia continental. Alegadamente porque como se trata de uma ilha, que está ligada à ilha Sentosa por uma ponte suspensa e porque a própria Singapura está ligada a Malásia Peninsular por uma ponte (perdidos?), dificilmente faz com que se possa considerar parte da Ásia Continental. Mas fica bem na fotografia e isso é que importa.

Apanho novamente o comboio que me leva de volta à cidade e onde inicio a caminhada pelos Garden by the Bay, um complexo gigantesco e verdejante que abriga milhares de espécies de plantas diferentes. Entretanto, começa a chover torrencialmente enquanto estava dentro de um dos dois conservatórios (existem 2 conservatórios: Flower Dome e Cloud Forest). Menos mal. O pior foi quando começou também a trovejar e vem dai uma tempestade que não parece ter fim. Tal como as outras pessoas, acabo por ficar algum tempo à espera que a chuva acalme para continuar a visita pelos jardins, subir às Super Trees e passar pela ponte suspensa que liga duas delas (OCBC Skyway). Mas a chuva teima em não abrandar e não é permite a subida, por isso acabo por ainda dar mais uma volta pelos jardins e apanhar um shuttle que me leva até à estação mais próxima. Para compensar, vou até Chinatown e aproveito para comprar umas recordações a preços muito simpáticos e jantar uns noodles deliciosos e também super baratos. Assim vale a pena.

Tinha previsto ficar apenas 2 noites em, mas como ainda gostava de dar mais um passeio pela cidade, acabo por marcar mais uma noite num hotel-cápsula em Little India, e compro online o bilhete de autocarro para a Malásia, para dali a 2 dias no Bus Online Ticket.

No dia seguinte, volto a ir a pé até à zona baixa da cidade, agora pela Beach Road, onde fica situado o famoso e luxuoso Raffles Hotel e vou visitar outros marcos da cidade como a estátua de Raffles, Merlion, National Gallery e St. Joseph Church. Ia aproveitar esse final de tarde para tentar novamente subir à torres do Garden by the Bay e ao ponto de observação do Marina Bay Sands – um hotel de luxo composto por 3 torres gigantes ligadas por um navio no topo e conhecido pela sua infinity pool com uma vista incrível para a cidade; mas volta a chover torrencialmente e acabo desistir e por me abrigar num dos muitos gigantescos centros comerciais que existem em Singapura, repletos de lojas de marcas mundialmente conhecidas , especialmente marcas de luxo que são a maior atracção para os turistas (principalmente os intermináveis grupos de chineses).

A chuva lá abranda um pouco e volto ao meu primeiro hotel para ir buscar a mochila para ir para o meu novo hotel: MET A Space Pod @ Little India. Quando chego, o staff faz uma festa enorme e explicam-me porque: aquele era o primeiro dia do hotel (já tinham um outro, numa outra zona da cidade), tinham acabado de abrir e eu era a segunda hóspede. Fazem-me uma visita guiada, com as suas cápsulas que parecem naves espaciais, super futuristas, e como está volta a chover novamente de forma torrencial acabo por passar o fim da tarde na minha cápsula azul neon.

Nessa noite, saio para um passeio por Little India e pelos templos que existem naquela zona da cidade e acabo por jantar num típico restaurante indiano um (delicioso) Chicken Masala acompanhado por arroz basmati e pão Naan. Aproveito a minha última noite em Singapura para conhecer as zonas de Boat Quay e Clarke Quay, duas zonas repletas de restaurantes e bares, e ainda por dar uma volta pela avenida junto à baia de Singapura.

Quando chego ao hotel, vejo que as luzes da entrada já estão apagadas e que não está ninguém na entrada, tento passar o meu cartão pela porta, mas não me parece que haja nenhum leitor. Mau… Lá encontro um intercomunicador com código. O problema é que… não me tinham dado nenhum código. Toco insistentemente à campainha, mas nada do outro lado. Ligo para o número do hotel, mas também não parece que alguém vá atender. Lá me atende uma pessoa, que me diz que a porta é automática e que deve estar a abrir a qualquer momento. Nop… Nada! Depois de uns bons 15 minutos neste reboliço, chamadas e mensagens trocadas, lá consigo que me digam finalmente o código de acesso (1234, genius…) e entro para o hotel.

No dia seguinte, acordo cedo para dar mais umas voltas por Little India, agora durante o dia, antes de apanhar o autocarro de Singapura para Malaca – uma cidade no sul da Malásia. Antes de sair, em conversa com outros hóspedes, contam-me que aparentemente ninguém do hotel esperou para os receber e que o fizeram foi entrar e servir-se. Quando saio, ainda não está ninguém na recepção para nos preparar o pequeno-almoço (que mais tarde viemos a descobrir ser self-service – como tudo ali) e quando regresso ao hotel, já perto da hora do autocarro, a recepção continua sem ninguém.

Antes de me ir embora, o cartão que abre o cofre debaixo da minha cama e onde tenho guardadas as minhas coisas, dá sinal mas não abre… Tento forçar a porta e acabo por ficar com o leitor na mão. E o tempo a passar… Peço ajuda a um dos hóspedes e ele lá consegue voltar a ligar os fios ao leitor e abrir a porta do cofre. Antes de sair a correr para não perder o autocarro, deixo o meu cartão na recepção e faço o meu próprio check-out, já que continua sem aparecer ninguém para nos ajudar.

É respirar fundo e pensar que faz tudo parte da experiência…

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